Jeito de Menina com Olhar de Mulher
Não perco o hábito
de olhar para o céu,
Tendo a consciência
que a constelação
está contida nos teus
preciosos olhos,
Que tocam absolutos
os meus sonhos,
E faço nenhuma
questão de disfarçar.
Embora no instante
somente tenho o rumo,
e não a possibilidade,
A liberdade é prumo
que se desfaz e bússola.
Mesmo sem prever,
e sem saber para onde
haverá de seguir o seu;
O meu batimento
tem sido todo pelo teu.
No Sarv-e Abarkuh,
com tiara trançada
de rosas damascenas,
romãs, damascos e maçãs,
nas poéticas cestas,
A vontade de enfrentar
o mundo na noite longa,
O céu que pode
cair a qualquer hora
- não me apavora -;
a glória pertence só
de fato a quem ousa.
Bombas e império não
podem contra nada
contra o tempo e o amor,
e nem nunca terão
o êxito de capturar;
Custe o que custar
e leve o tempo que durar,
nunca conseguirão
conquistar ou derrotar.
Há anos ninguém aprendeu
e nem mais ensinou
nesta porção continental
a olhar para o alto
do nosso Hemisfério Austral.
Onde a posição, a voz
e a memória indígena
são todos os dias cortados
até em meio aos Andes,
Das lágrimas do povo
aguayos têm sido tecidos,
Nenhum dos capítulos
serão por mim esquecidos.
Por audácia e pretensão
continuo por herança
se a tal que incomoda,
A guerra sempre é
a dileta filha da fofoca,
Por isso quero ser sempre
que a minha língua
seja a espada que a corta.
Olhos e mente de Condor
sem pausa diante da vista,
ainda seja por pura poesia;
Porque a América do Sul
não merece virar nostalgia.
Fui encontrada pelo teu olhar
nas estepes do acaso.
Nutrindo com naturalidade
a liberdade
de ave peregrina que me cerca
com potente pensamento.
Com teu jeito de caçador,
ao meu lado pousaste com amor.
Como tulipa selvagem,
espalhei-me imparável,
sem pedir permissão.
Criei raízes no teu coração.
Não vou, nem preciso ir,
porque tenho direção,
o tempo como aliado
e a irresistível devoção
que me tens tocado.
Por isso, sem nenhuma pressa,
porque já estou dentro
como a ilustre habitante
da glória do teu sentimento.
Sempre que for necessário,
para que em mim encontres
o genuíno abrigo paradisíaco.
De corpo e alma em fruição diária,
apaixonado, te orgulhes
de ter me encontrado
e digas, orgulhoso, para ti mesmo:
— Pertenço à que soube, como ninguém,
o valor de ter capturado meu coração.
Conquistei a merecedora de veneração.
Não me interessa nunca
mais olhar para trás,
Desde que encontrei
com os meus olhos austrais
os teus olhos sensuais
mais supreendentes,
Outros caminhos
não conheço mais.
Reviver o que se foi,
é querer viver sem rumo.
Sem olhar para trás,
quero seguir em frente,
Agora tenho direção
e não quero conhecer
mais outros caminhos
porque qualquer
outro não me levarão
até o seu caminho.
Como chuva mansa,
o teu coração tomarei
de um jeito inusitado,
E quando você se der
conta estará capturado,
e nas tuas mãos te darei
o poder do meu coração
perdidamente apaixonado.
Diante do teu olhar entreguei
beleza, mistério e poder
como a marianeira ao frutificar
generosa concede ao sabiá,
estamos dispostos a esbanjar,
e sei que a gente se envolverá.
O nosso silêncio há de vir
com a progressão voluptuosa
dos fatos e do encontro
para a gente envolver
a mente, o coração e a alma,
e com a mudez derreter.
De longe ando percebendo
quando fala ou pensa em mim,
até a sua respiração muda.
Isso não é sedução por acaso —
é o retorno à ordem universal:
o masculino e o feminino
em encontro se rendendo total.
Olhe para mim. O que passou, passou.
Não me interessa nenhum pouco
o que não pude fazer antes de te conhecer;
a sua peregrinação já me previa antes de ser.
O que importa é que, depois de mim,
toda carícia conhecida será esquecida,
e só irá obter o desejável êxtase
com a minha atemporal delícia.
Longe de mim querer igualdade,
o que desejo entre nós é intimidade.
Você foi feito para ser meu
com magnitude e intensidade,
nos teus toques que nos dissolverão
nos andares da alta sedução,
como âmbar e mel em fusão.
Ser além da curva com reverência,
acariciado com a minha presença
e adorado na alma por eu que
sei como solenemente cortejar,
e não irei jamais precisar implorar.
Sempre que for necessário,
virei ou receberei sem pedir
por tudo aquilo que é meu
por natureza: a sua entrega total
para alcançarmos juntos o sideral.
Olhar para o céu faz lembrar
que os pés estão presos à terra.
No Hemisfério Celestial Sul
é chegado o solstício de inverno,
e te habitar é o que mais quero.
Do meu território para o seu,
conhecer as rotas para habitar
na tua pele tem sido mistério.
Condor só voa com Condor,
e juntos ganham o universo.
O que é feminino e masculino
estão com as suas oferendas
sob a mesa, para reverenciar
a Pachamama e o Tata Inti:
é chegado o dia de Willka Kuti.
Observar o tempo astronômico
faz com eu me semeie, regue
cresça e crie raízes em você;
sem absolutamente nada temer,
faça noite ou dia, amar é viver.
Não tenho medo de pensar e nem de errar. Tenho medo de não ter olhar atento para me corrigir, e ter compromisso com o erro sem com que eu perceba.
O meu olhar de longe alcança
tudo o que você reserva.
És a minha diversão favorita
e o meu território de paz,
tudo o que faz a diferença
como ninguém na vida faz.
O teu olhar de longe alcança
igual o que suscito,
como a tua principal distração favorita,
como teu porto seguro exclusivo
e todo cheio de poesia.
Aguardo que assuma o controle
para que nós o percamos em nós,
porque o amor tem o nosso nome;
e a urgência é faminta da nossa fome.
Embora o Ipê-amarelo-da-mata
floresça em agosto, não somos diferentes:
em julho, como ele, começamos
a dar os primeiros sinais amáveis
ainda longe do litoral catarinense —
no que se tenta controlar e sente.
Não é a primeira vez, e nem será a última,
que peço para olhar para o nosso céu.
Estar com os olhos atentos é preciso,
onde não nos foi ensinado a nos conhecer
e nos manter, em nome daquilo
que importa, indestrutivelmente unidos.
Não é a primeira vez, e nem será a última,
que falo que Condor só voa com Condor
e que desejo mostrar a América do Sul profunda.
Quem conhece a profundidade
e a extensão da Elevação do Rio Grande
sabe que somente ao Brasil pertence;
mas isso é assunto para hora entre a gente.
Não é a primeira vez, e nem será a última,
que falo que as Malvinas são argentinas.
E porque de fato elas são, estou aqui
para recordar os Yaghan e Kawésqar,
enquanto uns não fazem questão de lembrar;
porque negam que a Argentina nasceu
graças à vontade do povo que quis se libertar.
Olhar para frente
é um dever em busca
da metamorfose,
Baixo a ocupação
via doutrinação
por outra Nação,
é dever da nossa
conquistar a libertação.
No dobrar das auroras
matutina e vespertina,
o mistério contido
no teu olhar fascina.
Permaneceste intocado,
porque não foi elucidado,
E assim tornou-se parte
perene dos sentidos.
Minhas veias parecidas
com Maipo, Bío-Bío e Loa
rumo ao Oceano Pacífico,
assim te levo comigo.
De um jeito muito parecido
quando os deuses
dançam e nasce no céu
do Chile a aurora austral,
que o pehuén ancestral
ilumina com poesia celestial:
Algo ainda pede que insista
acima dos conceitos
que dizem que ser fantasia;
Não quero estar enganada,
percebo o seu amor chegando
para tocar-me como sinfonia,
beira o inacreditável a nossa sintonia.
Ao olhar para o céu da América Latina
pude ler de Lindolf Bell claramente
"O Poema das Crianças Traídas",
Isso diz tudo sobre muita gente
que sequer ainda acordou para a realidade...
A vida real desafia, porém quando esbarra no insustentável, é porque o olhar deve ser mudado. A leitura de uma ficção é apenas uma distração, mas o papel de um autor é contribuir ativamente no processo de mudança.
O Ipê-amarelo romântico
beija o céu de setembro
e o olhar com ele floresce,
Para dizer que sou o teu
amor que não se esquece.
...
O Ipê-amarelo-da-serra
efloresce e beija o céu,
Nunca deixei de ser poeta
para dizer com mel
que nasceste para ser meu.
...
Quaresmeira-roxa
unida com o céu
parece uma colcha,
Com o meu charme
amaciarei o seu
coração feito de rocha.
...
Quaresmeira-branca
efloração tão rara,
parece até com o meu
coração que dispara
quando vê por perto o teu.
...
Araucária em florada
é declaração de amor
em setembro de desejos,
Assumo que sonho o dia
todo com os seu beijos.
...
Ingá-feijão em flor
traz toda uma poesia
de setembro e amor.
...
Ingá-cipó em floração
balançado pelo vento
na poética madrugada
plena em setembro,
Toca a percussão
para o sentimento.
...
Corticeira-da-serra
sob a Lua poética
que não se encena,
No coração há uma
vontade de amar
que nada encerra.
...
Açoita-cavalo em flor
na Mata Atlântica sob
estrelas de setembro,
Não existe poesia maior
declamada para o olhar
diante da vida ao redor.
...
Canafistula bailarina
embalada pela ventania,
Floração setembrina
que ao coração brinda,
Da vida só peço agora
alguém que me traga
inspiração e toda a poesia.
Sem medo de olhar fundo nos olhos da sedução, Mergulho de braços abertos nesse amor que é mais do que entrega total, ele é a nossa sideração.
Sem temer
a noite escura,
Com o olhar
preso na Lua,
Sou a sereia
que mergulha,
Na correnteza
em busca de
levar de volta
para a terra firme:
Um General
e uma tropa
que estão presos
num obscuro oceano
profundo de injustiças,
e sem certeza nenhuma
de quando esta e outras
tragédias irão terminar.
No oitavo dia do ano
No oitavo dia do ano
celebro a poesia
do seu divino olhar,
poema luminoso
e que me faz sonhar
que ainda vale
a pena nesta vida amar.
PROPUS-ME
Propus-me a ser quem sou,
a andar de cabeça erguida
sem olhar o mundo ao redor.
Esse mundo balbucia perto de mim
e transforma cada passo
num fardo que não carregarei.
Não me atiro a esmo
num mundo que já cambaleia
na sua própria estrada.
Estou confinado no agora.
O futuro não me diz respeito.
Faço em mim morada
e sigo a estrada onde fui colocado.
Ando sem receio, sem bagagem.
Do hoje, levo só o que restou.
Talvez no meio do caminho
haja um novo despertar.
Observo o que vem
e me vejo espectador
das escolhas que fiz.
A vida anuncia início, meio e fim.
Ficar à espera do fim
só traz pressa inútil.
Então vou sem pressa.
Pressa para quê,
se morremos no presente
e quem nasce ainda sonha com o futuro?
Um ciclo que não acaba.
Um agora que poucos vivem.
Eu me acomodo no sofá
e me proponho a sonhar.
Deixo tudo como está.
Sou o contraponto
da vida, do mundo
e do eu que vive aqui.
Tenho um fio invisível, invisível ao Mundo nenhum olhar o alcança, mas eu sinto A alma desconhece, mas eu já fui avisada
olhar para a própria jornada e saber que cada degrau foi alcançado por mérito, trabalho .....Ser forte é ter a capacidade de gerenciar a própria vida e, ao mesmo tempo, ser um porto seguro para os outros. A verdadeira independência transborda cuidado.
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