Jardim das Borboletas Vinicius de Moraes

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Os homens se matam por dinheiro, ajuntam para outros gastarem o preço ao qual eles deram pelas suas vidas.

Dizem que a vida é feita de escolhas, mas o acaso se dá inesperadamente.

Que diferença faz, alguns anos a menos ou mais, diante da eternidade? Creio que a partir da concepção surgimos para a eternidade.

A falta de amor está afetando o equilíbrio da natureza, até os animais estão sofrendo tamanha escassez por parte dos humanos.

Não é preciso muita coisa para viver bem neste mundo, basta observarmos os animais, extraem do meio tão somente o necessário à subsistência. Mas os homens não, possuem tamanha ganância capaz de destruir o próprio meio ao qual vive, sem poder alcançar saciedade. E assim vamos seguindo vivendo, cada vez menos humanos.

A constância é o que sustenta todo hábito.
A falta de constância é similar a construir uma casa sobre um aterro mal executado, parece firme, mas sabemos que em algum momento vai desabar.

O tamanho do meu mundo é medido com a fita métrica dos meus conhecimentos.

A felicidade está no seu interior, portanto, aproprie-se dela e lembre-se das agruras para galgá-la, afinal, tudo tem um preço, mas os valores são imensuráveis.

No livro da vida há cartas de intenções, às vezes boas ou más.

Não contribua para a sociedade para que façam um filme sobre você, mas para que dê sentido à busca de alguém.⁠

Há frases de efeitos colaterais com danos morais irreversíveis.

Nada há mais repugnante do que a soberba de um ser insignificante.

Na política brasileira há ex-presidente e deputado federal com nomes de palhaços, afinal é um picadeiro e a gente paga seus ingressos através dos votos através dos altos tributos, mas a nossa qualidade de vida e saúde continuam em queda vertiginosa.

O Socialismo é o passado do Comunismo.

As pessoas acreditam que eu estou à beira do precipício, o que elas não sabem é que eu saltei já faz um tempo…

Você só não pecas porque não tens condições.

A verdade tarda, mas sempre aparece.

A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.

(Texto foi extraído do livro “Nova Reunião”, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1985, pág. 300. Fonte: Projeto Releituras)

O que nasce do coração não se apaga com o tempo. Transforma, inspira, e permanece

Solidão não é falta de gente, é excesso de lembrança acesa, é um coração morando sozinho em uma casa cheia de mesa.