Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum

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PELOS CORTES DA VIDA

Demétrio Sena, Magé – RJ.

É que a gente se foge de tanto fugir;
já não pode com nada, mas quer se poder;
nem quer mais se fundir ao que a vida forjou,
mas no fundo se toca; está toda fundida...
Nada pode salvar a quem o mundo pode,
pois explode no abismo de quem foi podido,
foi fugido e não foge do alvo da fuga
cuja rota lhe foge no fim da ilusão...
Quando a gente se arvora o mundo vem podar
pelos cortes da vida, pois a vida é poda;
uma roda cortante que o mundo não cega...
Ninguém pode poder o que pode sem fim,
apesar de fundida sei que a gente foge
pelo sim, pelo não, de ser o que não é...

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JÁ VIU ESSE FILME?

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Não havia um mandado
de busca
e apreensão...
Só um ente querido
sem limite
nem educação.

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AMAR DE NOVO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já morri de vontade; raiva; dor... de frustração e nostalgia. De frio e sede. Mas também já morri de alegria, esperança, tensão e ansiedade... morri de muito esperar.
Foram muitas as versões desencontradas e vertiginosas das quais morri a vida inteira. Morri da ideia de morrer, e de viver uma só vez as emoções que uma vida não comporta. Muitas vezes morri de prazer, porque o chão que se abriu aos meus pés me sugou completamente e fez perder os sentidos. Nesse dia percebi o sentido que o próprio mundo não tem, sem essa perda pontual de sentidos.
Já morri de saudades do seu beijo. De quando morri de tanto amor. Tanto sonho marcado para morrer. Tive medo e morri de solidão. Morri de medo. Inclusive de medo da solidão. Mesmo assim, fui teimoso e reservei o melhor para te matar de pasmo. Provar meu poder de superação. Superação da separação...
Só agora revelo este segredo: depois de tanto morrer, estou vivo. Vivo e pronto para o que ainda pode ser. O motivo é todo meu. Revelo não... ele pertence ao coração.

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TODAS AS LÍNGUAS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já usei com você,
todas as línguas do meu afeto.
Usei as falas e os sinais;
também silêncios e presenças...
mas me cansei.
Calei o peso do seu nunca
e despertei meu nunca mais...
minhas reticências...
aprendi a linguagem das ausências...

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VIROSE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Há um vírus pelo ar;
já se tornou overdose;
virou moda se virar;
se virar virou virose...

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CREDO, AMOR E FÉ

Demétrio Sena, Magé - RJ.

A igreja dirá, quando a sua mente já estiver devidamente rendida, que aquele seu sonho é pecado. Que você viver do seu jeito faz pleno jus ao inferno, e ser exatamente quem é ofende a "Deus"... mas por favor; não aceite os arreios impostos à sua alma, como se você os merecesse por ter nascido e chegado até aqui.
No momento em que a igreja começar a vender para suas dúvidas, angústias e conflitos um "Deus" passional e vingativo contra quem se permite a liberdade, voa e até faz arte, não compre. Não aceite a falsa grife de um ser superior que o fez humano e não aceita sua humanidade. Que amaldiçoa e castiga todo aquele que não se torna uma ovelha em sacrifício permanente. Se tiver que ser assim, prefira compor o grupo dos que seguem à margem.
Não aceite um redil como habitat natural de seus conceitos; como figura ou símbolo de salvação. Escravidão não salva. Subserviência não dignifica. Os redis que se mostram ao pé-da-letra nada são além de ardis para os carentes de bênçãos e milagres que a própria vida já é, e ora disponibiliza ora não, em seus fenômenos, mediante os engenhos também naturais do que chamamos de fé. E esta não é maior nem menor em quem se autoflagela, com mais ou menos sofreguidão.
Desespero e temor do inferno, anulação pessoal e sangria da alma não combinam com fé. Meu respeito a quem busca "Deus" ou deuses, mas como forma de ser feliz, não de trocar um sofrimento por outro. Uma escravidão por outra. Nenhuma escravidão é melhor. Nenhuma opressão é boa, mesmo que risonha e com ares (doentios) daquela paz agoniada e sem paz de quem vê o "diabo" em quase tudo e vive a expulsá-lo com orações sofridas, hinos pungentes, contrição profunda e proibições pessoais.
Tudo perde o sentido se não é por amor. Se não é de vontade livre. Só é fé se for pelo amor; não pela dor... nem pelador... nem apelador. Amor não combina com joelhos que sangram, almas que desistem dos corpos, talentos que se amoldam às ordens e à tirania da vigilância e das lideranças externas.

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DESBRAVADOR

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Quero tanto sentir que já posso voltar
a sorrir pros teus olhos de volta pra mim,
dar um fim nesse fim que só acho que dei
ou livrar a saudade que ruge aqui dentro...
Não te quero tão longe, mesmo tão de perto,
nem acerto meu passo nas fugas que finjo,
dói até se não dói a frieza entre nós
e a força dos nós que detêm meus impulsos...
Apesar de saber que será sempre assim,
esse ter e não ter que ronda nossas rondas,
direi sim ao só isso desse pelo menos...
Tudo quanto não quero é te perder de vista
e não ter essa vista que veste meus olhos
que desbravam florestas e mananciais...

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OBJETIVIDADE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Julgas, erroneamente, que foste a melhor coisa que já tive. Não. Não foste. A melhor coisa que já tive foi uma bela bicicleta Monark, barra forte, com rodas de raiação dupla e pneus balão.
Entretanto, de todas as mulheres que me deram a honra de partilharem comigo suas vidas, foste a melhor. A mulher mais amada. Mais mulher. Dona dos meus sentimentos mais profundos. O grande amor de minha vida.
Mas eu bem sei que fui coisa para ti. E pelo visto não fui a melhor coisa, o melhor objeto que já possuíste. Nada que se compare, nas tuas nostalgias, à minha velha e saudosa bicicleta Monark.

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SEU SEM QUERER

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já não posso insistir no bem querer
que me leva, me joga, me deságua,
me desova no seu arquivo morto,
onde vivo a ilusão de que lhe tenho...
Abro mão desse porto pontual,
desse ponto cravado em alto mar,
do luau solitário que lhe rendo
pra ganhar uns trocados de afeição...
Guarde sua distância pra si mesma,
não a quero com tanto sem querer
ou com tanta preguiça e reticência...
Deixarei que a saudade seja sua
uma vez, uma lua, um por acaso;
quero troca; não quero doação...

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LADRÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já roubei muitos beijos.
Nunca me arrependi...
roubar é melhor do que pedir.

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DESEMPENHOS DA CHUVA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

O show da chuva já ida
está nos mini-cristais
que rolam sobre as folhagens...
brilha nas gotas de vida
já salpicadas de sol,
nas minhas doces miragens
do mundo à flor dos meus olhos...
A chuva ida ficou
na limpidez das roseiras
e no frescor desse ar...
Ficou na teia vistosa
que ora serve de auréola,
ora se torna colar
de que o arbusto se adorna...
Ficou da chuva passada
um romantismo silente,
que se compõe feito verso...
Alguma espécie de nada
com que se veste o poente,
pra se tornar universo
e provocar minhas asas...

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SEM ACESSO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já entendo as pessoas que se forjam
nos excessos de aparas, aparatos,
criam fatos que tentam tornar lendas
com silêncios que soam falastrões...
Elas fogem sonhando ser achadas,
mas no fundo se perdem de si mesmas,
criam resmas inúteis de aventuras
nunca escritas, porque passam em branco...
As pessoas forjadas são lacunas
ou colunas, no entanto, de fumaça,
e depois das miragens evaporam...
Barroquizam-se além do que suportam;
quando nada comporta quem não são,
fica tão difícil facilitar...

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EM CONSTRUÇÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já não tenho certezas; isso é bom,
porque são as certezas que nos secam;
que nos tornam estátuas do saber;
tábuas frias de leis petrificadas...
Foi difícil saber que nada sei;
quanto mais incertezas, mais ação;
sei que morro, mas depois de viver
e levar os meus tombos por aí...
Era tanta certeza, que os meus braços
não queriam senão ficar cruzados;
os meus passos romperam com os pés...
Por não ter mais certezas digo sim,
vou ao fim que não vem pela metade,
quando minha verdade se constrói...

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DEIXAR DE SENTIR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Sempre houve um pra sempre; já perdi a conta;
todo amor é assim em seu passo primário;
tudo quanto começa já traz uma ponta
pra buscar outra ponta de mais um sudário...

Imortal repetente ou eterno diário;
cada laço é uma vida que o tempo remonta,
como nosso infinito cabe num aquário
onde o pronto parece que nunca se apronta...

Quanto amor para sempre; quanta eternidade;
a verdade que agora desmenta a verdade,
quando nossa doçura virou absinto...

Aflorou no pra sempre o velho nunca mais;
outro sonho cansado retorna pro cais;
meu amor, sinto muito pelo que não sinto...

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SAGA RESTANTE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Hoje venço as derrotas forjadas pra mim;
já não busco vitórias que são duvidosas;
lá no fim dos meus sonhos estão meus espelhos
onde quero me olhar e sorrir pro que veja...
Errarei outras vezes; não nos mesmos pontos,
nem serão novos erros que premeditei,
desses prontos, medidos e delineados
pela lei de chegar sem questão de caminho...
Tenho prole que pede para ter matriz,
há um giz que precisa fazer jus ao quadro,
uma saga restante que requer critério...
Aprendi as lições que o passado ensinou;
sou aluno esforçado, quero me formar
e saldar com a vida pra partir em paz...

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SEM MEIO TERMO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Faço as pazes comigo, já não posso
com a força da minha intransigência,
minha essência que nunca se permite
um aroma de ventos renovados...
Não preciso mudar, só consentir
uma nova visão do para sempre,
um sentir menos tenso e congelado
entre medos e cismas de antemão...
Seguirei mais comigo, faço as pazes
com as velhas verdades reprimidas
ou as vidas deixadas no caminho...
Solto sonhos, liberto as esperanças,
dou andanças aos passos ocupados
e não deixo de ser, mas deixo estar...

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HEIN?

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já duvidei da certeza.
Hoje tenho certeza
do talvez.

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PAZ PRA SEGUIR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já pequei minha cota e fui além;
foram muitos os passos desmedidos,
mas também não faltaram promissórias
regiamente cumpridas por meu tempo...
Sei que o tempo não pôde me conter
de voltar a ferir os estatutos,
cometer novos erros, repeti-los
quando a casca da idade me blindou...
Mesmo assim honrei todos os boletos,
hoje acerto resquícios de passados
que ressurgem dos guetos da memória...
Quando penso no quanto caminhei,
no que sei que não sei, pois aprendi,
quero paz pra seguir meus dias bônus...

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QUEM ME AME

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já não quero seu eco
me devolvendo a seco
o que me soa infame...
Não quero mais alguém
que me ame também...
desejo quem me ame.

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RIMARIA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

A ondinha na poça
não é maré;
calango não é filhote
de jacaré.
Sanguessuga também gosta,
mas não é bicho de pé,
nem é porque sou pobre
que sou ralé.
O cheiro do tênis sujo
não é sempre chulé;
jamais confunda um adeus
com um até;
um pirulito comprido
com picolé.
O café da manhã
às vezes não tem café,
e não é sempre que o antes
tem que ser pré
ou a pessoa inocente
ser mané.
Muita música baiana
não é axé;
às vezes retroceder
não é marcha a ré;
existe muito carinho
sem cafuné.
Poema nem sempre rima
se o autor não quer,
não confunda qualquer um
com um qualquer,
pois tanta coisa parece
mas não é.
Às vezes fica difícil
pra quem bate o pé;
acreditar de teimoso
não é fé.

Inserida por demetriosena