Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum

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O céu se abre sem alarde, a chuva já quer cessar. Um coração cansado retorna, sem pressa de explicar. O perdão chega como o vento, e o amor aprende a esperar.

As luzes distantes parecem faróis para barcos que já naufragaram.

Não há trilha de volta para quem já perdeu até o caminho.

No fim, resta a calma glacial de quem já aprendeu a perder.

Aquele que está disposto a perder tudo pelo bem do amado, já ganhou o prêmio da eternidade.

Reconstruir a si mesmo exige a demolição de velhas certezas que já não cabem na sua nova paisagem.

Abandone a obsessão de explicar o mapa, quem realmente o compreende, já conhece a paisagem árida de vales semelhantes.

A energia gasta em tentar provar valor a um júri que já proferiu o veredito da desvalorização é a mais inútil das espoliações.

A sabedoria é a leveza de quem já caminhou demais.

O espelho da vida só mostra a beleza de quem já aprendeu a se aceitar inteiro.

A saudade é um animal que corre em círculos pela casa. Não morde, apenas arranha portas que já deviam estar trancadas. Dentro do peito, a boca do animal é uma chama azul. Alimento-o às vezes, por não saber esperar o fim do fogo. Mas aprendendo, deixo o bicho dormir sem abrir a porta.

Já caminhei sem direção, mas nunca sem esperança, ela me guiou quando meus olhos estavam cegos, e quando abri os olhos percebi, eu estava no caminho certo o tempo todo.

Já amei errado, já investi onde não havia nada, já me entreguei onde não havia retorno, mas aprendi, o amor certo nunca exige sacrifício da alma.

Minha alma já quebrou tantas vezes que virou vitral, fragmentos coloridos, montados com fé, iluminam quem chega perto.

Não temo mais minhas falhas, elas moldaram minha identidade, sei onde piso porque já caí lá, sei quem sou porque me quebrei, e sei o que quero porque sobrevivi.

A solidão me afinou como instrumento, hoje toco minha vida com mais harmonia, já não desafino tanto, já não me perco nas notas, sou melodia própria.

Já caminhei em vales escuros, mas minha fé sempre foi farol, mesmo fraca, mesmo trêmula, ela nunca apagou, e é por isso que estou aqui.

Já perdi o chão várias vezes, mas nunca perdi o céu, e é olhando para cima que encontro direção, a fé me orienta.

Já amei quem nunca me viu, já dei demais a quem não merecia, mas aprendi, o amor certo reconhece, e permanece.

Meu corpo já desistiu muitas vezes, mas minha alma nunca. Ela conhece caminhos que a dor não alcança. E quando tudo parece perdido, é ela que me puxa de volta ao fôlego. Esse fôlego é Deus, o resto é sobrevivência.