Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum

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Já caminhei por desertos de silêncio,
onde a esperança se escondeu nas sombras. A vida, em sua frieza, não me ofertou razões para permanecer. O amanhã parece distante, um horizonte que não chama pelo meu nome. E ainda assim, respiro, como quem desafia o vazio. Talvez não haja sentido, talvez nunca tenha havido. Mas sigo, porque até o desespero carrega uma semente de quem insiste em existir.

Seja o farol que ilumina a vida de quem já se tornou parte da escuridão.

Já fui engolido pela sombra da depressão, rendido a desistências repetidas, contudo, aprendi seus segredos. Hoje acendo faróis na noite de outros, ofereço a mão que me foi estendida, sei guiar por atalhos do labirinto onde tantas vezes me perdi.

No breve tempo que me ausentei, ao regressar, percebi que já não era o mesmo. Os sentimentos haviam se esvaído como água entre as mãos, e em meu peito apenas o silêncio se aninhava. Aquele eu que um dia partira, morreu no exílio do tempo e jamais retornaria. Em seu lugar, restou apenas uma sombra errante, um eco de mim mesmo, condenado a habitar a casa, mas nunca mais a pertencer a ela.

O passado não dita meu futuro, apenas mostra o quanto já venci.

Na dúvida, aceitei o engano como professor, reajustei velas e segui adiante, o vento já conhece meu nome.

Já calei rancor por necessidade de seguir, o perdão foi tática e libertação, caminho mais leve por ter largado peso.

As pessoas vivem em modo de sobrevivência, zumbis funcionais, presas a rotinas que já não questionam. São espectros de si mesmas, movem-se, mas não despertam, respiram, mas não vivem.

Já chorei por não entender. Hoje, sorrio por ter sobrevivido.

Já fui tempestade, hoje aprendi a chover com calma.

Já caminhei sozinho, mas nunca sem direção.

Já quis desistir, mas Deus me segurou pelo invisível.

Já tive medo de ser visto, hoje temo não ser verdadeiro.

Já fui ferido por quem dizia me amar, e aprendi a me amar primeiro.

Já chorei de raiva e de gratidão, ambos me fizeram humano.

Já perdi tudo, e ainda assim não perdi a fé.

Já chorei no escuro pra hoje sorrir na luz.

Já fui tempestade, hoje aprendi a chover sem destruir.

Já tive medo de cair, hoje temo não tentar.

Já caminhei pelos abismos cobertos de pedregais, já senti a dor dos espinhos de arbustos insensíveis, com seus galhos já sem vida a muito tempo. Afundei na lama até o pescoço, lutando para respirar e, por um instante, só pude ouvir as batidas lentas e vacilantes do coração... se é que ainda o tinha.