Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum
O Esbarrão
Você descendo as escadas, eu subindo sem pensar,
Você presa ao celular, eu distraído a conversar,
Até que o acaso decidiu nossos caminhos entrelaçar,
E num esbarrão inesperado, fez meu mundo parar.
Nossos olhares se cruzaram por um breve instante,
E algo dentro do meu peito nasceu naquele instante,
Ficamos sem graça, tentando disfarçar,
Mas meu coração, teimoso, começou a te procurar.
Talvez tenha sido o acaso, talvez tenha sido o destino,
Mas naquele simples encontro encontrei algo genuíno,
Entre passos e sorrisos, sem sequer planejar,
Nasceu uma vontade imensa de contigo ficar.
E se aquele esbarrão foi só o começo da história,
Quero guardar para sempre aquela pequena memória,
Porque entre tantas pessoas que eu poderia encontrar,
Foi justamente você quem fez meu coração despertar.
Acesso Negado
Meu coração tem portas que ninguém pode abrir,
Tem segredos guardados que eu nunca quis dividir,
Mas quando você chega, elas começam a ceder,
Como se a única senha fosse simplesmente você.
Já tentei esconder tudo aquilo que senti,
Fingi que não era nada quando olhei para ti,
Mas meu olhar me entrega antes mesmo de falar,
Porque perto de você, não consigo disfarçar.
Se o mundo perguntar, eu vou deixar registrado,
Que em qualquer outro coração, meu acesso é negado,
Mas no seu eu encontrei um lugar para ficar,
E se você permitir, nunca mais quero sair de lá.
Então deixe essa porta aberta, sem medo de amar,
Que eu entro devagarinho, sem querer machucar,
Porque entre tantos caminhos que a vida me deu,
Meu destino encontrou o seu, e o seu encontrou o meu.
Oração poderosa
Quando o fogo dentro de mim parecer se apagar,
eu não fingirei que ainda estou em chamas.
Quando as decepções tentarem me convencer
de que não pertenço mais a lugar algum,
eu me lembrarei de quem eu sou.
Quando minhas feridas gritarem mais alto que minha fé,
eu não usarei uma máscara para escondê-las.
Eu já fui rejeitado.
Já fui ferido.
Já perdi lugares que um dia chamei de casa.
Já corri para outros caminhos tentando calar aquilo
que eu não conseguia enfrentar.
Mas ainda estou aqui.
Mesmo vazio, eu permaneço.
Mesmo cansado, eu permaneço.
Mesmo sem sentir, eu permaneço.
Porque meu fogo não será definido
pelo ambiente em que estou,
nem pelas pessoas que me feriram,
nem pelos lugares que perdi.
Se a chama estiver pequena,
eu a protegerei.
Se estiver quase apagada,
eu procurarei a sua origem.
E se eu não conseguir encontrá-la,
ficarei diante de Deus sem máscaras
e direi:
“Sonda-me.
Mostra-me quem eu me tornei.
Mostra-me o que perdi.
Mostra-me o que ainda vive em mim.”
Não prometo sentir todos os dias.
Não prometo nunca cair.
Não prometo permanecer igual.
Mas prometo não abandonar a verdade
por causa da dor.
A música ainda vive em mim.
A saudade ainda vive em mim.
E se ainda existe uma pequena brasa,
eu não a chamarei de cinzas.
Enquanto houver uma centelha,
eu permanecerei.
Não porque sou forte.
Mas porque ainda estou procurando
Aquele que um dia colocou o fogo em mim.
E enquanto eu respirar,
minha história ainda não terminou.
Se o mundo for um muro,
eu vou atravessar,
Se houver mil barreiras,
não vou desistir,
Pois no parkour da vida,
só quero te amar,
E saltar nos teus braços
até o mundo sumir.
Teu sorriso é impulso pra eu continuar, Teus braços, meu abrigo, meu lugar, Pulo os medos, atravesso a solidão, Faço parkour nas curvas do teu coração.
Eu não te amo.
Senti tua falta por tanto tempo,
mas não te amo.
Chorei, sofri, bebi,
berrei teu nome no vazio.
Eu… provavelmente não te amo.
Procurei outras bocas, outros corpos,
mas nenhuma tinha tua voz, teu cheiro —
nenhuma era você.
Sim… eu te amo.
Não — não amo.
Amei a versão que inventei de ti,
essa que me cabia,
essa que não doía tanto.
E no fim, praguejando,
implorei que voltasse.
Que voltasse ao teu lugar,
a bagunçar meus sentimentos,
a me desfazer por dentro.
Eu realmente não te amo.
Descobri em mim a solidão:
sozinho, não sofro —
mas também não tenho você.
E às vezes choro
pela lembrança rouca da tua voz.
Eu não amo você.
Não quero amar.
Mas amo a falta
que você me faz.
A Morte e Eu
Rio de Janeiro — 23:50
EU
Morte, minh'amiga, escuta o meu clamor,
Leva esta alma que já se desfaz.
Para mim só resta a noite e a dor,
Na escuridão eu busco a minha paz.
Aos teus pés me ponho a caminhar,
Deste sofrimento quero me livrar!
MORTE
Quem roga forte pelo nome meu?
Chamaste até meu longo sobrenome...
Olha a beleza que o tempo me deu,
A minha imagem o teu medo consome.
Não trago a crueldade em minhas mãos de luto,
Eu fui o teu alívio em menos de um minuto.
Eu sou a punição que o traidor desaba,
E a certeza exata em que tudo desaba.
Eu sou o carrasco e a mão mais amiga,
Que no século passado já curará tua intriga.
23:53
EU
Espera... os olhos abro com espanto,
Vejo quão linda és, meu pálido anjo!
A cada passo sinto o teu confronto,
Olho o relógio e vejo que não estou pronto!
Não pode ser o fim do meu estado,
O velho tempo ainda não foi parado!
MORTE
Tu negavas agora o que pediu?
O tempo dos mortais é como um açoite.
Amanhã o meu manto um rei vestiu,
Mas escolhi ser bela na tua noite.
Não temas o fim, sou a certeza real,
E a minha beleza é sempre atemporal.
23:55
EU
Monstro maldito vestido de gala!
Que ostenta o fim como se fosse glória!
Rogo a pior praga da história,
Rasgando as páginas da minha memória!
Te dou meu ouro, as rimas, meu tesouro,
Mas não me leves para esse douro!
MORTE
Tuas moedas já envelheceram no ano que vem,
E os faraós me entregam esse ouro agora.
Nenhum suborno me afasta de alguém,
Pois eu já terminei quando fores embora.
Compreendo o teu ódio, ele o meu peito adorna,
Mas sou o teu alívio, e a minha paz te torna.
23:57
EU
O chão sumiu, já não sinto o meu peso,
A escuridão engoliu o meu ser.
O mundo apaga o que tinha de aceso,
Resta-me apenas chorar e sofrer.
Se eu der um passo em tua direção,
Cessa o mistério e a dor do coração?
MORTE
O teu pranto antigo com o meu véu combinará,
Lágrimas frias que no passado eu sequei.
Tu já tocaste minha mão que virá,
E o frio que sentes foi o calor que eu deixei.
Eu não sou cruel, descanse em meu charme,
Eu gostava do instante em que tentas tocar-me.
23:59
EU
Olho teus olhos... aceito o destino.
Quero partir, dar o fim ao meu pranto,
Mas tremo ao ouvir este som repentino,
Pois temo o mistério além do teu manto.
O que há depois que você me levar?
Tenho medo do além onde vou acordar...
MORTE
Eu abriria o portal, mas não sigo contigo,
O meu papel é só dar a passagem.
O pós-fim é teu, meu assustado amigo,
E cada alma desenha a sua própria viagem.
O que hás de encontrar na eterna morada
Dependeu da expectativa em tua mente guardada.
Tua entrega assustada é a minha canção,
O quadro perfeito da tua transição.
00:00
MORTE
O tempo parou... ou a história começa?
Bati a meia-noite que ontem já deu.
Recolho o meu manto, não tenho mais pressa,
Pois o cortejo mais lindo da noite... foi meu.
Eu dei o meu maior salto rumo ao desconhecido, mas Deus olhou para mim e disse:
“Esse seu salto ainda é muito pequeno diante de onde Eu vejo você chegar. Apenas creia e continue seguindo.”
Bom A vida e feita de altos e baixos,muitas coisa me impressionam, e eu fico aquestionar tão tamanha capacidade de saber driblar as voltas que a vida dá.
Eu fiz minha conta bancária conjunta, conjunta com o que posso gastar e de forma consciente, então faça você também um gasto consciente do seu dinheiro e não gaste mais do que tem.
Um dia, eu descobri que não tinha sido escolhida.
Olhei para a minha vida e percebi que quase sempre era eu quem ia atrás. Eu ligava, procurava, insistia, aceitava menos do que merecia e ainda encontrava motivos para ficar.
E você sabe por quê?
O que faz uma mulher permanecer em um lugar que a machuca, implorando por um amor que deveria ser espontâneo?
Às vezes, não é porque ela ama demais. É porque aprendeu que, para ser amada, precisa se esforçar, agradar e provar o seu valor.
E, sem perceber, ela passa a chamar de amor aquilo que, muitas vezes, é medo de ser abandonada.
Até que um dia ela entende: não precisa convencer ninguém a escolhê-la.
Precisa descobrir por que continua se abandonando para não ser abandonada por outra pessoa.
Bruna Wotkosky
Pensei em um instante da correria,
mas transformando dor em melodias.
Passei a entonar um ar de euforia,
revelando alguns pensamentos de vida.
O tempo passou rápido,
nas esperanças de um mestrado.
Ilusões foram apresentadas,
em uma concordância pré-estipulada.
Viajei para o horizonte,
no chamado de outras linguagens.
Sintonização de mestrias,
cuja as páginas de um livro,
demonstraram um tempo esquecido.
Fiquei sozinho(a) por um instante,
percebendo que somos únicos(as).
E o tempo se mostrou..
Há algum tempo, eu estava me sentindo mal pelo simples fato de ser eu: sozinho, quieto, preso no meu próprio mundo e esquisito.
Saí à rua e, enquanto caminhava pelo centro da cidade, um rapaz ficou me encarando. Susto? Atração? Não sei.
Mas aquilo me fez pensar que talvez eu ainda seja interessante. Que, por trás dessa carcaça velha e cansada de tantas coisas, da política, das pessoas e das mentiras, ainda exista algo que desperte a curiosidade de alguém.
Algo interessante. Ou, quem sabe, assustador.
Para onde quer que eu siga,
sem importar a direção do vento,
meus passos sempre me conduzem
até onde você esteja.
Às vezes me encontro em mar aberto,
à deriva no oceano da minha consciência.
Em outras, sou náufrago em ilha deserta,
rodeado apenas pela maré da saudade.
Mas em nenhuma dessas terras
eu repouso ao seu lado.
Como se o destino, em jogo cruel,
nos afastasse em planos diferentes.
E ainda que eu não creia em destino,
parece que jamais
o universo conspirará
para que sejamos um só horizonte.
Não é a bagunça que você faz ao chegar que me causa medo.
Ela apenas revela o que eu deveria ter organizado antes.
O que pesa é o depois,
o espaço que você deixa,
o vazio que insiste em ficar quando você vai.
Apego Ato 1
Luz sobre ele. Silêncio. Ele respira fundo.)
Que fiz eu…
Que fiz eu, senão tomar mãos humanas
e moldá-las em divindade?
Era carne como eu.
Era falha como eu.
E ainda assim, eu a vesti de eternidade.
Com minhas próprias mãos ergui o trono.
Poli a madeira com expectativas,
revesti-o com promessas que nunca foram ditas,
e a coloquei lá no alto… acima de mim.
(ri, amargo)
E então ousei perguntar por que não me via.
Mas como poderia?
Do alto do altar que construí,
tornei-me chão.
Tornei-me base.
Tornei-me invisível.
Ó coração tolo,
confundiste amor com reverência,
entrega com submissão,
admiração com ausência de si.
Não foi ela quem subiu
fui eu quem me ajoelhei.
(pausa)
Amor…
amor não pede joelhos.
Não exige plateia.
Não se alimenta de distância.
Amor é encontro.
É altura contra altura.
É dois olhares no mesmo nível do céu.
E se hoje sofro…
não é por não ser visto.
É por finalmente enxergar
que fui eu quem construiu a própria sombra.
(Luz se apaga.)
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