Ja Gostei de Vc mais Hj Nao Gosto mais
Às vezes tenho a sensação que as coisas que escrevo tem gosto de dipirona para alguns e sorvete de baunilha para outros.
Gosto de escrever com liberdade no pensamento. Seguir a livre associação. Colocar para fora as angústias pelas palavras.
Ode ao Senhor Tempo
Oh! Tempo!
Como aprecio-te!
Gosto de ter-te nos meus passos,
no meu trilhar o tempo do viver.
Sem pressa e afobação,
a pressa me conturba, me confunde;
a afobação me irrita,
é enervante!
A minha pressa
é a da calma,
do meu tempo
sem tempo apressado.
Oh! Tempo,
meu silencioso companheiro,
gosto de sentir-te nos passos,
marcando o compasso do viver.
Não te quero correndo,
nem arfando nos relógios do mundo.
A pressa me turva,
me dispersa da inteireza.
A afobação grita,
e eu prefiro o sussurro.
Minha pressa
é feita de calma,
é o tempo que caminha
sem se perseguir.
Oh, Tempo,
não te temo,
te cultivo.
Quero-te nos meus passos,
não como urgência,
mas como presença.
A pressa me rouba o sentido,
me embaralha os gestos,
me desencontra de mim.
A afobação não é movimento,
é ruído e caos.
Eu sigo outro ritmo,
a pressa da calma,
esse tempo que não corre,
apenas vive em mim
em versos que correm
no tempo sem pressa
da poesia do viver.
✍©️@MiriamDaCosta
Tem gosto pra tudo
e desgosto pra todos..
O problema começa
quando o gosto se acha lei
e o desgosto, virtude...
✍©️@MiriamDaCosta
Ode aos dias nublados☁️
Eu gosto dos dias cinéreos,
eles me impulsionam à introspecção,
a caminhar com passos lentos
mas decisos nas trilhas d’alma...
Nos dias nublados,
a natureza parece acalmar
os ânimos dos seus elementos ...
as aves se recolhem, a praia se aquieta
e as árvores cochicham em murmúrio baixo...
É como se o mundo inteiro
suspendesse o fôlego
para escutar o próprio silêncio...
E eu,
me deixo envolver por essa pausa,
por essa ternura velada do céu,
onde o cinza não é ausência,
mas presença suave do mistério...
Desde sempre,
há em mim uma reverência silenciosa
por esses dias cinéreos,
eles me distanciam, me protegem
de toda essa superficialidade do mundo
e me guiam à profundeza branda do ser...
Nos dias nublados,
o mundo parece conter o grito,
as cores se retraem,
e o ar, espesso e morno,
me obriga a sentir o peso leve do tempo...
Caminho por dentro,
com passos encharcados de memória,
ouvindo o eco de tudo o que ainda pulsa
sob a penumbra do meu próprio peito...
O céu, coberto,
me lembra que a luz também se recolhe
para curar as feridas da claridade...
Eu gosto dos dias nublados,
eles falam baixo,
como quem entende o silêncio d'alma...
Neles, o tempo desacelera,
as cores se tornam pensamento,
e o céu veste seu manto silente...
Há uma ternura no cinza
que o azul jamais soube expressar...
uma quietude morna,
um convite a repousar
o coração que pensa
e a cabeça que sente...
Nos dias nublados,
eu também me torno bruma,
flutuo entre lembranças e versos,
e encontro abrigo
no colo invisível da terna melancolia
que me acolhe em poesia...
✍©️@MiriamDaCosta
Os meus tempos livres são repletos de sentimentos. Gosto de misturar poesia, música e filmes de terror, como se cada um deles revelasse uma parte diferente de mim.
No entanto, compreendi que o que verdadeiramente me assusta não são os filmes de terror, nem a complexidade da poesia, tampouco aquilo que a música deixa por dizer. O que realmente me inquieta são os meus próprios sentimentos, esses que, por mais que eu tente compreender, ainda não consigo controlar.
Talvez o maior terror não esteja na ficção, mas dentro de nós. Talvez os versos mais difíceis sejam aqueles que o coração escreve em silêncio, e a música mais profunda seja justamente a que nunca encontra voz.
A Pedagogia do Gosto
Ou: por que gostamos do que gostamos antes mesmo de sabermos quem somos?
Você já parou para pensar por que gosta das coisas e das pessoas de que afirma gostar?
Não estou perguntando do que você gosta.
Estou perguntando quem decidiu aquilo que você chama de gosto.
Existe uma diferença abissal entre possuir um gosto e ser possuído por ele.
Talvez a maior ilusão da liberdade seja acreditar que escolhemos aquilo que apenas herdamos.
Antes de escolhermos nossos gostos, eles já nos haviam escolhido.
Eis a tragédia.
A humanidade aprendeu a perguntar “do que você gosta?”, mas esqueceu a única pergunta capaz de desmontar a própria consciência:
“Quem ensinou você a gostar disso?”
Talvez o gosto seja o comportamento mais subestimado da história da humanidade.
Porque ninguém desconfia dele.
Desconfiamos da política.
Da propaganda.
Da religião.
Da mídia.
Da ideologia.
Mas raramente desconfiamos do próprio desejo.
E justamente por isso ele se torna o mecanismo de manipulação mais eficiente já criado.
Afinal…
Quem domina seus desejos nunca precisará dominar você.
Bastará esperar que você caminhe voluntariamente na direção que ele planejou.
É por isso que o senso comum comumente mente.
Ele não mente apenas porque diz coisas falsas.
Ele mente porque faz parecer espontâneo aquilo que foi cuidadosamente aprendido.
Chamamos isso de opinião.
Quando, muitas vezes, é apenas repetição com boa dicção.
Chamamos isso de personalidade.
Quando talvez seja apenas memória social.
Chamamos isso de autenticidade.
Quando frequentemente é apenas imitação bem ensaiada.
Talvez você nunca tenha gostado de muitas das coisas de que diz gostar.
Talvez você apenas tenha aprendido que gostar delas aumentaria suas chances de pertencimento.
O pertencimento tornou-se mais importante que a verdade.
E quando pertencer vale mais do que pensar, pensar torna-se um risco social.
O ser humano não teme apenas ser rejeitado.
Teme descobrir que nunca pertenceu a si mesmo.
Observe uma criança.
Ela pergunta.
Experimenta.
Recusa.
Insiste.
Questiona.
Agora observe um adulto.
Ele confirma.
Repete.
Compartilha.
Defende.
Ataca.
Mas raramente investiga.
A infância possui curiosidade.
A maturidade moderna possui algoritmo.
O algoritmo não cria gostos.
Ele apenas organiza, acelera e recompensa aquilo que você nunca teve coragem de examinar.
Ele transforma tendências em identidade.
Preferências em personalidade.
Consumo em caráter.
E você chama isso de livre-arbítrio.
Talvez nunca tenhamos consumido produtos.
Talvez tenhamos consumido identidades.
Compramos roupas para vestir pertencimento.
Compramos livros para vestir inteligência.
Compramos opiniões para vestir consciência.
Compramos discursos para vestir virtude.
Compramos estilos de vida para esconder a ausência de uma vida própria.
O mercado percebeu aquilo que muitos filósofos ignoraram:
As pessoas compram aquilo que desejam parecer.
Muito antes de comprarem aquilo de que realmente precisam.
Porque o ser humano não consome apenas objetos.
Consome versões imaginárias de si mesmo.
Por isso seguimos pessoas.
Não necessariamente porque admiramos quem elas são.
Mas porque desejamos experimentar quem acreditamos que nos tornaríamos ao imitá-las.
A admiração, muitas vezes, é apenas inveja social sofisticada.
E a inveja, por sua vez, é a confissão silenciosa de uma identidade mal resolvida.
Quem não sabe quem é transforma qualquer referência em destino.
Quem não construiu um interior passa a morar na aprovação alheia.
E quem mora na aprovação dos outros vive despejado de si mesmo.
Talvez seja exatamente por isso que a maioria das pessoas nunca pensa no que pensa.
Porque pensar sobre o pensamento é colocar em julgamento o próprio juiz.
É permitir que a consciência investigue a consciência.
É aceitar que o observador também precise ser observado.
Poucos suportam essa audiência.
Porque ela não acontece diante da sociedade.
Acontece diante da própria verdade.
É muito mais confortável defender uma ideia do que investigar por que precisamos tanto dela.
É muito mais fácil amar um símbolo do que descobrir por que necessitamos desesperadamente dele.
O problema nunca foi gostar.
O problema é nunca ter interrogado o gosto.
Todo gosto não investigado torna-se uma crença disfarçada.
Toda crença não investigada transforma-se em identidade.
Toda identidade não investigada converte-se em prisão.
E a pior prisão é aquela cuja chave carregamos no bolso sem jamais suspeitar de sua existência.
Talvez seja por isso que existam pessoas que mudam de opinião com facilidade.
E outras que defendem opiniões como quem defende a própria sobrevivência.
Porque, para elas, abandonar uma ideia significaria perder quem acreditam ser.
Mas quem depende de uma ideia para existir nunca encontrou a própria identidade.
Encontrou apenas um abrigo psicológico.
Existe uma pergunta que considero mais importante do que todas as outras.
Não é:
“Do que você gosta?”
Nem:
“Quem você ama?”
Muito menos:
“No que você acredita?”
A pergunta é outra.
“Quem seria você se nunca tivesse sido ensinado a gostar do que gosta, admirar quem admira e acreditar no que acredita?”
Se essa pergunta lhe causa desconforto, talvez ela esteja mais próxima da verdade do que todas as respostas que você colecionou até hoje.
Porque a consciência não nasce quando encontramos respostas.
Ela nasce quando finalmente aprendemos a desconfiar das perguntas que nunca fizemos.
E talvez a maior evidência de maturidade não seja pensar diferente da maioria.
Seja pensar diferente de si mesmo, sempre que a verdade exigir.
Meu lema é este:
Quem não pensa no que pensa jamais saberá por que gosta do que gosta; e quem não descobre a origem do próprio gosto dificilmente descobrirá a origem de si mesmo.
Porque o gosto molda escolhas.
As escolhas moldam hábitos.
Os hábitos moldam o caráter.
O caráter molda o destino.
E tudo isso pode ter começado com uma única pergunta que você nunca fez:
“Isso realmente nasceu em mim… ou apenas encontrou em mim um lugar para morar?”
Sou feita do som da chuva, do inverno, do som do mar, do azul do céu e do barulho do vento. Gosto de filmes melancólicos . aprecio a natureza e as trilhas, assim como música e dança. Nem sempre amo a vida, mas luto cada dia para ficar bem."
Cheirinho de café e de terra molhada
Nostalgia tem gosto de infância: fogão a lenha, risada de vó e chuva batendo no telhado.
Conhecer-se a si mesmo é conhecer-se no aprimoramento do gosto, na purificação da inteligência, na maturidade do julgamento, na fecundidade da vontade.
Melancólico
Eu tenho um gosto meio cinza
ando zonza e enjoada.
As vezes escolho ser como as nuvens
ninguém as sente, mas podemos vê-las
e assim, sou eu
Vazia, mas muito densa
as vezes transbordamos e os outros
fazemos sofrer
Mas outras vezes abrimos caminhos
até tarde, ao escurecer.
Então volto a lhe dizer,
ainda sou bastante cinza, e mesmo assim
tem dias que não faço chover.
Queria ser, às vezes
um pouco azul
talvez roxo,
amarelo
e até vermelho.
Mas continuo sendo
Cinza.
Gosto de pessoas decididas. De pessoas com atitudes, que levam adiante seus planos e as suas vontades. Esse negócio de meio termo, já não me satisfaz mais.
Gosto de me afogar na profundidade do que sinto, de permitir que a intensidade me tome por inteiro. Prefiro o risco de me perder na imensidão das minhas próprias emoções do que viver uma vida inteira ancorada na margem, onde as correntes nunca me alcançam.
_Enzo Ruchell_
Beijos
No primeiro beijo sentimos o breve gosto do fim,
tão leve, tão doce e tão intensa
olhos fechados, viagens infinitas, sabor de não vá!
sensação de pertencimento, no engano do querer o saber do momento aventureiro,
nos beijos quentes a saudade grita, no relógio parado o repentino se apresenta e tão rápido quanto chegou os beijos são deixados nas sombras envolventes dos amantes que tão logo se separaram,
uma ida sem volta, com beijos que alimentaram sentimentos, revoltas e deixaram incógnitas.
Eu sinto
O teu abraço, eu quero,
os teus beijos, eu gosto,
o teu amor, eu desejo,
a saudade de nós, eu sinto.
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