Ja Gostei de Vc mais Hj Nao Gosto mais
POESIA:
POETA SEM COR, PALAVRAS MARROM.
By: Harley Kernner
Muitos gostam do marrom do café, do chocolate que adoça a boca amarga do dia, mas torcem o nariz para as palavras marrom de um poeta sem cor, socialmente falando.
Sou Harley Kernner o poeta sem cor.
Não me deram aquarela para nascer, me deram barro, poeira, chão batido.
Minha tinta é a cor da vala, da enxada, do sol de meio-dia na nuca.
Escrevo com a cor que não entra em galeria:
o marrom da marmita fria,
do pé descalço, da carteira vazia.
Dizem que poeta tem que ser azul, cor de céu, de mar, de coisa leve.
Mas meu verso é marrom de terra seca, marrom de madeira que range no barraco, marrom de cicatriz que nunca vira poema em sarau chique.
São muitos que gostam do marrom do café, mas não engolem o marrom da minha pele quando ele vira verbo, quando ele grita, quando ele denuncia.
Quer o marrom gourmet, não o marrom da fome.
Quer o marrom do luxo, não o marrom do lodo.
Socialmente falando, apagaram o nome e me deram um número, um dado, uma estatística.
Mas insisto: sou poeta.
E minhas palavras são marrom
porque nascem da raiz,
porque não negam o chão que pisa,
porque carregam o peso de quem nunca teve asa, só enxada, só calo, só luta.
Então leia. Mesmo que arda.
Porque o poeta sem cor escreve para quem nunca teve voz.
E o marrom, meu amigo, é a cor mais honesta que existe: é a cor de quem resiste.
Harley Kernner.
Arquitetura de Poesias e Crônicas.
Escritor Particular .
POESIA:
QUEM ME DERA… SER RAPTADO POR TI.
BY: Harley Kernner
Às vezes, sinto uma vontade suave de fugir e ir morar junto às estrelas durante o dia; à noite, caminhar sob a luz do sol e aquecer-me no calor desse amor — um sentimento que me envolve devagar, com um desejo tão profundo que nem sei explicar. Ele rompe o silêncio do universo só para revelar o som dos nossos corações: mudos para o mundo, mas que se amam na verdade do ser, na nudez da alma e com toda a pureza de quem se entrega sem reservas.
Quem dera fosse eu raptado por esse amor que desenha em meu peito um carinho que não tem fim…
Já que não queres levar-me contigo e prender-me para sempre em teus beijos, permite-me ao menos sonhar nos teus braços, tocar com o beijo a essência da tua alma e respirar o teu perfume até adormecer no aconchego do teu colo.
— Por favor, vem logo raptar-me, levar-me contigo e guardar-me no cárcere do teu coração… Quem dera que fosse hoje!
Harley Kernner
Arquitetura de Poesias e Crônicas
Escritor Particular
UMA CRÔNICA DO COTIDIANO:
Título: CADÊ VOCÊ?
BY: Harley Kernner
Era uma vez, ou melhor, é sempre assim: a mesa de café, as xícaras fumegantes, o pão na chapa. Coisas simples que ganham outro sabor quando você está por perto.
E aqui estou eu mais uma vez, sentado numa cadeira, e as outras estão vazias hoje parecem gritarem por companhia. Não é só um lugar vago; é um pedaço da manhã que falta, um eco de risadas que não se ouve. Lembro dos amanhecer, quando o mundo acorda e a gente desvendava um "BOM DIA" da vida em conversas saudaveis. Seus conselhos, às vezes duros, mas sempre certeiros, são como um farol. E as risadas? Ah, essas preenchem os corredores da casa, e da minha alma. Não é uma risada qualquer; mas daquelas que a gente guarda na memória, como um tesouro.
Quando você some, não é uma ausência comum. É um sumiço que aperta, que faz um nó na garganta. que doe no peito. A gente se pega olhando o celular a cada cinco minutos, esperando uma mensagem, um sinal. "Será que está tudo bem?" A pergunta martela, insistente. Não é só saudade, é uma preocupação genuína, daquelas que só uma amizade de verdade provoca.
Nossa amizade não veio com manual, nem com data marcada. Aconteceu, simplesmente. Um encontro despretensioso em alguma esquina da vida, e de repente, você tornou-se parte essencial. Uma joia incrível e crível, dessas que a gente não procura, mas encontra e não quer perder jamais. Firme como a verdade que não precisa de enfeites, e surpreendente como o sol que sempre volta, mesmo depois da tempestade mais feia.
Harley Kernner
Arquitetura de Poesias e Crônicas
Escritor Particular
FELIZ ANIVERSÁRIO, DE UMA PERFEIÇÃO DE DEUS!
By: Harley Kernner
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És Mulher, obra-prima da criação divina,
Grandeza singular, beleza sublime.
Como o pôr do sol, que nos arrebata,
Você é uma visão de encanto e graça.
Sua imponência é um reflexo da glória de Deus,
Uma autoridade no lar, um amor que não finda.
Descrever sua essência é um desafio, somente o seu criador sabe fazer justiça à sua beleza.
Você é: uma amiga especial, filha, esposa, e excelente profissional em tudo que faz.
Uma mulher multifacetada rica em sabedoria, cheia de amor e luz divina.
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Em todas as situações, você é uma perfeição, obra das mãos de Deus.
Um presente de Deus, um tesouro precioso, para todos os que, amam e te respeitam.
Neste dia especial, quero homenagear-te, por ser você guerreira, e serva de Deus, em todas as circunstâncias.
Você é uma joia rara, um diamante precioso,
uma bênção de Deus, com um amor infindável.
Que o amor de Deus esteja sempre presente em sua vida,
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Que Ele te abençoe e te guarde, que faça resplandecer Seu rosto sobre você.
Que você sinta a paz e a alegria que vem de Deus,
E que sua vida seja um reflexo da Sua glória.
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Parabéns, para você: "a menina dos olhos de Deus"
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Harley Kernner
Arquitetura de Poesias
Escritor Particular
Poeta Sem Livro
CRÔNICA:
FOI AS LÁGRIMAS QUE ESCREVERAM.
BY: Harley Kernner
REFLEXÃO:
Se tudos os casais, quando fossem se separar, tivessem uma noite de despedida assim, haveria menos divórcios.
Tem gente que vai embora devagar só para ver se a gente solicita para ficar. E tem gente que solicita para ficar só mais um pouco antes de ir embora de vez.
Sou do segundo tipo. Do tipo que sabe ler o fim escrito no jeito que você arruma a mala. Que entende que quando o “a gente” vira “eu” e “você” na mesma frase, já não tem volta. Mas mesmo assim, negocia com o tempo.
Não é orgulho que me faz calar quando você diz que não me ama mais. É entendimento. Crescer dói e às vezes a gente cresce para longe de quem ajudou a gente a ficar de pé. Você foi. Eu fiquei. E tudo bem. Só não vai ainda.
Tem despedida que a gente solicita para demorar. Só para guardar direito.
Quero uma noite que não seja sobre colocar ponto final. Quero que seja sobre reticências. Sobre a gente fingir que o amor só tirou férias e não mudou de país. Quero sua pele dizendo que lembra da minha, mesmo que sua boca já tenha ensaiado outro nome.
Porque amanhã o sol nasce e você não está. E depois de amanhã também não. No dia seguinte, eu vou ter que aprender que saudade é o nome que a gente dá para casa quando o morador se muda. Vou sentir tua falta mais do que ontem. E ontem eu já não dormi direito.
Se um dia o amor resolver me visitar de novo, vai ter o teu rosto. Vai ter o teu jeito de bagunçar meu cabelo e minha vida. Porque tem gente que não vai embora. Só muda de cômodo na gente e fecha a porta.
Por isso solicito: fica só mais essa noite. Deixa eu te decorar. Deixa eu guardar teu cheiro no bolso esquerdo da camisa, perto de onde você morou tanto tempo.
Não foi a caneta que escreveu essa despedida. Foi as lágrimas que escreveram. E elas não sabem mentir.
Harley Kernner.
Arquitetura de Poesias e Crônicas
O ABRAÇO QUE É TODO SEU.
BY: Harley Kernner
Te abraçar… é como se eu me embrulhasse inteiro, e fizesse de mim um presente só para você.
É o momento em que capricho em ser seu,
todo seu — sem sobrar nada de mim para o mundo.
Esse abraço não é sobre mim,
não é o meu desejo que nele mora.
É sobre você: sobre como você me acolhe, me segura, me conforta quando estou à sua frente
e me sinto esmagado… mas esmagado de carinho.
Talvez, para você, seja também igualdade:
um dar e receber que se encontram no mesmo ponto.
Mas uma coisa eu sei, e ninguém me faz mudar de ideia: ninguém, em toda a minha vida, me abraçou como você.
Ele muda o rumo das nossas respirações,
desliza devagar, bem de leve, pelo pescoço,
e termina com um friozinho bom na barriga,
daqueles que a gente nunca quer que passe.
Começa com uma aflição doce, saudável,
como quem tem pressa de estar mais perto,
mas logo vamos devagarinho…
suspirando pouco a pouco,
num ritmo que é nosso só:
compassado, sereno, harmonioso,
até que a nossa respiração se acalma,
e vira uma só, dentro do mesmo abraço.
Te abraçar foi para mim,
mais do que uma experiência,
foi como viajar dentro da sua alma,
de mãos dadas com o seu coração.
Harley Kernner.
Arquitetura de Poesias e Crônicas.
A NOITE ME ENSINOU TE AMAR NO SILÊNCIO.
BY: Harley Kernner
A noite me ensinou a te amar no silêncio,
pois na calada dela não existe risco de rejeição.
E quando a solidão desce com a escuridão,
é nela que aprendi a te amar só minha —
inteiramente minha, e de mais ninguém.
A noite me ensinou a te amar na distância,
porque é ela que cobre o espaço entre nós
e protege meu coração de toda a dor.
Aprendi a te beijar pelo vento frio da madrugadas, onde minhas lágrimas molham nossos lábios.
Vento frio que passa leve entre as árvores,
muito mais suave do que meus lábios cheios de desejo.
E foi nessas noites que descobri o melhor jeito de te ter, mesmo sozinho ainda que venho a morrer.
Aprendi a te abraçando forte dentro dos meus sonhos, onde o tempo não corre, onde nada muda,
e onde você, meu amor, nunca, nunca vai embora.
E quando o sol finalmente rasgar o céu,
e a luz nos obrigar a abrir os olhos para a verdade,
não olhe para trás, nem pare para ver o meu chão desabar.
Vá devagar, mas vá…
Deixo com você o melhor de mim,
levo comigo tudo o que você me ensinou a ser.
Não foi ódio que nos separou, foi só o tempo,
e isso nos deixa em paz, mesmo com o coração partido.
A manhã quando o sol finalmente rasgar o céu,
e a luz nos convidar a abrir os olhos para a verdade, não olhe para o lado, nem pense em se afastar…venha devagar, mas venha.
Guardo com você o melhor de mim,
e levo comigo tudo o que você me ensinou a ser.
Não foi o tempo que nos separou, foi ele que nos uniu,
e isso nos deixa em paz, com o coração inteiro.
Abro a porta sem barulho, para deixar entrar a saudade boa,
e fico aqui esperando, ouvindo o som dos seus passos se aproximando.
Na noite passada foi o nosso jeito bonito de selar o que é nosso: amando até o último segundo, para que a nossa história nunca termine, não com um ponto final, mas com continuidade…daquilo que somos, e que para sempre seremos.
Harley Kernner.
Arquitetura de Poesias e Crônicas.
POR QUE ESCREVO!
BY: Harley Kernner
Escrevo porque trago em mim o DNA do maior e eterno poeta, dono da minha alma.
Escrevo porque nasci para divulgar o amor e para amar, ainda que não seja correspondido.
A razão de tantas orações poéticas existirem é que, por muitas noites, o amor dormiu ao meu lado.
Escrevo porque um dia o ladrão de sonhos roubou o meu amor.
Escrevo também por gratidão: pois Deus é especialista em ressuscitar sonhos.
Disseram que a alma de um poeta é um universo sensível:
que sente o que os olhos não veem, que escuta o silêncio,
que transforma dor, amor e sonho em versos que tocam o coração.
É verdade. Mas não é uma escolha é um resultado.
É o fruto da dor que também gera amor.
Aprendi com Jesus: quando esteve na cruz, ferido pela raiva e pelo rancor da multidão,
nos entregou uma das poesias mais lindas da humanidade:
“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”
Mesmo desprezado, escreveu com sangue o maior verso de compaixão e misericórdia que o mundo já conheceu.
Eu aprendi com Ele.
Minhas lágrimas não caem à toa; minhas dores não são desperdício.
Elas se transformam em poesias e crônicas:
são sementes que choram na terra, são noites de sonhos que pareciam perdidos.
E toda semente que chora, um dia floresce em felicidade.
Por isso escrevo:
para eternizar o que seria passageiro,
para mostrar beleza no que é simples,
para lembrar que da cruz também brota vida.
Harley Kernner
Arquitetura de Poesias e Crônicas
O SEU ROSTO É A EXPRESSÃO DE UM LINDO DIA. By Harley Kernner
É impossível ver um dia tão belo e não sorrir…
É inevitável encontrar uma rosa e não lembrar do amor…
Mas o que realmente me desafia
é olhar para você e conseguir calar o que o meu coração diz!
Você e a rosa têm o mesmo encanto,
lindos como o próprio amor,
são perfumes suaves que conquistam corações,
trazem luz, alegria e inspiração a este seu amigo poeta.
Sinto-me tão feliz ao ver o seu sorriso,
ao conhecer esse seu jeito doce, meigo e único de ser.
Você e a rosa são igualmente belas,
mas há uma diferença que o tempo não pode apagar:
a rosa desabrocha, encanta, e logo com o tempo desvanece…
Você, porém, permanece e será para sempre eterna,
pois carrega a presença de Cristo dentro do seu coração!
Harley Kernner.
Arquitetura de: Poesias e Crônicas.
VIDA E LINGUAGEM DO BEIJO
By: Harley Kernner
Na minha arquitetura de poesias, trago à tona a vida que habita os meus sonhos e devaneios. Nessa arte que é escrever, misturo elementos rústicos a outros estilos, o moderno, o clássico para construir um equilíbrio visual e um universo único, capaz de emocionar o próprio coração que o cria.
E hoje, me emocionei ao sentir saudade dos beijos que me fizeram viver.
O beijo é algo que possui alma e vida própria, movido por sentimentos que transcendem qualquer matéria. É uma expressão profunda de afeto e conexão, símbolo de amor, desejo ou amizade. Carrega em si a força de transmitir emoções intensas da paixão avassaladora à mais doce intimidade e tem o poder de criar memórias que nunca se apagam. Eis a razão dessa saudade que hoje me visita!
A emoção de um beijo nos conduz a um estado de vulnerabilidade e entrega, fortalecendo os laços que nos unem e, por vezes, revelando verdades que nenhuma palavra, verbo ou idioma seria capaz de traduzir.
Até onde nos levará essa emoção, que não obedece a limites nem sinais? Creio que depende sempre da relação e do momento. Porque quando o beijo nasce de sentimentos verdadeiros e recíprocos, ele ganha vida. Nesse instante de encontro, transcende o simples toque físico e se transforma numa experiência que vai muito além da matéria: é como se ele carregasse uma energia capaz de despertar o que há de mais profundo em nós, alinhando o que sentimos por dentro com o que expressamos por fora.
O beijo torna-se, então, um portal para os sonhos. Ao tocar os lábios de quem amamos, somos transportados a um espaço onde o tempo parece parar, e cada sensação se amplia, tornando-se mais viva. É como se, por um breve momento, pudéssemos tocar o infinito, navegando entre o que é real e as fantasias que guardamos no peito.
Essa fusão de sentimentos nos leva a uma realidade paralela, onde nossos desejos mais íntimos e a beleza de compartilhar o amor nos elevam a um estado de puro êxtase.
Sinto como se o beijo, por si só, também sonhasse e falasse juntamente conosco — moldando nossos desejos, alimentando nossas esperanças e desenhando dias felizes onde o amor é a única lei.
Harley Kernner
Narrador, “Personagem”, “Onisciente”
De Sua Própria Vida
Escritor Particular no Anonimato
POESIA:
PERFIL DE DOIS AMORES DISTINTOS. BY: Harley Kernner
ELA!
Seu amor é como um vestido de seda, que desliza suave, sem pressa, sem pressão.
É como um vinho envelhecido em adega, de sabor refinado, cheio de emoção.
É a luz de um candelabro antigo, que ilumina com brilho calmo e nobre.
Palavras escolhidas, gestos precisos, cada detalhe, um cuidado que cobre.
É arte que se aprecia gradualmente, beleza que não grita, mas encanta.
É a harmonia de uma melodia suave, que no coração, para sempre se planta.
Igualmente à elegância que mora no sentir, ternura com classe e requinte.
O amor dela é poesia em cada instante, profundo, leve e infinitamente distinto do amor masculino.
EU!
Meu amor não tem roupas caras nem palavras estudadas, é feito de mãos calejadas e olhares que dizem tudo.
É arte extraída de um coração semianalfabeto e iletrado no amor.
Não sabe de regras, de modos ou de formas, mas sabe estar presente, firme e seguro.
É como a terra que segura a árvore, ou o vento que sopra sem se mostrar.
Não tem brilho de joias ou luzes de salão, mas tem força que nunca se acaba em meio às provações.
Falo o que penso, sem enfeitar a voz, faço o que sinto, sem medo de errar.
Meu carinho é um abraço apertado, um café quente, um ombro de apoio.
Não sou de promessas bonitas ou juras ensaiadas, sou de ações que falam mais do que qualquer frase.
Amor que é raiz, que cresce devagar, simples, forte e, para sempre, inteiro e capaz: renova-se a cada amanhecer.
Harley Kernner
Arquitetura de Poesias e Crônicas
Escritor Particular
POESIA
ORAÇÕES NO DESERTO.
BY: Harley Kernner
Três décadas de uma história sólida,
de um amor que desenhamos para ser eterno.
Então, os desvios humanos mudaram o roteiro.
Uma espécie de loucura sutil, fantasiada de razão, fraturou a nossa maturidade.
Escolhas erradas, que pareciam saídas abriram um portal inesperado, arremessando-me na vastidão de um deserto.
Houve dias em que o céu se recusou a falar, e o tempo parecia estagnado.
Foi nesse vazio que aprendi a decifrar o teu silêncio a casa do oleiro.
Muitas vezes orei sem palavras;
meu pranto misturou-se ao calor da areia quente, molhando assim as minhas lágrimas,
e foi exatamente ali, na escassez,
que que percebi, que tu estava aqui,Jesus.
Estou sobrevivendo onde os ribeiros secaram,
mas a Tua presença permanece intacta.
Passo noites imensas, a sós,
escondido em um oceano de relevos áridos,
suportando o frio cortante do abandono
e o sol escaldante que leva a minha alma a soar.
Ainda assim, Teu olhar me alcançou.
Dias que caminhei sem forças, com a fé tateando o fim,
mas um sussurro interno insistia que valia a pena resistir.
Pois nesta vida, até os nossos escombros nos amadurecem.
E embora a areia queimasse meus joelhos,
calejados por tantas orações, minha alma negou-se a ceder.
Estar no deserto não é um decreto de morte.
A sede de vencer me empurrou para mais perto de Ti Senhor.
Da rocha mais estéril e esquecida, tu fizeste brotar um manancial.
Onde os olhos humanos só enxergavam sequidão,
Deus fez romper águas vivas de esperança eterna.
Harley Kernner.
Arquitetura de Poesias e Crônicas.
A CARTA
BY: Harley Kernner
Ei, você ainda está aí? Seus braços ainda estão livres para me abraçar?
Eu tentei também buscar na sua prateleira de palavras bonitas, aquelas que você coleciona. Percorri mentalmente cada termo que já ouvi, li e decorei: as brandas, as intensas, as dramáticas, as sábias, as poéticas e as quase poéticas… Tentei usar aquelas que explicam, as que imploram e até as que tentam silenciar a dor do am
E descobri, na hora mais cruel, que palavras são inúteis quando o coração do outro já decidiu partir. E você tinha decidido ir. Não por falta de afeto, mas por excesso de lucidez. Porque tem gente que vai embora não porque não sente, mas porque sentiu demais e onde havia tanto sentimento, não havia mais espaço para você.
Eu poderia ter dito: “Fica!”. Poderia ter inventado um discurso digno de prêmio, usado vírgulas calculadas, metáforas impecáveis e aquele tipo de sinceridade que só chega quando já não resolve nada. Mas você não ficaria. Nem com “amor”, nem com “perdão”, nem com “eu mudo”, nem com todas as mais de 380 mil palavras alinhadas como soldados diante de uma guerra já perdida.
É estranho como o idioma falha de forma tão humana. As palavras servem para quase tudo, menos para impedir alguém de ir embora. Lidar com isso é quase como descobrir que as chaves não abrem todas as portas, que o tempo não cura todos os ferimentos e que nem todo sentimento pode ser dito, por mais que a gramática permita.
Percebi tarde demais que o seu silêncio agora me diz coisas que nenhum texto conseguiria contradizer. E, às vezes, o adeus não vem em voz alta: ele vem no jeito que você desvia o olhar, no jeito que arruma os óculos devagar, ou no respirar de quem já está longe, mesmo estando perto.
No fim, restou apenas essa constatação incômoda: com mais de 380 mil palavras no dicionário, eu não encontrei nenhuma capaz de mantê-lo ao meu lado. E talvez essa seja a parte mais humana e mais triste da língua portuguesa: ela explica o que sentimos, mas não pode salvar o que perdemos.
Mesmo assim, eu acredito que, na sua prateleira de palavras bonitas, ainda existe um verso que diz: “Sempre vou te esperar”.
Harley Kernner
Arquitetura de Poesias e Crônicas
Enquanto os mortos são homenageados.
Os vivos permanecem sendo negligenciados, para que após sua morte, recebam o devido reconhecimento de maneira póstuma.
Na vida é importante...
Ser sincero, sem ser grosseiro.
Ser respeitoso, sem ser bajulador.
Ser divertido, sem ser ridículo.
Ser tolerante, sem ser tolo.
Ser exigente, sem ser tirano.
Ser tranquilo, sem ser inerte.
Ser exemplar, sem ser arrogante.
Ser espontâneo, sem ser inconveniente.
Ser racional, sem ser nocivo.
Ser metódico, sem ser obcecado.
Ser gente, com humanidade!
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