Ja Chorei de tanto Rir
A morte do poeta é como um sopro na escuridão que quebra o silêncio da luz, e traduz tudo que nada diz...
(Saul Beleza)
Através desses teus olhos, você me vê da forma que lhe convém. Mas se fechar os olhos, além de me ver lá no fundo da alma, vai sentir a mimha dor, por não te enxergar com os olhos que te merece.
(Saul Beleza)
*Estacionado no teu passo*
Até quando você vai viver na minha loucura?
A saudade grita baixinho dentro do peito,
os pensamentos pegam estrada sem mim,
e eu...
eu fico aqui.
Estacionado no teu passo.
Não consigo seguir em frente,
não posso recuar.
Só espero o vento assoprar e levar
o que ainda dói,
e deixar o que ainda ama.
Talvez um dia eu aprenda
a desligar o motor,
sair desse ponto
e caminhar com as minhas próprias pernas.
Mas hoje...
hoje a saudade ainda é o timoneiro.
(Saul Beleza)
*Último brinde*
Te convido.
Nem que seja para um último brinde.
Levantamos as taças, sem esquecer do contato visual,
não pelos "e se",
mas pelos "foi bom enquanto foi".
Brindo à tua risada,
ao teu jeito de bagunçar meu silêncio,
à loucura boa que você deixou morar em mim.
Que esse brinde feche a porta
sem bater,
e abra janela
pra eu ver lá fora de novo.
Saúde.
À nós que fomos.
À mim que sigo.
(Saul Beleza)
*Preparando o jardim*
Chegou a hora.
De enxada na mão e coração em paz.
Vou preparar o jardim
pra receber uma nova flor.
A outra...
foi plantada com água e reza.
Mas não floriu.
Só nasceu espinhos
a ferir dedo,
e furar a esperança.
Vou tirar os espinhos com calma.
Um por um.
Sem raiva.
Só com cuidado de quem aprendeu.
E nesse chão limpo,
vou plantar de novo.
Dessa vez não espero milagre.
Espero tempo, sol,
e flor que queira ficar.
(Saul Beleza)
*Limpano o quintar*
Chegô a hora, fio.
Tem que carpir o quintar
pra brotá flô nova.
A que eu prantei cuma fé danada
num quis dá flô.
Só deu espin
pra rasgá minha mão.
Mais num tem reiva não.
Vou tirá um por um,
adubá a terra
e esperá no tempo do Pai.
Que dessa vez venha
uma flôzinha pra mode ficá.
(Saul Beleza)
*Conselho de vó*
Óia, meu fi...
Jardim bom é que nem coração.
Tem que capiná todo dia,
tirar mato ruim,
dar água na hora certa
e num dexá espinho criá raiz.
Se a flor num quis vingá,
paciência.
Terra boa num falto.
Sol num escondeu não.
O que num pode é você
ficá segurano toco
que só te fura.
Deixa a vida passá,
aduba de novo
e espera.
Que flô que é pra ficá,
ela fica.
E se num ficá,
a gente pranta outra
e vai reza.
(Saul Beleza)
*Saudade na Madrugada*
Essa madrugada judiou do meu coração,
na cama sobra espaço e no peito solidão.
Não senti o peso leve da tua cabeça,
nem o cafezinho nosso que a alvorada aquece.
Vem, fica... num me deixa assim não.
Sem você o corpo esfria, a casa é só um porão.
Madrugada amiga, leva esse pedido:
que ela volte e o vazio seja preenchido.
(Saul Beleza)
*Louca Madrugada*
É na noite que dorme e na madrugada que é curta,
que meus pensamentos em ti são longos e tortos.
O travesseiro molha, o relógio não anda,
e o coração insiste em te chamar.
Todo mundo descansa, menos a saudade,
ela fica acordada fazendo amizade.
Com lembrança, com dor, com o que ficou pra trás,
e eu conto estrela até clarear.
(Saul Beleza)
*Loucura Sensata*
Dentro dessa minha loucura toda,
a sensatez me cobra e nada me acomoda.
Me pede uma loucura menos responsável,
de amar você mesmo sendo inviável.
O juízo diz pra ir, pra largar, pra esquecer,
mas o peito teima e quer te querer.
É amar com o freio, amar com dor,
amar sabendo que não tem futuro, a não ser o presente.
(Saul Beleza)
*Turma do último gole*
Sou da turma do último gole,
que seca o copo e divide a sede.
Da última briga, mas também do abraço,
que perdoa e refaz o laço.
Sou do último pedaço de pão,
que reparte mesmo com fome no coração.
E do primeiro beijo, trêmulo e certo,
aquele que marca e fica pra sempre aberto.
Num tenho muito, mas o que tenho é inteiro:
lealdade, palavra e amor verdadeiro.
(Saul Beleza,)
*Nossa Turma*
Sou da turma do Caicó, do Bié e do Pato,
do Bananinha que riem até no aperto e no trato.
Do Neguinho firme, do Bié Filho na prosa,
gente que divide o pão e nunca deixa à toa.
Sou da turma do último gole, da última briga,
do último pedaço de pão na mesa amiga.
E do primeiro beijo, que a gente nunca esquece,
porque quem ama de verdade, permanece.
Tem uns que já foram, mas vivem na lembrança:
Luiz César, Vanytur... eterna aliança.
In memória, mas presentes no meu peito,
porque amizade raiz não morre, faz efeito.
Essa é minha turma. Pouco luxo, muito valor.
Gente de palavra, de riso e de dor.
(Saul Beleza,)
*Passo na porta da tua casa aqui,*
*só vejos folhas pelo chão.*
O vento levou o que a gente vivia,
mas deixou perfume na calçada e no coração.
É daquelas passadas que a gente dá devagar...
Olhando a janela, lembrando do riso,
pisando nas folhas secas que ainda guardam
o eco do "fica mais um pouco.
(Saul Beleza)
*A Chave que liberta*
Tem que estudar, minha filha.
Tem que estudar.
Porque a única chave
que te liberta de verdade
é o estudo.
Não é dinheiro que abre porta.
Não é sorte que arromba grade.
É livro, é caderno, é madrugada.
É lápis gasto e cabeça erguida.
Estuda pra ninguém te calar.
Estuda pra escolher teu caminho.
Estuda pra quando o mundo apertar,
você ter a chave no bolso...
e abrir qualquer portão.
O estudo, e o saber ninguém tira de você.
(Saul Beleza)
*Até Breve, Divarde*
(Xodó da Vó Ana)
Descansa em paz, meu primo, tio, irmão *Edward*
O nosso Divarde.
Foi bom esposo,
foi pai, foi avô,
foi tio, foi primo e irmão.
Foi tudo pra gente numa vida só.
A vida segue...
mas a tua saudade fica.
Fica na mesa vazia,
fica na história contada,
fica no nome que a gente repete com carinho.
Até breve, Divarde.
Que lá no céu você continue
espiando a gente com orgulho,
cuidando da família como sempre cuidou.
(Saul Beleza)
*"O tempo do perdão"*
Algumas traições vão tão fundo
que o perdão deixa de existir como opção.
Hoje.
Mas o tempo é rio, e rio não para.
Ele leva, ele lava, ele transforma pedra em areia.
Essa dor que agora pesa e sufoca
um dia vai ficar menor.
Não porque esqueceu.
Mas porque você ficou maior que ela.
E o perdão...
o perdão pode caber a qualquer momento.
Não por ele.
Por você.
Quando o peito cansar de carregar
e quiser espaço pra respirar de novo.
(Saul Beleza)
"Cegueira"*
Teu olhar vai buscar distante
o que tens aqui,
mas você não percebe.
Se esses teus olhos
prestassem atenção no meu olhar,
saberia o quanto
meus olhos te desejam.
Eles te chamam baixinho
em cada esquina do dia.
Eles guardam teu nome
no fundo da pupila.
Mas você procura em outro lugar
o que teima em ficar bem aqui.
Mesmo que de soslaio...e calado.
(Saul Beleza
*Se um dia a gente se encontrar de novo, o meu amor vai estar igual. Só mais vivido. E se não, ele continua aqui, sem envelhecer.*
(Saul Beleza)
A lei do retorno foi escrita pelo universo e carimbada pelas mãos de Deus, por isso é tão perfeita e justa.
