Ja Chorei de tanto Rir

Cerca de 183172 frases e pensamentos: Ja Chorei de tanto Rir

SONHO DE AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Essa lua já foi o nosso lustre;
seus luares banharam nossos olhos,
deram luz às promessas hoje turvas
entre as curvas incertas da saudade...
Muitas noites teceram fantasias
das mais belas verdades provisórias;
uma colcha de sonhos momentâneos
numa história com tons de para sempre...
Foram tantas as nossas madrugadas
de suave cansaço e rendição
à canção de ninar da natureza...
Fomos raios de sol; de renascença;
uma crença ilusória no amanhã
que já veio embalado pra ser ontem...

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DNA LITERÁRIO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Nestes tempos em que parece que tudo já foi dito e feito, é bom tomarmos muito cuidado com as nossas ideias originalmente "geniais"... e até que se prove o contrário, originais. Como temos as facilidades da web, não custa nada pesquisarmos para saber se alguém já não teve as mesmas ideias.
Bem recentemente aconteceu comigo algo meio frustrante: compus um texto inicialmente "genial", na minha secreta opinião, pela suposta originalidade na construção vertiginosa do mesmo. Feliz da vida, mas responsável, decidi pesquisar. Não demorei a me surpreender com a constatação de que o texto, embora fosse original na escrita, ou na redação, tinha o mesmo engenho de um poema já famoso. Não houve plágio nem cópia, mas a construção de minha escrita fazia lembrar o poema famoso do qual estava esquecido havia tempo... mas habitava o meu inconsciente.
Ler ambos os textos era como ouvir as músicas Esqueça, de Roberto Carlos, e Pense em mim, gravada pela dupla sertaneja Leandro e Leonardo. Ou assistir ao clássico mundial O mágico de Oz e à minissérie brasileira Hoje é dia de Maria. À eterna escolinha do Chaves e a também eterna escolinha do Professor Raimundo. Cada qual com seu texto e construção; recursos universais. Sem cópias ou plágios; porém, todos bebendo em fontes parecidas. Pondo carnes diferentes em esqueletos semelhantes.
Pela consciência de não ter copiado nem cometido plágio, publiquei o texto. No entanto, me senti mal. Desconfortável. Não demorei a retirar. Devo desconstruí-lo, tirar da forma em comum, reconstruí-lo e criar um esqueleto próprio para suas carnes. Toda alma reclama um corpo seu. Somente seu.

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PASSO A VELA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já não corro ao encontro do que sonho,
pois deixei de correr, me planto em mim,
ponho toda esperança nos meus tachos,
feito ebó numa velha encruzilhada...
Minhas pressas pediram sombra e rede;
minha sêde se mata nos meus mucos,
tenho sucos guardados na gastrite
que por ora deixou de ser nervosa...
Decidi abraçar as incertezas,
dispensar as verdades congeladas,
dar ao nada o sabor de não saber...
Quando quero tomar meu passo a vela,
sou a tela em meu quarto já minguante;
paraíso distante na parede...

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VIDA POR VIDA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já não gasto meu lume com gente sombria;
que resvala, ressente, mais mia que fala;
tem os olhos de ocaso e semblante contrito
como quem nunca sai da masmorra que leva...
Não vou mais à procura de gente sem cor,
passageira da dor que por vezes nem há,
resguardada e que nunca se confessa bem,
porque teme que o riso a denuncie fútil...
Afinal me cansei dessa gente remosa,
pesarosa e com ares de pura mortalha;
tem um luto constante, uma nobreza fria...
Quero gente mais viva, menos recolhida,
dou a vida por vida e negocio sonhos
que não cedem ao peso dos que nunca dormem...

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AMOR E RANCOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já não tens o sorriso que achavas em mim
e depois refletias pra tudo em redor,
teu olhar é só dor dessa perda sem volta
e teu lábio a revolta que ficou do adeus...
Hoje tens um sabor de amargura sem fim
que semeias no cheiro das tuas palavras,
feito pedra no rim que te faz espremer
cada gesto entre buscas de momentos mortos...
E por isso me odeias com tamanho amor,
com um senso de humor que amaldiçoa o mundo,
pois não sabe acender uma luz no semblante...
Sempre voltas pra mim em delírios ocultos,
colhes vultos de outrora e mergulhas em ti,
mas te perdes no chão que se abre aos teus pés...

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SONETO SOCRÁTICO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Se morri toda morte que se morre,
já vivi cada vida que se tem,
ou de cada bebida o justo porre;
todo mal, se por mal ou se por bem...

Fui além do infinito, após além,
por amor fui mocinho em Love Story,
odiei, fiz a guerra, paz também,
mas ninguém me condene ou condecore...

Sou quem sou desde o dia em que cheguei,
sei de tudo, no entanto nada sei,
quanto mais me procuro e me aprofundo...

Ser poeta me abona pra voar
ou pra ir pelos ares lá no ar,
onde o céu justifica estar no mundo...

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ESSENCIAL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Optei por viver mais.
Por ser capaz
de não correr...
já não quero perder tempo
com não ter tempo
a perder.

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RELAÇO

Estamos juntos de novo.
Retornamos ao ovo
que já foi quebrado,
num esforço espremido
pra nos resgatarmos
dos desgastes... do vento...
Sentimento em reforma,
busca plástica e forma,
funde os restos na fôrma
do ressentimento.

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EMPREENDEDOR TERMINAL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já não há tempo a ganhar.
Perdi todo o meu tempo
não tendo tempo a perder.

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AMOR INVIÁVEL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Sou levado a sentir
que te perder
neste momento,
já nem seria mais perda.
Passou a ser
um investimento.

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AMOR INVIÁVEL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Sou levado a sentir
que te perder
neste momento,
já nem seria mais perda.
Passou a ser
um investimento.

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NÓS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já entendo seus nós;
su´alma fechada
nos lábios seus...
Você quer minha voz
emprestada
pra me dar adeus...

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PECADOS PARCELADOS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já não tendo nem trocados,
eis a minha sugestão:
pagarei os meus pecados
em mil vezes no cartão.

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O CHATO DE BOINA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Chega o ponto em que o contestador insensato já nem olha para o contexto. Só contesta. Leva na testa o texto pronto, gasto, imutável, de contestação. Protesta sob o pretexto de que nada presta, se não fechar com seus conceitos... pré-conceitos. Ninguém presta, se não for do seu grupo. Seu partido. Sua vã filosofia de que tudo é feio aqui fora, porque nem tudo é lindo. Não presta, principalmente, se não for seu comandante ou seu comandado.
Vem o tempo em que tudo pesa. tudo enfeza, revolta e faz o contestador insensato esmurrar o vento. Espumar de raiva. No fundo, ele sempre torce para que nada melhore; que o poço não tenha fundo. Só assim o mundo pequeno que o rodeia seguirá babando por seus arroubos. Seus acessos de fúria. Suas máximas e palavras de ordem. Discursos alterados que ameaçam quem tenta contestar sua contestação de constatação duvidosa.
Mas também surge o dia em que até os outros contestadores, aqueles um pouco sensatos, ou menos chatos, se cansam do contestador insensato. Dos olhos fora das órbitas e da voz inflamada que jamais reconhecem algo de bom. Jamais demonstram qualquer satisfação, porque acham que a satisfação desmascara, o bom humor não corresponde à identidade forjada.
Em suma, o contestador insensato - falo do insensato, e não daquele que tem hora, contexto, critério e discernimento -, é um chato. Para os chatos, quem vê algo de bom é iludido. Quem ri é bobo. Quem ama é alienado. Quem tem calma e não morde o mundo é pelego. Eles sempre debocham do equilibrado, ironizam o bem resolvido e querem matar quem não quer matar os que não discordam de quase todos... evidentemente, não deles.
O contestador insensato... ou o chato, não vive sem oba-oba. Sem falação engajada. Sem ver inimigos em cada esquina. Não tem amigos; apenas camaradas, aliados, companheiros de luta e correligionários. Vive de agonia sem fim, mas acha que "o chato, unido, jamais será vencido".


Respeite autorias. Ao divulgar o que não é seu, sempre cite o autor.

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TELE(A)PATIA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Porque não ligas mais pra mim,
já cheguei à conclusão
de que não ligas mais pra mim.

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PROFUNDAMENTE RASO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

O que dói já não dói; ficou dormente;
começou a doer sem causar dor;
aprendi a ser são, mesmo doente,
comandar e reger qualquer tumor...

Ao amar dito as regras; meu amor
sai do peito e palpita em minha mente,
seus espinhos obedecem à flor
como as águas atendem à corrente...

Não sou frio; só sei brincar com fogo;
tenho às mãos a cartilha desse jogo
de lidar, de sentir e ser do mundo...

Mesmo sem deduzir qual é meu prazo,
vivo como se tudo fosse raso,
apesar de saber que o poço é fundo...

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ACOMODAÇÃO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Sigo a vida, já fui de andar na frente,
mas a frente só tem o mesmo nada,
vi que o mundo está dentro desta lente
onde os olhos rascunham minha estrada...

Amo a fera, cansei de amar a fada,
pois a fera é mais próxima de gente,
perco as asas e teço aquela escada
para o céu que se alcança pela mente...

Vou no tempo que a pressa não alcança,
pouso e durmo nos braços da esperança
e me assumo simplório; acomodado...

Quero sonhos banais à luz da lua,
brisa leve beijando a pele nua;
meu futuro nas águas do passado...

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JÁ VIU ESSE FILME?

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Não havia um mandado
de busca
e apreensão...
Só um ente querido
sem limite
nem educação.

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AMAR DE NOVO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já morri de vontade; raiva; dor... de frustração e nostalgia. De frio e sede. Mas também já morri de alegria, esperança, tensão e ansiedade... morri de muito esperar.
Foram muitas as versões desencontradas e vertiginosas das quais morri a vida inteira. Morri da ideia de morrer, e de viver uma só vez as emoções que uma vida não comporta. Muitas vezes morri de prazer, porque o chão que se abriu aos meus pés me sugou completamente e fez perder os sentidos. Nesse dia percebi o sentido que o próprio mundo não tem, sem essa perda pontual de sentidos.
Já morri de saudades do seu beijo. De quando morri de tanto amor. Tanto sonho marcado para morrer. Tive medo e morri de solidão. Morri de medo. Inclusive de medo da solidão. Mesmo assim, fui teimoso e reservei o melhor para te matar de pasmo. Provar meu poder de superação. Superação da separação...
Só agora revelo este segredo: depois de tanto morrer, estou vivo. Vivo e pronto para o que ainda pode ser. O motivo é todo meu. Revelo não... ele pertence ao coração.

Inserida por demetriosena

TODAS AS LÍNGUAS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Já usei com você,
todas as línguas do meu afeto.
Usei as falas e os sinais;
também silêncios e presenças...
mas me cansei.
Calei o peso do seu nunca
e despertei meu nunca mais...
minhas reticências...
aprendi a linguagem das ausências...

Inserida por demetriosena