Ja Chorei de tanto Rir
LIÇÃO DE VIDA
Um homem entra numa palestra e conta uma piada, todos morrem de rir.
Ele conta a mesma piada de novo, alguns dão risada, mas nem todos.
Ele conta pela terceira vez, ninguém ri...
O homem sorri e diz:
engraçado como vocês não conseguem rir da mesma piada de novo e de novo.
Mas, por que continuam chorando pelas mesmas coisas de novo e de novo?
E a gente vai se olhar e rir de todo esse dramalhão, vou te chamar de bobo, você vai me chamar de besta e amanhã de manhã um outro sol, não mais tão quente e nem tão brilhoso quanto antes, vai nos convidar pra passear enroscados na calçada da mesma ruazinha apertada e sem graça de sempre, como sempre foi. E as pessoas vão perguntar se você voltou.
E você vai dizer que nem foi.
Me chamam de anti-social porque não quero rir das piadas sem graça que me contam, porque não sou falso e não mostro prazer em coisas desprazerosas, porque não busco falar com as pessoas e não gosto do que elas gostam, mas simplesmente não sou fingido, não quero ser quem não sou quero pessoas que me admirem e gostem do que eu gosto e não mentem não demonstram sorrisos falsos pra mim, e que eu possa ser sincero.
A decadência da oferta espelha-se na penosa invenção dos artigos para presente, que já pressupõem o fato de não se saber o que presentear porque, na verdade, não se tem nenhuma vontade de fazê-lo.
Não importa muito com quem te casas, já que na manhã seguinte seguramente descobrirás que se tratava de outra pessoa.
O homem que sabe ler fala com os ausentes e mantém vivos os que já morreram. Comunica-se com o universo - não conhece o tédio - viaja - ilude-se. Mas quem lê e não sabe escrever é mudo.
Existem cerca de 100 bilhões de estrelas na galáxia. Esse já foi considerado um número grande. Mas é apenas cem bilhões. É menos que a dívida interna! Antigamente, estes números eram chamados de números astronômicos. Agora, deveríamos chamá-los de números econômicos.
Que importa que já o saibas? Só se sabe o que já nos não surpreende.
Canção de Primavera
Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.
Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.
Eu, Invernos e Outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio…
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.
Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.
Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar…
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?
