Irmao Nao Va embora

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Eu me lembro dos dias em que não tinha respostas, das noites em que minhas lágrimas eram minha única oração e dos momentos em que ninguém sabia o tamanho da batalha. Mas Deus sabia. E foi justamente ali, onde ninguém me viu, que Ele me sustentou. Por isso, quando a vitória chegar, não quero que olhem para mim. Quero que olhem para Ele.

Se um dia você me vir sorrindo depois de tudo o que atravessei, não pense que a vida foi fácil. Olhe mais fundo: você está vendo uma mulher que chorou escondida, que quase perdeu as forças, mas descobriu que Deus permanecia quando todos os outros recursos acabavam. Se hoje estou de pé, não é porque fui forte. É porque Ele foi fiel. A Deus, toda a glória.

Se alguma coisa floresceu em mim, foi porque Deus regou o que eu já não tinha forças para cultivar. A Ele, toda a glória.

Quem carrega o IDE não teme cara feia, nem olho torto — teme almas perdidas.

Eu não quero aplausos por aquilo que Deus fez através de mim. Quero apenas que, ao olharem para a minha vida, enxerguem a mão dEle.

Quando me perguntarem como consegui, não direi eu fui forte. Direi: Deus me sustentou quando eu não conseguia mais.

Não foi sorte. Não foi acaso. Não foi apenas força de vontade. Houve uma mão invisível me sustentando em cada capítulo: a mão de Deus.

Eu não quero ser lembrada pelo tamanho das minhas conquistas, mas pela grandeza do Deus que me permitiu chegar até elas.

A minha vida não é um monumento à minha capacidade; é um testemunho da fidelidade de Deus.

A glória que pertence ao Céu não deve ser roubada por um coração que aprendeu a receber aplausos na Terra.

Não quero um testemunho que faça as pessoas admirarem a minha superação; quero um testemunho que faça as pessoas adorarem o meu Deus.

E quando finalmente contemplarmos o que Deus fez, que a nossa primeira reação não seja dizer olha o que conseguimos , mas: OLHA O QUE O SENHOR FEZ!

Se um dia me virem de pé, não celebrem apenas a minha resistência. Celebrem a graça que me impediu de cair para sempre.

O conhecimento que vem de Deus não nos coloca acima das pessoas; coloca-nos de joelhos diante dEle.

Há um rio dentro de mim
que não aprende a ter margem,
carrega luas sem fim
e se alimenta de coragem.
Quando a noite me atravessa,
não sei se é dor ou passagem.


Guardo estrelas no silêncio,
como quem guarda oração,
há mistérios que florescem
sem pedir explicação.
E há verdades que só chegam
quando escutam o coração.


Já fui casa de tempestade,
já fui janela e clarão,
já fui barco sem destino,
procurando direção.
Mas descobri que até o caos
pode ensinar navegação.


Há quem procure respostas
como quem procura um chão;
eu aprendi que certas coisas
não cabem na explicação.
Às vezes, Deus escreve torto
para endireitar a visão.


Tenho cicatrizes antigas
que não pedem compaixão;
são mapas de outros tempos,
são vestígios de travessão.
Quem olha apenas a ferida
não conhece a reconstrução.


E quando penso que termino,
alguma coisa principia:
uma esperança pequenina
acendendo a noite fria.
Como a flor que rompe a pedra
sem anunciar que nascia.


Talvez eu seja esse enigma
que o tempo tenta entender:
um pouco de maré e terra,
um pouco de perder e ter.
E quanto mais me descubro,
mais aprendo a não me prender.


Se a vida é uma parábola,
não quero a moral no fim.
Prefiro seguir a estrada
que ainda não falou de mim.
Pois há caminhos que só existem
quando a gente diz: “enfim.”

Entre a menina e a mulher

Tenho andado sozinha.

Não porque não queira companhia, mas porque há caminhos que ninguém pode percorrer por nós. Há silêncios que precisamos atravessar sozinhas, perguntas que somente o tempo sabe responder e versões de nós mesmas que precisam partir para que outras possam nascer.

Tenho andado assim: aprendiz, menina, mulher.

Às vezes, ainda sou aquela menina que se assusta diante do mundo, que procura abrigo, que acredita, que espera, que guarda sonhos como quem protege uma pequena chama do vento. Em outras, sou a mulher que a vida foi esculpindo à força de perdas, recomeços, esperas e algumas dores que ninguém viu.

E talvez crescer seja justamente isso: não abandonar a menina que fomos, mas aprender a acolhê-la com os braços da mulher que nos tornamos. Quando me perco, já não procuro alguém para me encontrar. Volto para dentro, procuro os pedaços que deixei pelo caminho, recolho meus sonhos, escuto meus silêncios e sigo.

Porque descobri que, muitas vezes, quando penso que estou perdida, estou apenas deixando de ser quem já não cabe em mim. Tenho andado sozinha, sim, mas já não caminho vazia. Levo comigo a menina que ainda sonha, a mulher que aprendeu a resistir e todas as versões de mim que tiveram coragem de continuar.

E talvez seja esse o meu verdadeiro encontro: quando me perco da menina, encontro a mulher. E quando encontro a mulher, finalmente compreendo que a menina nunca esteve perdida. Ela apenas estava me esperando crescer o suficiente para voltar para casa.

Leva-me para perto

Quando minhas forças se desfazem,
não me deixes cair no vazio.

Levanta-me com a delicadeza
de quem conhece cada parte quebrada de mim.

Segura minha mão
até que o medo desaprenda o caminho de volta.

Acolhe-me junto ao teu peito,
onde o mundo perde o ruído
e a alma finalmente descansa.

Leva-me para perto da tua luz.
Há tanta noite em mim
pedindo um único amanhecer.

Cuida de mim
como quem protege uma chama
que insiste em permanecer acesa,
mesmo quando o vento parece mais forte.

Reveste-me do teu amor,
da tua paz,
da segurança dos teus braços.

Porque é em Ti
que encontro abrigo,
é em Ti
que volto a respirar.

E, se eu me perder de mim,
leva-me de volta
ao único lugar
onde sempre estive verdadeiramente a salvo:
o teu coração.

Não use o conhecimento da Palavra para construir um pedestal para si; use-o para construir um altar de adoração.

Viver muito não significa necessariamente ter vivido muito; duração e experiência não são sinônimos.

O tempo não cura tudo; às vezes apenas nos ensina uma nova maneira de carregar aquilo que permaneceu.