Irmao Nao Va embora
Catarse
Vezes você não vêm até mim, mesmo que o desejo de lhe escrever exista, como se fosse um amor que fora morar longe de mim, você vaga, e eu mal pudera dizer adeus, sem chances de uma catarse.
Vezes só me restam anseios, poesia.
Eu quero conhecer
o que você não posta,
saber com o que você
realmente se importa.
Eu quero conhecer
as selfies que
você não mostra,
os detalhes que você nota.
Não me importaria
de passar pelo caminho
onde teu caos incomoda,
se isso me fizesse conhecer
onde é que tua paz mora.
você não precisa,
que alguém escorra
pelas rachaduras
da sua autoestima,
para que você finalmente,
descubra o seu real valor.
Até na próxima vida.
eu vi o tempo passar,
sobrevivi á perto de você
eu não ficar.
eu namorei suas fotos
pensando o que eu diria
nos meus votos.
e nossa despedida
poderia ter sido
mais dolorida.
mas você me disse:
— até a próxima vida —
E sem aviso,
chegará um fim de domingo,
que a saudade
não vai mais passar,
e você não vai querer
existir em um outro lar.
Já dizia René Descartes: "Penso, logo existo."
Mas só existir não basta,
a vida acontece,
mesmo que você
não testemunhe.
Não espere pelo dia
em que lamentará
por não ter aproveitado
mais a vida.
Nunca se sabe quando
será a última vez
que verá sua
coisa favorita.
Foi bom te ver
Foi bom te ver de novo, foi muito bom, mas não como era antes, não houve chama quem me incendiava por completo, não houve aquele desejo indescritível, não consegui mais ler poesias em seus olhos castanhos, não foi mais como se eu tivesse diante de tudo que eu queria.
Foi bom te ver, mas foi porque também foi poético, como eu percebi, que eu estava apaixonado, pela sua versão de quando eu conheci você e não pelo que você é hoje.
Quem eu sou hoje, de fato não cabe você em minha vida, deixamos de ser nós, até mesmo na nossa fantasia. Foi bom te ver, mas foi melhor ainda, perceber que eu conseguir acabar com a minha versão, que um dia tanto amou você.
E se eu não reclamar,
do celular que descarregou,
do ônibus que atrasou,
do guarda-chuva que quebrou
e da chuva que me molhou.
Será que assim,
até às sete horas
da noite,
meu dia já melhorou?
Por ora.
passo pelo vale da baixa autoestima.
Por ora,
não há poesia que me salve.
Por ora,
somente eu mesmo
que tenho esse alcance.
Ternura
Ainda me lembro, de teu rosto colado ao meu, não sei bem se poderíamos chamar aquilo de uma dança. Mas nossos corpos se beijavam, na sintonia da música. Eu sentia sua respiração quente, porém calma.
Por alguns minutos eu me esqueci onde é que eu estava — Em meio seu rosto colado ao meu, aquele perfume leve — se ternura tivesse cheiro, seria o teu.
Era só um quarto iluminado pela luz do corredor, mas desde que te surpreendi na porta e te puxei para perto, nada mais existiu além de nós dois e aquela música.
e agora em minha memória.
Não deixe
as borboletas
em seu estômago
morrerem.
Se quiser matar algo,
que seja a vontade
de pousar
seus beijos
nos meus.
