Irmao Nao Va embora
O carrosel vomitou após tanto andar em círculos,
A roda gigante já não funciona com medo de um dia cair.
Queria correr pra longe,
e motivos tenho para isso.
Todavia, o tênis adequado já não tenho posse,
nem mesmo sei pra que lado fica o norte.
E assim permaneço,
apático e estático,
com medo que a vida me mude
antes que eu consiga mudá-la de vez.
E deram o nome daquele lugar de 'Morar'.
Com pessoas tão promissoras que ali passavam,
Não era de se estranhar que todos se sentiam em casa.
Mas algo aos poucos foi acontecendo.
Tudo o que antes passava como despercebido,
agora gritava por atenção:
Raiva, mágoa, medo, rancor,
e até mesmo uma aguda algia.
E o local ficou vazio,
onde só se ouviam ecos e egos.
E me fizeram dia desses uma pergunta,
que perpetua até hoje em minha mente.
"E um dia você irá regressar à Morar?"
"Na Morar? Espero que nunca mais.
Estamos sendo nós quando nos encontram na fila do pão no supermercado,
não numa festa onde 3 mil luzes alucinógenas impedem de você ver a verdade.
E não importa se o céu está cheio de diamantes,
ou se o queijo lunar brilha mais que as estrelas cadentes.
Eu já não acredito mais em todas essas belas mentiras.
Então, vá para casa (ou não vá).
Eu só quero que isso termine.
(((É só sentar e esperar.)))
Se chega em um dado momento de reflexão,
em que você percebe que não anda mais pensando em algo/alguém,
então de fato isso ainda faz morada em seus pensamentos,
tornando essa reflexão acima uma grande mentira,
ou quem sabe esse texto reflexivo, uma cristalina verdade.
Se a intensidade já nasceu intensa, não é de se estranhar que ela não se contente com qualquer fagulha pouca.
E não foi por falta de aviso.
Sempre me diziam para "fazer desse modo" ou "agir de outro" porque já haviam passado alguma vez por isso.
Mas o que me era dito nunca entrava na minha cabeça.
Não fazia sentido que a solução era tão simples mas não se enquadrava com a realidade à minha volta.
Ou melhor, não se encaixava com meu estado atual de ser, ver e sentir.
E passado o tempo, vi que realmente o que me incomodava chegava a uma solução, independente se era ou não encaminhada para o mesmo caminho antes orientado.
Então, para quê se frustar se o conselho não dá certo contigo?
Seres humanos, sentimentos, vivências, não são feitos de fórmulas.
Assim como não podemos esperar que aquela roupa que nos sirva de forma justa caiba do mesmo modo no corpo de outro, muito menos caberá ao outro uma ideia ou uma experiência tabelada para que não soframos.
Mas é isso mesmo que precisamos: sofrer, vivenciar, ver com nossos próprios olhos, sentir na pele o que é viver, sem manuais de instrução, sem dicas padrões.
Quem sabe assim, extraímos o melhor que a situação há para nos oferecer, sem buscar atalhos falsos que só se resultará em um beco sem saída.
E após toda essa minha reflexão, compreendi e decidi: PAREI DE OUVIR CONSELHOS ALHEIOS.
E juro-lhes, que esse é o último conselho meu que espero que vocês também adotem em suas vidas, pois de resto, só estará servindo para o próprio escritor.
Não adianta escrever, tentar explicar a melodia de meu assobio se ninguém realmente está prestando atenção.
Ninguém nota, nunca nota. Você já?
E pra quê tanta nota, se ninguém um dia sequer quis me ouvir cantar,
ou se ouviu, só o que interessou foi que desafinei no último compasso
e que nem isso (assobiar) posso mais.
Andei mais de 1500km,
e ainda continuo no mesmo lugar.
Não sei se é porque não reparei no percurso e me enganaram fazendo a volta,
ou se não importa aonde custo desejar chegar, sempre acabo no mesmo lugar.
Certas pessoas não valem a pena serem lembradas,
nem para dizer em uma conversa atoa
que elas mal são lembradas.
Se você não ama aquilo que você chama de defeito,
então você não ama na realidade, na realidade.
Você ama esta imagem idealizada
do que pode vir a ser,
desenvolvida em sua cabeça.
E isso,
meu caro,
é deveras triste;
para você,
para o objeto ou pessoa em questão
e para seu presente.
Pela dinâmica que anda nossa amizade,
não lembro de ter lhe dado a liberdade
enquanto me distraio, me abraçar na maldade
ou debochar (babaca) daquilo que prezo de verdade.
Não importa o quanto a pessoa o trate bem, ela vai sempre se transformar quando você:
● interferir em seu falso canto privado;
● interferir em seu setor econômico e financeiro;
● pisar em seu dedinho do pé e não se desculpar.
E o pior de tudo é que, por causa desses motivos tão mesquinhos e vazios, que até deveriam ser tratados como insignificantes, faz aquela graciosa pessoa nunca mais ser ela mesma com você.
