Irmao Nao Va embora
É amor
-Não, não é.
-Por que negas?
-Porque não é, não quero que seja…
-Por que não?
-Vi pessoas amarem… Magoando, machucando…
-E o que é nós então?
-Deixa ser. Nós. Somente, para sempre…
~Sem ponto, sem fim...
Não é o amor que tanto temo, é a continuidade da história, depois de muitos beijos, sorrisos, abraços, momentos bons… O que vem depois, sabe? A dor, a saudade, as lembranças e as palavras que sufocarão a cada vez que respirar.”
Não me limite a teus conceitos
Ou a semblantes análogos
Não me molde a alfinetes
Ou trace meu protótipo.
Não ouse me descrever
Ou julgar me conhecer
Dança de amar.
Cuidado com essa mania de ficar distante!
Porque uma hora eu aprendo;
E não volto depois do teu arremesso;
Encontro outros braços;
Corto nossos laços.
Cuidado quando pisar!
Uma hora eu canso…
E aí;
Não há plano;
Choro, vela e nem tango,
Que me faça dançar.
Não tenho mais 8 anos, mas isso não significa que eu não tenha mais medos. Ainda tenho sim, mas não de xingamentos, caretas e do escuro, tenho medo dos elogios, sorrisos, e tudo que é claramente oposto do que demonstra ser.
Certas noites;
Te joguei em vários mares, mas com a onda não voltou.
Te afoguei em diversos bares, a ressaca me ninou.
Procurei outros amores, mas de cada um senti pavor.
Sintonizei em outras rádios, mas em todas elas nossa musica tocou.
Atrasei o relógio, ainda sim as estrelas se foram e a manhã chegou.
Dormi com a lareira ligada, mas ainda sim procurei teu calor.
Vi tantos sorrisos, mas nenhum deles me encantou.
Procurei dores novas, mas nenhuma amenizou.
Te encontrei em vários versos, todos eles sobre amor.
Devo lhe dizer:
Meu vocabulário é um tanto quanto chulo
Minhas mãos ja deram muitos murros
Não me confesso a um Deus surdo
Não trago nada alem dos meus fumos
Ja quebrei diversos muros
Não há grito em meus surtos
Sou a dor do ‘vagabundo estupido’
Não sou adequada a teu orgulho
Mas querido, não existem valores em túmulos.
Não se preocupe, não vou chorar por você nem me perguntar por que, não vou pedir e esperar ceder, não vou ficar aqui para ver, se você volta antes do sol nascer…”
— São só palavras pra você
Não posso me definir enquanto eu existir. O que não significa que eu não tenha conceitos ou personalidade.
Eu tenho um mundo dentro de mim e aqui não faz sol todos os dias, um dia sou grito, no outro poesia. Eu sou o que sinto e ainda posso ser tanta coisa... E dentre todas elas, ainda serei eu em busca do meu eu.
O jardineiro que dá flores ao ferreiro, não deve esperar por recebe-las. O resultado de idealizar reciprocidade é a frustração.
Devo lhe dizer:
Meu vocabulário é um tanto quanto chulo
Minhas mãos ja deram muitos murros
Não me confesso a um Deus surdo
Ja quebrei diversos muros
Não há grito em meus surtos
Não trago nada além dos meus fumos
Não sou adequada ao seu orgulho?
Mas querido, não existem valores em túmulos!
Para onde levou o sol?
Eu não sei mais Maria, o que fazer com estes dias que passam, mas nunca amanhecem.
É que eu estou sobrevivendo, mas não sinto mais intensidade e vitalidade, não sinto as gotas da chuva, e o sol para onde levou o sol?
Não me admiram, nem arrepiam-me mais as canções, tão débil parece o cheiro das flores agora, tão inconsistente o chão.
Seu corpo está distante do meu, abstenho-me então involuntariamente de amar qualquer coisa.
Perdi o juízo e as funções motoras, perdi a cabeça e a memória, não sei mais se seu nome é Maria ou felicidade, não sei mais o que fazer com esta saudade.
Deixa eu ficar aqui parada olhando pro nada
como quem olha o mundo.
É que eu não tenho pressa
nem vontade de entrar neste tumulto.
Deixa eu sentir o vento, sem me preocupar com o tempo,
que a vida passa tão depressa e a maré ta baixa.
Então deixa eu mergulhar no que é belo,
que forma um elo entre o meu eu indefinido e o universo.
Sem decisões, sem precipitações, nem azul, nem amarelo
Ei amor, se um dia a cama ficar pequena pra nós dois, se nossa musica não mais nos descrever, se as flores não tiverem mais o mesmo cheiro, promete tentar lembrar do meu calor no frio da serra que moramos, da minha voz rouca ao acordar e do meu Mont Blanc com frescor de jasmins e notas de sândalo?
Se achar que lhe falta algo, algo intenso ou harmônico. Feche os olhos e tenta lembrar das minhas unhas marcando suas costas, da nossa combustão, dos nossos gemidos alternados no ritmo em que você penetrava meu corpo e minhas chagas.
Mas se o café não for mais tão doce, nem mais tão quente, o sol não entrar pela nossa janela, se nossa aliança apertar seu dedo e seu peito, promete que pede pra eu ir embora? Só pra não estragar nossa história.
Promete tentar, mas só tentar guardar o melhor de ti, o melhor de mim, o melhor de nós e o nosso não acaso, o nosso eterno romance, mesmo que não termine tão terno?
Promete antes de desistir, tentar lembrar dos motivos que o fizeram me amar? E se eu não for mais a mesma pessoa, enterre o que fui, sem esquecer o que te trouxe; Mas se e somente só, sentir que não é um ponto final, tente acrescentar mais dois e no próximo parágrafo, me reencontre, me reconheça em um bar, a gente pode ate rir por eu ser xará da sua ex e você do meu, mas de como somos diferentes deles.
A gente pode ate dizer que foi o destino que nos colocou ali, mesmo que frequentássemos os mesmos lugares a 5 anos e que nossa cidade seja tão pequena que seria impossível não nos encontrarmos, você chamaria o garçom de amigo e me pediria uma pina colada, porque já conhece meu gosto agridoce e eu seus bons modos
Mas poderíamos fingir que é novo, que é inédito, poderíamos nos reinventar e nos reamar por indeterminas primaveras, fazer coisas que nunca fizemos, já que nos tornamos pessoas tão diferentes do que eramos, poderíamos então nos perder no lapso do tempo e do indefinido, assassinando os padrões que nos afogaram, das expectativas que colocamos sobre o outro, porque não entendiamos a beleza de ser contraditoriamente mutável e único, sem pertencer a lugar nenhum e ainda sim morar no abraço do outro.
É que eu tenho mesmo essa sede de mundo, de histórias pra contar, me desculpe não querer estar presa a você ou a um lugar. É que eu tenho essas asas pra voar e diversos pontos para pousar. Não é por falta de te amar, é por amor a liberdade de ir onde o vento levar, mas se vc quiser voar comigo, plana no ar, sem amarras e sem amarrar.
