Invisível

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Achava que devia ser ótimo ser o ar.
Eu poderia ser alguma coisa e nada ao mesmo tempo. Ser necessário e invisível. Todos precisariam de mim e ninguém conseguiria me ver.

como dói ser invisível
aos olhos de quem não quer ver
sentir-me só em locais cheios
sem ter aquele sorriso que tanto sempre me deu prazer

vejo gente a rir,a conversar
mas eu estou só sem poder me aproximar

sou desajeitado, tímido, complicado
não tem maneira de me descrever
pois não estou nem nunca estarei armado ou preparado
para qualquer contacto que comigo possam ter

Neste mundo, há um círculo mágico invisível. Há o exterior e o interior. Essas pessoas estão dentro. E eu estou fora.

⁠as vezes me sinto invisível sem cheiro e sem cor .
Não dá para definir pois sou algo que não existe
Na verdade eu não estou aqui, nunca estive .

Um garoto adolescente, excluído do colégio e sem muitos amigos, se apaixona perdidamente pela garota mais legal que ele conhecera até ali. Ela, no entanto, namora um garoto mais velho e bem babaca, e não liga muito para nosso protagonista. Ele vai até seu confessor, uma das únicas pessoas com quem tem intimidade para fazer esse tipo de pergunta, seu professor de literatura. E diz: Por que algumas pessoas se apaixonam pelas pessoas erradas? Ao que o professor responde: Charlie, nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.

Quem viu uma das pequenas pérolas do cinema do ano passado, As Vantagens de Ser Invisível, reconheceu o diálogo acima na cena entre Logan Lerman e Paul Rudd. É uma das frases que valem o filme (e o livro no qual ele foi inspirado). Aqueles momentos em que você para e pensa: não é que é assim mesmo?

Quantas vezes você já não saiu de um namoro que, seis meses depois, soava deslocado, fora de sentido? Como eu pude me apaixonar por esse cara? Jura que eu passei tanto tempo com uma mulher assim? Pois é, passou. Às vezes foi por conformismo mesmo. Por não conseguir olhar para fora de si e imaginar novas aventuras que valessem a pena, por fechar uma janela para o resto do mundo por preguiça (ou medo, muito medo) de ter que se esforçar mais do que o confortável para buscar a felicidade em outra pessoa.

Mas às vezes o problema está mais a fundo. Porque medo a gente reconhece e, munido de uma boa lanterna contra o escuro e o desconhecido, a gente eventualmente enfrenta. Mas auto-estima é um problema daqueles que cola e não desgruda mais. Que está tão colado, tão fundo, que a gente nem percebe que a maior parte das nossas ações é decidida não apenas por nosso poder de escolha, mas pela imagem que fazemos de nós mesmos. Matricular-se na academia, voltar a estudar, mudar de emprego estão sempre condicionados ao “eu me acho capaz disso?”.

E no amor não é diferente. Eu me acho capaz de amar mais do que isso? De viver um amor de verdade, arrebatador, gigantesco, fundo e completo? É o famoso “Ela conseguia coisa melhor” que um amigo fala pro outro quando conhece o novo namorado da fulana. Ela até poderia conseguir alguém que a tratasse melhor, que a amasse mais, que fizesse a abraçasse bem forte ao invés de virar pro lado na hora de dormir, que a respeitasse mais, que, quem sabe, vai saber, até a admirasse. Que ficasse sorrindo de bobeira na hora em que ela trocasse de roupa. Que repetisse, de vez em quando só pra lembrar, que ela é a mulher mais incrível que ele já conheceu na vida. Mas nós aceitamos o amor que achamos que merecemos. E quem acha que merece tudo isso, né? Alguém mais feliz.

Os indivíduos, tragicamente, são como marionetes, animados de modo independente, mas ligados a uma teia que escolhem não ver; eles poderiam resistir, se quisessem, mas pouquíssimos o fazem.

E naquele momento, nós éramos infinitos.

Stephen Chbosky
CHBOSKY, S., As Vantagens de ser Invisível

Eu procuro, com o meu trabalho, mostrar uma imagem digna da mulher negra. A mulher negra é invisível.

Você enxerga dentro de todos mas nunca é visto.
Chora pela dor do outro enquanto desprezam a sua.
Se lembra enquanto é esquecido.
Se importa enquanto te ignoram.
Riem dos seus traumas, ⁠zombam da sua fragilidade, pisam sua necessidade.
Você é invisível.

Estabelecer metas é o primeiro passo para transformar o invisível em visível.

O que realmente importa é invisível aos olhos, mas completamente perceptível ao coração.

⁠A prisão invisível

Fui uma criança limitada. Sem liberdade, sem escolhas. Criada para ser recatada, para me prender às crenças e ao coração. Cresci dentro dessas grades, e hoje ainda carrego a dificuldade de ressignificar aquilo que não me acrescenta, mas que se tornou uma prisão dentro de mim.

E, ao olhar para fora, me deparo com novas limitações – agora impostas por uma sociedade que ainda resiste a aceitar mulheres livres. Se sou bonita, meu mérito nunca é meu. Se conquisto algo, dizem que foi por um homem. Se sou casada, atribuem meu sucesso ao marido. Se não sou, sugerem que há alguém me bancando. Nunca basta ser eu.

Mas e as oportunidades que nos são negadas? Quem fala disso? Quem discute as portas fechadas porque uma mulher pode representar ameaça ao ego ou à segurança de alguém? Há um preconceito silencioso contra mulheres bonitas, seguras e independentes. O mercado de trabalho ainda favorece os homens. E entre as próprias mulheres, a insegurança alimenta rivalidades que nem deveriam existir.

A liberdade feminina ainda tem muitas barreiras – algumas impostas de fora, outras que aprendemos a carregar. Mas aos poucos, seguimos quebrando cada uma delas.

Estou no meio da multidão
Ainda me sentindo sozinha
Como se eu fosse invisível
Todos me ignoram
Ou enxergam apenas meus erros
Eu tento dar o melhor de mim
Mas eu nunca fiz nada certo

Estou sem chão
Como se eu voltasse a ser um bebê
Não sei caminhar, apenas chorar
Com medo da escuridão ao redor
Mas eu sei que posso mudar

Me sinto invencível
No alto de um prédio
Minutos antes de sentir o chão
Sei que fui forte até hoje
Mas como uma xícara de chá
Quando está cheia de problemas
Ela começa a transbordar

O diamante sangra
Posso sentir novamente
Quando a lâmina rasga minha pele
Como se todos os meus problemas
Saíssem devagar por aqueles cortes
Como se aquilo me desse ar
Eu pudesse respirar novamente

Eu enxergo agora
Como se em meio a escuridão
Surgisse um espelho
Mostrando esse monstro que sou
Eu vejo que mesmo tentando
Nunca mudarei
Como a falta de esperança fosse um colírio
Para enxergar o que realmente sou

O Poder Invisível do Perfume


Para mim, os perfumes têm o poder de acolher.
Trazem conforto, paz, bem-estar, boas memórias.
Mas também podem despertar o oposto: aversão, antipatia, desconforto, mal-estar, dor de cabeça.
Tudo isso apenas com a nossa presença — sem que as pessoas consigam, de fato, entender o porquê.
Elas apenas sentem. Reagem.
O perfume aproxima. Ou afasta. Involuntariamente.


E às vezes, tudo começa com a escolha de um perfume.


O perfume tem o poder de abraçar por dentro de um abraço, de nos tornar desejáveis, inesquecíveis.
Tem cheiros que despertam vontade de morder.
Outros que fazem a gente querer ficar ali... no silêncio do afeto, no calor da pele, na paz daquele instante.


Tem perfume que acalma, que traz leveza.
Tem perfume que acende — nos coloca em chamas, em desejo, em urgência.
E sim, tem perfume que desperta euforia, fúria, desprezo, rejeição, ânsia, asco.


Por isso, a escolha do nosso perfume precisa ser cuidadosa.
Porque mais do que um aroma, ele é extensão da alma.
É presença que fica, mesmo quando a gente vai.

⁠O Peso Invisível da Decisão

Não duvide de alguém que já tomou a decisão de tirar a própria vida. Essa pessoa pode buscar ajuda, seguir todos os tratamentos, não faltar a uma única consulta ou sessão de terapia, tomar seus remédios no horário certo e afirmar para todos ao seu redor que está bem. Pode até tentar retornar a uma rotina que, no fundo, já não faz mais sentido.

Mas, por trás desse esforço aparente, há uma determinação silenciosa, fria e invisível: a decisão de partir. É uma decisão que, uma vez tomada, transforma essa pessoa em alguém que vaga entre nós, como uma sombra de si mesma, já distante da vida, mas ainda presente fisicamente.

Essa determinação não é sobre fraqueza ou falta de vontade de lutar. Pelo contrário, muitos lutam até o limite do que podem suportar. Tentam se encaixar, suportar a dor, fazer com que tudo volte a ter sentido. Mas, para alguns, essa batalha já foi perdida internamente.

O que muitos não compreendem é que o sofrimento emocional profundo não é algo que se resolve com simples palavras de incentivo ou com uma rotina ajustada. Ele precisa de algo mais: de presença genuína, de escuta sem julgamentos, de um espaço seguro para existir sem precisar mascarar a dor.

Então, nunca duvide. Preste atenção nos silêncios, nos sorrisos forçados, na aparente normalidade. Porque às vezes, quem já decidiu partir está apenas esperando o momento certo, enquanto perambula invisível entre todos nós, com um coração que já se despediu em silêncio.

Seja essa presença, segure essa mão, e talvez você possa ser o motivo pelo qual alguém decida continuar.

Todos nós estamos numa fila invisível da morte onde ninguém sabe sua senha. O melhor dia de sua vida é hoje!

Assim como as velas se abrem ao vento, deixo-me guiar pelo invisível que move o visível, certa de que cada travessia encontra seu destino.

Quando tudo parece difícil, e tão imprevisível, o choro se torna um vício e a força invisível.

A depressão é o câncer invisível da alma.


Os transtornos emocionais são negligenciados por não serem visíveis —
mas eles são químicos, hormonais, físicos e letais.
Uma guerra travada pela sobrevivência diária.
Uma ferida que não pode ser retirada com cirurgias,
muito menos coberta com curativos,
nem amenizada com anestésicos ou associações até cicatrizar.


Diariamente, vive-se à beira do precipício,
onde cada palavra mal colocada pode nos empurrar definitivamente.
Nunca se sabe qual será o último dia — só torcemos para que não seja hoje.
Existe uma luta, um esforço diário, totalmente desvalorizado.


Há pessoas que, sem querer, reprimem, enfurecem, revoltam.
Tocam na ferida, pisam sobre ela e a fazem sangrar.
Mas essa dor... é invisível.


É mais fácil enxergar alguém passando por uma cirurgia,
por uma quimioterapia, e estar ao lado —
pegar na mão e dizer: “Estou contigo até o fim.”


Mas a depressão...
essa é chamada de frescura, de fraqueza,
de coisa da nossa cabeça.
E, para completar, dizem que é falta de fé.


Não é.


Nosso corpo fala.
Pede socorro.
Mas negligenciam cada sinal.
Infelizmente, ainda julgam pelas aparências —
como se a beleza de alguém pudesse traduzir o que ela carrega por dentro.

" Sou manuscrito do invisível, rascunho do eterno, página onde o indizível insiste em tornar-se palavra. "