Infortúnio

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Estar condenado aos teus impróprios pensamentos;
Torna-o escravo do infortúnio...
Se não há liberdade na idoneidade
Reprima-lhe os desejos, seja apenas um escravo, falido desta hipócrita sociedade.

⁠Sabendo o que você sabe,
seja sereno também, como a montanha;
e não se aflija com o infortúnio.
Conhecimento sem serenidade é uma vela apagada;
juntos são favos de mel;
mel sem cera é uma coisa nobre;
cera sem mel só serve para queimar.

Hakim Sanai
The Walled Garden of Truth (1974).

⁠Nem todo mal é definitivo, às vezes, renascemos diante do infortúnio.

⁠"Não vejo problema em quem não simpatiza comigo, meu infortúnio é com quem finge gostar de mim."

A escuridão trazida pelo infortúnio é entrelaçada com a luz trazida pela esperança. Sendo
melhor ou pior, ambos existem para ajudar a modelar o mundo em que vivemos.

Servir

Em momentos de infortúnio a postura se revela.
O caráter de um homem só se prova em meio a guerra.
Há um fardo sobre a jura da defesa da nação
Esse fardo custa sangue e muita determinação

Quem o porta não lamenta e rejeita monotonia,
Premeditando o caos em momentos de calmaria.
Alter ego que anseia o conforto de seu lar,
Mas prepara-se no aguardo das missões que irá herdar.

Não acolhe elogios, nem reciprocidade,
Ele atua em prol da defesa da liberdade.
Quer conheça ou desconheça o semblante deste ser,
Ele sabe, não espera, apenas faz por merecer.

Não o veja com os olhos de alguém que sente pena,
Pois “lamento” é um fruto da árvore que ele condena.
Quando há adversidades seu dever é atuar,
Pois é isso o que se espera do indivíduo militar.

O seu mais sábio instrutor foi pregado em uma cruz,
E por trás da escuridão deixa um verbo em sua luz.
A palavra iluminada é a razão para o seguir,
O maior verbo da história, com certeza é SERVIR.

Livramento


Você foi só mais um
Só mais um idiota que tive o infortúnio de "conhecer"
Um indivíduo que chegou com algumas palavras bonitas
No início, falando tudo o que qualquer mulher gosta de ouvir
E aos poucos se revelou só mais um imbecil, com medo de se envolver
Acredito, que a minha intensidade foi demais para o seu pequeno lago
E como um covarde qualquer, você se recolheu a sua própria ignorância
E simplesmente desapareceu da face da terra
Quando rezamos a Deus, que nos livre de todo mal
Não sabemos ao certo, que tipo de livramento teremos
Dessa vez foi rápido, se Deus não permitiu que você fizesse parte da minha jornada
Então, significa que você só iria me magoar e me fazer mal
E de pessoas que querem me ferir e me destruir, eu quero a maior distância possível
Porquê já tentaram acabar comigo, e não conseguiram
Não vai ser você, um perdedor qualquer que vai me fazer voltar aquele lugar de escuridão e solidão
Que eu conheço tão bem, e que permaneci por tanto tempo
Nunca mais serei aquela pessoa miserável que eu fui
Por perder alguém que significava Tudo na minha vida
Eu não quero e não vou ser assim
Não nesta vida


15 de Setembro de 2025

Minha alma jamais encontrará paz enquanto carrego os pecados do meu infortúnio passado. Toda vez que tento ser melhor, sou levada a julgamento — e meu acusador é a minha própria consciência dilacerada.

Nenhum infortúnio terreno é eterno, assim como nenhuma felicidade terrena é perpétua.

Riqueza demais traz infortúnio.

O homem resignado, não conhece o infortúnio.

Deixe o infortúnio de lado, quem reclama demais esquece de viver o lado bom da vida. Vai ser Feliz!

O Infortúnio


Oh, como eras bela
Tu eras encantadora
De todas, a mais virtuosa


Eu olhava para ti com desejo
Tu eras como uma rosa
Tão pulcra e simultaneamente má
Me machucaste de maneira indelével
Deixaste-me com uma ferida aberta
Tal qual nunca cicatrizará
Oh, minha orquídea, por quê?
Não eras tu a mais aromática?
Não eras tu a mais delicada?
O que acontecera contigo?
Abruptamente mudaste comigo
Não entendo, realmente não entendo!
Como pudeste mentir este tempo todo?


Disseras para mim que eras uma rosa
Tu és, na verdade, uma dália negra
Tão sombria e misteriosa
Esconderas de mim coisas mirabolantes
Por que me fizeste de bobo?
Divertias-te com o espetáculo?
Oh, maldita hora em que fui te apreciar


Ah, tua beleza... me enfeitiçou
Tu me enlaçaste com todo vigor
Me descartaste sem nenhum pesar
Nem olhaste para mim


Não pensaste em meu coração?
Graças a ti, mudei
Mudei-me para pior, talvez...
Não, não, realmente não sei...


Guardei para ti algo profundo
Um dia o entregarei
Todas as minhas lástimas
Não...
Toda a minha raiva, ódio, rancor e aversão
Te darei de bom grado
Farei ti entender os meus sentimentos


Entenderás as minhas emoções
Escutarás os meus gritos
E talvez, só talvez... Tocarás meu coração.
Por causa de ti, odiei todas as rosas
Como posso odiar todas sem conhecê-las?


O que fizeste comigo, mudou-me
Transformei-me em alguém perspicaz
Me fizeste experienciar uma perda
Contudo, abriste os meus olhos
Estou enxergando o mundo
Jazem falhas nesse lugar


Lembrarei fielmente disso
Não tropeçarei novamente
Não cometerei o mesmo infortúnio
Tal qual, não chorarei por teu rumo...

Aquele que esbanja sua fortuna é refém do infortúnio.

“Viver é um mistério. Não existe infortúnio nem infelicidade. Cada um transforma o pior dos escuros, num lindo amanhecer de boas realizações.”

Só tropeçamos no infortúnio de achar que não podemos fazer nada pelo outro até descobrirmos que podemos fazer o Melhor: orar!

Vivemos em um tempo que valora excessivamente a ação visível.

Quase sempre somos levados a acreditar que ajudar alguém significa, necessariamente, resolver todos os seus problemas, oferecer recursos, abrir portas ou encontrar respostas imediatas.

Quando não conseguimos fazer nada disso, somos tomados pela sensação de impotência, como se nossa presença e nossa preocupação não tivessem valor algum.

E é justamente nesse ponto que tropeçamos.

Não por falta de boa vontade, mas por acreditar que o auxílio humano é o limite de todas as possibilidades.

A oração nos convida a enxergar além dessa ilusão.

Ela não é uma fuga da realidade, nem um consolo para quem não pode agir.

Ao contrário, é um reconhecimento humilde de que existem situações que ultrapassam nossas forças, nossa compreensão e nosso alcance.

Quando oramos por alguém, colocamos diante de Deus aquilo que nossas mãos não conseguem tocar e aquilo que nossas palavras não conseguem curar.

Há circunstâncias em que uma ajuda material é necessária e até indispensável.

Mas há também batalhas travadas no silêncio da alma, medos e dores escondidas atrás de sorrisos e caminhos obscurecidos por dúvidas que nenhum conselho humano consegue iluminar plenamente.

Nesses momentos, a oração deixa de ser o último recurso e passa a ser o primeiro gesto de amor.

Orar é dizer ao outro, mesmo sem palavras: “Você não está sozinho.”

É transformar preocupação em intercessão, aflição em esperança e carinho em confiança.

É reconhecer que, enquanto nossos limites são evidentes, a ação divina não conhece fronteiras.

Talvez nosso maior engano seja pensar que orar é fazer pouco.

Quem compreende a profundidade da fé sabe que orar é participar de algo maior do que si mesmo.

É semear no invisível, acreditando que Deus trabalha onde nossos olhos não alcançam.

Por isso, quando a vida nos colocar diante de alguém cuja dor não podemos remover, cujo problema não podemos resolver ou cuja jornada não podemos percorrer em seu lugar, lembremo-nos: não estamos de mãos vazias.

A oração é e continua sendo uma das mais nobres expressões de amor, porque entrega ao cuidado de Deus aquilo que o coração humano, sozinho, não consegue sustentar.

Quando pensar que não pode fazer nada por alguém, faça o melhor que pode: ore!

⁠Prefiro me preservar no Direito de não me Descrever para não tropeçar no infortúnio de me Enaltecer
ou me Limitar.


Toda tentativa de nos definir carrega um risco muito silencioso: o de transformar um instante em sentença.


Pois, quando nos descrevemos, quase sempre recorremos ao que já sabemos sobre nós, ao que já fomos, ao que os outros reconheceram ou criticaram.


E assim, sem perceber, vamos vestindo uma versão de nós mesmos que pode até nos servir por um tempo, mas que também nos aprisiona.


Enaltecer-se demais é cair na armadilha da própria estátua: bonita, admirável, mas imóvel.


Limitar-se demais é aceitar uma moldura estreita para uma vida que ainda tem espaço para tantos contornos inesperados.


Entre uma coisa e outra, talvez exista uma Sabedoria Discreta em permanecer inacabado.


Há uma liberdade profunda em não se definir com tanta pressa.


Em permitir que a vida nos contradiga, nos amplie, nos transforme.


Quem se descreve demais começa a defender a própria descrição; quem se preserva um pouco mais, continua disponível para se tornar algo que ainda nem sabe.


Talvez seja por isso que algumas pessoas preferem caminhar sem tantas legendas sobre si mesmas.


Não por falta de identidade, mas por respeito ao grande mistério de ainda estar em construção.


No fim, há algo de muito belo, charmoso e humano em aceitar que somos maiores que qualquer frase que possamos escrever sobre nós.

⁠Os que tropeçam no infortúnio de confundir Grosseria com Franqueza, já retrocederam ao estágio mais medonho da grosseria.


A franqueza nunca precisou levantar a voz para ser ouvida.


Ela não humilha, não diminui, nem transforma sinceridade em espetáculo.


A verdade, quando amadurecida pela sabedoria, encontra caminhos para alcançar o outro sem lhe roubar a dignidade.


Vivemos, porém, um tempo em que a grosseria foi descaradamente renomeada.


Chamam-na “personalidade forte”, “autenticidade” ou “sinceridade sem filtros”.


Como se a falta de educação fosse virtude e a incapacidade de exercer empatia fosse prova de coragem.


Há uma diferença profunda entre dizer a verdade e usar a verdade como arma.


A primeira constrói, ainda que confronte.


A segunda apenas fere, ainda que esteja revestida de argumentos corretos.


Afinal, não basta que as palavras sejam verdadeiras; é preciso que também sejam justas, oportunas e às vezes até misericordiosas.


A verdade dita com má intenção é tão ruim quanto qualquer mentira.


A franqueza é uma qualidade dos fortes.


E a grosseria, muitas vezes, é o refúgio dos inseguros.


Quem realmente domina a si mesmo não sente necessidade alguma de esmagar alguém para defender uma opinião.


Pelo contrário, sabe que a firmeza de um caráter se revela mais na serenidade do que na agressividade.


Talvez o maior sinal de maturidade seja compreender que podemos discordar sem desrespeitar, corrigir sem humilhar e falar com firmeza sem abandonar a delicadeza.


Porque a verdade perde parte de sua força quando chega carregada de arrogância.


No fim, não seremos lembrados apenas pelo que dissemos, mas pela maneira como fizemos as pessoas se sentirem enquanto dizíamos.


E isso revela muito mais sobre o nosso caráter do que sobre a nossa eloquência.

⁠Só tropecei no infortúnio de tentar ser normal — e tropecei feio — até descobrir que o novo normal é se esvaziar de si mesmo.


Passei anos aparando arestas, baixando o tom das minhas convicções, suavizando minhas inquietações, rindo do que não tinha graça e silenciando o que ainda queimava por dentro.


Tudo para caber…


Caber nas expectativas.


Caber nas rodas.


Caber nos moldes invisíveis que alguém decidiu chamar de “normalidade”.


Mas há um preço alto demais em caber.


Descobri, tarde o bastante para doer e cedo o bastante para salvar, que o tal “novo normal” não é sobre equilíbrio, nem sobre convivência, nem sobre maturidade.


É sobre esvaziamento.


Esvaziar a autenticidade para evitar conflito.


Esvaziar a coragem para não incomodar.


Esvaziar a própria essência para não parecer excessivo.


E quando a gente se esvazia de si, sobra o quê?


Um corpo funcional.


Um discurso ensaiado.


Uma presença aceitável.


Mas não sobra alma.


Ser normal, nesse tempo apressado e ruidoso, parece significar ser diluído — sem arestas, sem profundidade, sem identidade que incomode.


Só que viver diluído é viver pela metade.


E ninguém nasceu para ser metade de si mesmo.


Talvez o verdadeiro infortúnio não tenha sido tropeçar.


Talvez tenha sido acreditar que a queda era culpa da minha diferença — quando, na verdade, era o chão que estava torto.


Hoje sei: não há nada de anormal em preservar quem se é.


Anormal é abdicar da própria essência para ser aplaudido por quem jamais suportaria a sua verdade inteiramente nua e crua.


Se for para tropeçar de novo, que seja tentando ser inteiro.


Porque o mundo já tem gente demais vazias de si — e cada vez menos pessoas dispostas a sustentar a própria alma.

Sem naufragar no abismo das próprias misérias, ninguém conseguiria comemorar o infortúnio de alguém.


Mas, se parar para pensar, essa comemoração revela mais sobre o vazio de quem celebra do que sobre o destino de quem caiu.


É como se a dor alheia funcionasse como anestesia momentânea para a própria carência.


No entanto, a alegria construída sobre a queda do outro é sempre frágil: dura pouco, envenena devagar e nunca preenche.


A verdadeira libertação não está em aplaudir a ruína do outro, mas em resistir ao impulso de medir a própria vida pela infelicidade alheia.