Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Te amo o tempo todo,
NĂŁo deixo um segundo passar em branco.
Porque sei que o tempo Ă© valioso
E quero aproveitĂĄ-lo, amando.
Deu tudo errado, não é? Ah, com umas risadas chorosas, dou um sorriso torto, e digo sempre que nós demos muito errado. Tão errado que por um momento pareceu ser o mais correto a se acontecer. Somos aquelas forças opostas, não é? Nos repelimos (mesmo que a vontade seja ficar perto).
Ă que sempre fui eu, do outro lado da ponte, chorando, encolhida, abraçada no travesseiro, controlando meu prĂłprio choro para nĂŁo acordar ninguĂ©m. Ă estranho ter malas nas mĂŁos, quando o costume era tĂȘ-las sobre os olhos. Ă estranho eu confortar, dizer que vai ficar tudo bem. Ok. Sei que essas palavras sĂŁo mais para mim que para qualquer um, mas isso nĂŁo atenua a estranha sensação que essas palavras trazem a boca, quando ditas.
Ela estĂĄ sempre Ă beira de dizer o nome dele. Mas recua no Ășltimo segundo, como um animal selvagem, com medo. Ă quase como um medo mutuo. Eu sempre, em qualquer palavra, assunto, circunstĂąncia, estou Ă beira de dizer sobre ele. Sinto em minha lĂngua o gosto aterrorizante do nome dele, brincando, perversamente, dentro da minha boca, sentindo-se dono. Em conversas, eu posso sentir que ele estĂĄ presente, quase entrando no recinto e flutuando junto das palavras despejadas pela boca. Ă como se ele, escutando a conversa como um intruso, estivesse atrĂĄs da porta. Uma presença estranhamente perto, perpetua. E lateja aonde quer que eu esteja.
Ă como se cada frase, implorasse para que o nome dele fosse implantado, fundido ao sentindo, mesmo ficando sem sentido.
Ele sempre esta a beira da minha boca. Minha lĂngua quase o forma. Minhas palavras quase o tĂȘm entre.
Porque simplesmente não dou uma risada sem graça e digo que daqui pra frente sem ele vai ser estranho?
E mesmo com esse NADA grande, torrencial e em negrito, prejudicando toda a nossa melosa histĂłria inexistente, houve algo. Pode ter existido apenas em mim, como seria bem provĂĄvel. Mas nada no mundo consegue abafar os gritinhos fracos de alguma parte da minha cabeça que diz que vocĂȘ tambĂ©m viveu algo por mim, em mim â sobre mim. NĂŁo que eu esteja dizendo que fomos (ou somos) aquelas historinhas bonitinha que lagrimejam os olhos. Mas tambĂ©m nĂŁo estou negando que a gente foi uma histĂłria. Ă complicado explicar algo intangĂvel. Algo que nunca foi pros olhos ver. Mas que existiu de forma absurda.
Ou talvez aquele dia, em que nós nos chocamos? ExplosÔes daquela magnitude não são normais. São fenÎmenos. E fenÎmenos acontecem por algo. Algo.
Sempre vivemos absorvidos por nĂłs mesmo, nossos dramas patĂ©ticos e nossas ambiçÔes que sempre divergiram. Eu de um lado, lutando contra meu medo de altura, tentando escalar o pĂłdio que vocĂȘ sempre vivera, e vocĂȘ, lustrando suas medalhas, inerte do mundo, inerte de mim.
Eu me arrasto por aĂ, pesada, grande demais que meu corpo. Eu estou sobrecarregada por mim mesma. Onde estĂĄ meu ralo? Onde aperto para poder esvaziar?
Eu acabei comigo, por pensar que a vida pode seguir bonita como nos filmes, como ensinam para nós, quando criança. Estraguei aos poucos. Cortei, rasguei, dilacerei em silencio cada parte boa que havia em mim. E o que hoje sou? Sou sobra, resto, o que sobrou de ruim do meu bom. Virei esse amontoado precoce de pessimismo (palavras de uma pessoa próxima de mim). Amarguei cedo demais. Em uma década e alguns quebrados, retiraram de minha retina o véu que nubla nossos olhos, que faz nosso cérebro acreditar que a vida é como uma pena que flutua, rodopia no ar transparente.
Desiludiram-me rĂĄpido demais, desnecessariamente. Deixassem-me com minhas contas em paz, com meus contos mĂĄgicos, feliz. Eu, um dia, quando estivesse preparada, aprenderia aos poucos que o mundo nĂŁo Ă© assim. Mas o universo fez logo de apressar a desilusĂŁo. Abruptamente desfez meu castelo, arrancou meus vestidos, desfez o bom, o saudĂĄvel que tinha em mim. Ă saudĂĄvel viver um pouco a deriva, flutuando, curtindo o mundo. Eu ainda queria ser como fui, um dia. Aquela pessoa que acreditava em coisas melhores. Eu sou pessimismo. Eu sou desleixo, canseira. Mofo. Eu deterioro um pouco a cada dia. A cada tapa. Cada medo que me vence.
O que acontece que tudo sempre tem que nos chocar um contra o outro? Porque sempre tenho que cair no quadrado onde vocĂȘ se equilibra?
