Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
PRECEITO
Que para o amor
o coração haverå de pulsar,
e a verdade em paixĂŁo
se aflorar desse pulsado...
Eis o seu coração de precioso,
confessa-o de amor e de direito;
mas nĂŁo o confunda
em sentimentos enganosos.
DEPĂS O INVERNO
Aos sĂłis, num tempo de desventura,
Pregado ao amor e a tristeza,
O lĂrio ao vento espalha a beleza,
Formando-se paixĂŁo sem amargura...
Eleva-se, e cantiga, a lua-ventura
Das noites pratas, e, quanto mais acesa
Clareia aos campos em realeza
Juntando-se as flores sua candura...
E pecados nĂŁo se ouvem de perverso;
Os bĂĄlsamos dispersam o reverso,
O jardim Ă© um sĂł complexo de fulgor...
As estrelas se completam as amadas,
E na fragrĂąncia azul das alvoradas
Renasce dentre as cinzas uma nova flor!
MENDIGO
Posso ser o que me quiserem ser;
Amor... Tortura... Astro pungente!
Aos versos, um grito incoerente,
Ou um tolo mendigo ao se merecer...
Belos segredos dâum vil viver,
HĂĄs em meu peito para toda a gente...
HĂĄs amarguras; dor do que sente,
A minhâalma em vos compreender!
Pregado a cruz de minha estrada,
Podem me ver como luz de alvorada,
Ou como ocaso dâum sĂŁo pecador!
Posso ser sol, trevas, mutĂĄvel deserto,
Ser porta fechada, ou lĂrio aberto
Sob as esmolas dâum sĂł pouco amor!
A UMA CONSORTE
Ăs como aroma de rosas! Adolescente,
Como uma pomba divina de amor...
Ăs como do cĂ©u o sol! Simplesmente,
Como o clarĂŁo da lua em esplendor...
Tens sorrisos Ă face, e, suavemente
O corpo desfila em andares de primor...
Tens anseios que se embalam, docemente
Ă pele rubra em brados belos e sem dor!
Por existir em chama viva, em queimar
Qual astro poente a procurar
Na noite longa o brilho intenso percorrer,
Ăs como as estrelas de azuis celestes,
Que inteiramente me enriqueces
No infinito do teu amor nunca a morrer...
EXPRESSĂO
Digo aos versos a voz conspirada,
Qual dispersa amargura e amor...
Que vem quente, outrâora gelada,
Que vĂȘm trevas e vem esplendor...
Digo de alma, de ternura apagada,
De espĂrito-luz, de intenso fulgor...
Que digo da esperança fechada,
Que digo da fé a Deus-alto: Senhor!
Voz, que ao mudo, a alma chora...
De palavras frias, coração apavora,
Que apaga estrelas ao céu imenso...
Que ao reverso, perfume seâspalha...
Em primor aceso, do Divo que talha,
Como brisa mansa ao ar propenso...
VOCĂ Ă TODA A MINHA LUZ
Quando nesse mundo eu nĂŁo tiver
Mais a sua luz, meu amor, o teu viver,
Nada em mim poderĂĄ dizer
Que o sol nasce todas as manhĂŁs,
Que a lua brilha na paixĂŁo
E que no meu coração o sangue faz pulsar
No seu todo e intenso esplendor...
Quando nas estrelas nĂŁo luzir
O fulgor azul dos céus, é que o seu olhar
Dentre os astros fez se apagar
Todo o amor que entre nĂłs foi de existir...
E nada mais, meu amor, nada mais
Me serå de luar e até mesmo de sorrir...
Se que um dia isso puder acontecer
Nada mais de profundo que nĂŁo de vocĂȘ
Eu poderei dizer de amar...
Hoje ainda hĂĄ o sol sobre as montanhas,
E o meu todo amor por vocĂȘ
Somente haverĂĄ de se desfazer e apagar
Quando nesse mundo eu nĂŁo tiver
O que em mim se faz dizer
Que sĂł vocĂȘ, meu amor, hĂĄ de existir...
E quando de vocĂȘ o fulgor azul dos cĂ©us
Dentre as estrelas nĂŁo brilhar,
Ă que entre os astros fez se apagar
O amor que entre nĂłs Ă© de eu sentir...
E nada mais, meu amor, nada mais
Me serå de luar e até mesmo de sorrir...
O NOME DELA Ă PAIXĂO
TĂŁo deslumbrante, minha rainha, meu amor.
Pele de seda, cheirosas curvas, quente...
Com teu brasar de atração e de furor
Esquece-me o mundo ao teu beijo eloquente!
Tanto aos deuses eu a roguei... TĂŁo dependente,
Aos meus insanos carinhos de primor...
Que me destes aos teus Ăntimos, simplesmente,
Como profana de ternuras e de esplendor!
VisĂŁo sem olhos, Ă alma louca fosse outrora...
Pois minha prenda, minha pomba, tu és agora
O meu conforto ao deserto frio de ansiedade...
Como as rosas, eterna tu me seja a deslumbrar...
Pois que o meu corpo tu jĂĄ fazes exaltar
Desde o princĂpio em que te vejo Ă insanidade...
TRESLOUCADO
Eu sou a-quém vive o amor cantando,
Um påssaro a voejar por céu-além...
Um desdenhado ao tempo sonhando
Por se encontrar no que nĂŁo me tĂȘm...
Os segredos dum vultoso sol-harém...
Sou um vagante, aos poucos buscando
Os de afeição, e sem ser ninguém,
Dâoutra existĂȘncia vou desvairando...
Que lua, que fulgor intenso dâestrelas
AcalentarĂĄ meus cĂ©us, por eu de vĂȘ-las
No independente mundo em que sou?!
SolidĂŁo oculta! PaixĂŁo tanta! Perdido,
â Eu sou dos cĂ©us um condor ferido
Por um amor que nunca se encontrou...
LĂGRIMAS OCULTAS
Nesses meus sentimentos ocultos
Onde lhe guardo todo o amor,
Nessa imensa paixĂŁo, nesse calor,
Nas ansiedades que comigo vive...
Apenas te vivo esperança, querida.
Outrora fui realidade, uma vida,
Uma existĂȘncia que eu jamais tive,
Uma luz que nunca me brilhou.
O que agora me faz amar vocĂȘ
Ă o que tanto busco compreender
Nas verdades que eu nĂŁo tenho
E que nem por um instante eu sou.
Mas sei que ninguĂ©m me vĂȘ passar
Dentre as estrelas do céu imenso,
Sob a razĂŁo que comigo ignora,
Nem no coração que por vocĂȘ chora
Nas noites plenas e brancas de luar.
Nessas lĂĄgrimas que me faz perecer
Eu sĂł nĂŁo quero ocultar novamente,
O sonho, a busca que me faz viver...
O que Ă© de mim tĂŁo simplesmente
Uma esperança de reencontrar vocĂȘ.
INSANIDADE
Por que de vida estranha pĂŽde o amor?
Que sentimento corrompe e engana
Em gume desejado, sem que o fosse dor
Numa vida ardente e de alma insana?
Por que de vida alheia a paixĂŁo profana?
Quais eloquentes vozes de condor
Ao brado de anseios duma alma humana
PÎde o coração sem que a fosse ardor?
Antes inspirados em desejos poucos
Os meus lĂĄbios ĂĄvidos e inconsequentes,
Que fosse a sofrer eu em sonhos loucos...
MĂłvel no qual me ponho a dormir
Sentindo os castigos das cobiças quentes,
E que nada de insano fosse a eu devir!
TĂȘm dias que, a gente acorda com a vontade de sacudir o mundo pra ver se cai umas moedinhas de amor, pra colocar nos bolsos dos coraçÔes de algumas pessoas!
Feliz aquele que chegar onde estou !
com humildade,
paciĂȘncia,
amor ao prĂłximo,
perseverança,
respeito,
e muito amor prĂłprio,
e conquistar a vida feliz.
A felicidade existe e estĂĄ inserida em mim.
Amor nĂŁo vem das palavras...
Amor vem do coração!
Amor nĂŁo vem de promessas...
Amor vem de atitudes!
Amor nĂŁo vem de sorrisos...
Amor vem de carinho!
Amor vem...de quem tem amor para dar!
Sergio Fornasari
Ă amor, eu sei!
VocĂȘ sabe que Ă© amor quando ele te transborda.
NĂŁo Ă© se sentir completa, Ă© se sentir plena, transbordando, nĂŁo cabendo num corpo sĂł. Mas toda essa loucura acontece num silĂȘncio e numa calmaria que sĂŁo assustadores.
Ă amor quando o cheiro dele fica em vocĂȘ e aĂ vocĂȘ se pega sorrindo, desejando aquilo todos os dias, pela vida inteira, mas sem pressa, sem urgĂȘncia, no tempo certo, sem desvarios.
Acontece apenas uma vez na vida e, atĂ© os mais frios e racionais se rendem e admitem: vivi atĂ© aqui sĂł pra descobrir vocĂȘ, conhecer vocĂȘ e pronto, tudo que vier depois Ă© consequĂȘncia, nĂŁo Ă© tĂŁo importante como ter ao lado o grande e esperado amor, que desconstruiu mitos, que jogou fora o seu medo, que te fez enxergar mais longe, projetar com mais cuidado,ouvir com mais carinho, falar com mais cautela.
Ă ele dizer que vocĂȘ Ă© a melhor de todas, a mais bonita, a que se veste melhor, a que melhor sabe se maquiar, o cabelo mais cheiroso, o corpo mais bonito, o sorriso mais lindo e que tudo serviu pra ele te amar mais e se apaixonar ainda mais.
NĂŁo hĂĄ nada melhor que sentir que o seu sorriso preenche o olhar dele, que a sua voz Ă© melhor que o som do carro tocando a mĂșsica de vocĂȘs, que o seu cheiro Ă© mais interessante que qualquer outro - sĂł quem jĂĄ coube no amor de alguĂ©m, completou o espaço exato de pertencer ao outro, se sentiu plena, completa, transbordando, sĂł quem jĂĄ viveu isso sabe o quanto vale a pena esperar pelo grande amor.
Houve um tempo em que eu era uma mulher e ele, um homem. Mas, nosso amor cresceu, até não existir mais nem ele nem eu. Lembro-me apenas, vagamente, que antes éramos dois e que o amor, intrometendo-se, tornou-nos um só.
