Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
A CLARIDADE DA TUA VERDADE.
Dizer a tua verdade, Ă© um ato de resgate Ăntimo nĂŁo uma sentença sobre o outro. Ă o momento em que a tua consciĂȘncia decide deixar de viver nas sombras do nĂŁo-dito para respirar na inteireza do que sente, percebe e compreende. A tua verdade nasce de dentro, moldada pelas experiĂȘncias que sĂł tu viveste, pelas sensibilidades que sĂł tu conheces, pelas feridas e pela luz que sĂł tu carregas.
Quando alguĂ©m expressa sua prĂłpria verdade, nĂŁo estĂĄ criando tribunais, nem ergue paredes morais que acusem o outro de falsidade. A verdade pessoal nĂŁo tem vocação para arma; tem vocação para libertação. A tua verdade Ă© tua e, por isso mesmo, nĂŁo precisa desmerecer a histĂłria, o olhar ou a compreensĂŁo de ninguĂ©m. Cada consciĂȘncia habita uma moldura distinta, e Ă© dessa moldura que emergem percepçÔes que podem convergir ou divergir.
Psicologicamente, dizer a própria verdade significa assumir responsabilidade pela própria visão de mundo, sem depositar no outro o peso do que se sente. à o ato de nomear emoçÔes para libertå-las, não para condenar alguém com elas. à a coragem de não silenciar o que te fere, mas também de não transformar tua ferida em acusação. à assumir-se inteiro sem exigir que o outro responda à tua inteireza.
No Ăąmbito introspectivo, expressar a verdade Ă© um exercĂcio de alinhamento. Quando permaneces calado por medo, receio ou prudĂȘncias excessivas, tua alma se contorce num labirinto onde tu mesmo te perdes. Mas quando falas com honestidade, ainda que tua voz tremule, nĂŁo se trata de desmascarar ninguĂ©m trata-se de te reencontrar. Ă o momento em que compreendes que a tua verdade nĂŁo precisa da mentira alheia para existir: ela se sustenta por si mesma.
Atribui sentido galopante ao teor de alforria. A libertação que vem do gesto simples e profundo de dizer: âĂ assim que vejo, Ă© assim que sinto.â A tua verdade nĂŁo vai atrĂĄs de culpados; vai atrĂĄs de coerĂȘncia. Ela nĂŁo exige reverĂȘncia; exige respeito por ti mesmo. Ela nĂŁo aponta dedos; abre portas.
Quando dizes a tua verdade, tu te libertas e libertas tambĂ©m o outro. Porque tiras dele o jugo da interpretação, da adivinhação, da suposição. Permites que cada um permaneça no seu lugar de consciĂȘncia, devolvendo a cada qual a dignidade de sua prĂłpria narrativa.
Dizer a tua verdade não transforma ninguém em mentiroso. Apenas te devolve ao território sagrado onde tua alma respira sem medo.
O PorĂŁo Onde Florescem as Sombras.
Parte II.
(por: Joseph Bevouir , com evocação de Camille Marie Monfort).
Camille Monfort caminhava entre as frestas do tempo, onde as sombras ainda tinham perfume de primavera. Seu rosto era um vĂ©u de silĂȘncio, e nos olhos trazia a vertigem do que jĂĄ nĂŁo podia ser dito.
No porĂŁo da consciĂȘncia aquele lugar onde a memĂłria se torna eco floresciam suas dores, tĂȘnues e luminosas como astros mortos.
Primavera de solidĂŁo aindaâŠ
NĂŁo te ocultes, Camille.
Tu és o espectro ferido que caminha entre palavras caladas, entre os nomes que não ousas pronunciar, entre os sonhos que se dissipam antes do amanhecer.
Ăs, ao mesmo tempo, o que foge e o que acusa.
Ăs o reflexo e o estilhaço.
Ăs o outro sempre o outro quando julgas nĂŁo ver a tua prĂłpria pĂĄlida nudez.
Mas ainda assim te vĂȘs, refletida nos cacos do espelho que quebras todos os dias com teus prĂłprios dedos.
E nesse gesto de quebrar o espelho hĂĄ uma prece muda, uma sĂșplica Ă s fronteiras do infinito mental. Camille nĂŁo temia o abismo, pois era nele que repousava sua lucidez. Tocava o indizĂvel com a mesma delicadeza com que se toca o rosto de um anjo moribundo.
O tempo, para ela, nĂŁo era uma linha era uma espiral. E em cada volta dessa espiral, ela renascia mais perto da verdade e mais distante de si mesma.
O amor, para Camille, era uma ruĂna sagrada; um templo onde sĂł os que sangram podem entrar descalços.
Assim, no silĂȘncio que antecede o Ășltimo pensamento, ela compreendia:
que toda luz Ă© filha das sombras,
que todo encontro é também uma despedida,
e que a alma â oh, a alma! â sĂł floresce quando se aceita o escuro porque Ă© dela se sentir melhor assim.
Camille Monfort, a que tocava o invisĂvel, a que habitava o porĂŁo onde florescem as sombras,
sabia que o infinito não estå nos céus mas no espelho trincado da mente humana fora e em si.
O Chamado Silencioso do Teu Deserto Interior.
â Um DiĂĄlogo que Te Desvela.
Apenas acende tochas no escuro das tuas prĂłprias cavernas interiores.
HĂĄ um lugar dentro de ti que te parece profundamente secreto, quase interditado. NĂŁo porque seja sombrio, mas porque Ă© verdadeiro demais. E a verdade tem o hĂĄbito de nos encarar de frente, sem ornamentos face to face, como dizem em inglĂȘs (frente a frente). Ă justamente por isso que tu o evitas: temes que ali se revele a tua audĂĄcia legĂtima, aquilo que hĂĄ muito deixaste dormir sob o peso das expectativas, das reaçÔes alheias, das justificativas tĂŁo delicadamente construĂdas para te manter longe de ti mesmo.
Esse espaço Ă© teu deserto interior nĂŁo um vazio, mas um lugar onde nada distrai. Onde tudo o que existe Ă©s tu, sozinho com tuas inquietaçÔes, tuas contradiçÔes, teus desejos ainda sem nome. Por isso ele te abala. Porque aquilo que tentas sustentar externamente nĂŁo resiste ao espelho desse silĂȘncio.
Ha uma pergunta que nĂŁo responde nada por ti:
Por que relutas tanto em entrar nesse deserto, se Ă© justamente ali que guardaste o que te falta?
NĂŁo corro para te oferecer solução. Apenas deixo que a pergunta te toque como ĂĄgua na pedra suave, mas contĂnua.
Quando te aproximas desse territĂłrio Ăntimo, começas a perceber que o temor que sentes nĂŁo Ă© pelo desconhecidoâŠ
Ă© pelo que jĂĄ sabes e finges nĂŁo saber.
EntĂŁo te pergunto:
O que exatamente temes encontrar ali que nĂŁo toleras dizer em voz alta?
Talvez uma verdade antiga esperando pela tua coragem renovada.
Talvez uma dor que sĂł precisa ser escutada, nĂŁo temida.
Talvez um talento, um impulso criativo, uma força que te intimida porque te convoca a viver com mais autenticidade.
Se esse deserto fosse, na verdade, o lugar onde começa o teu caminho e não onde termina o teu fÎlego como mudaria o que chamas hoje de dificuldade?
Percebes?
Não hå imposição.
Só perguntas⊠aquelas que te devolvem a ti mesmo.
A jornada interior nĂŁo Ă© um chamado para fugir do mundo, mas para deixar de fugir de ti.
Quando te aproximas desse nĂșcleo secreto, algo se realinha silenciosamente: o que te abala por dentro deixa de comandar o que mostras por fora.
E assim, pouco a pouco, vais descobrindo que a porta do deserto nunca esteve trancada.
Tu Ă© que aprendeste a desviar o olhar.
EntĂŁo te deixo com a Ășltima pergunta aquela que abre todas as outras:
Quando Ă© que tu vais te permitir entrar no lugar onde finalmente podes ser inteiro?
Essa respostaâŠ
sĂł tu podes dar.
PERGUNTAS.
" Toda pergunta que te toque Ă© como a ĂĄgua que acaricia a pedra suave na superfĂcie, contĂnua na paciĂȘncia, atĂ© que um dia no silĂȘncio que amadurece ela finalmente te abra uma passagem. â
O Grupo de Estudos EspĂritas Frederico Figner e Seus Trabalhadores
Agradecemos a Deus, fonte de toda sabedoria e luz, a Allan Kardec e aos EspĂritos amigos que, com benevolĂȘncia e zelo, se comprazem em nos assistir. Pelo amparo que nos oferecem, temos podido conduzir com serenidade, disciplina e sincero propĂłsito de aprendizado as atividades do Departamento de Estudos do Livro dos EspĂritos, realizadas todos os domingos, Ă s 17h50.
Nessas reuniÔes, buscamos compreender, com respeito e dedicação, as propostas elevadas que o Espiritismo nos apresenta, enriquecidas pelas valiosas contribuiçÔes e reflexÔes dos participantes, em ambiente de paz e fraternidade.
Narrativa Inspirada no Conto Sufi.
Fragmentos do Infinito.
Conta um antigo conto da tradição sufi, atribuĂdo a diversas escolas do Oriente MĂ©dio, que a Verdade em sua pureza integral desceu Ă Terra e os homens nĂŁo puderam contemplĂĄ-la em sua totalidade. Para que nĂŁo se perdesse por completo, Deus partiu a Verdade como se fosse um espelho, e lançou seus estilhaços ao mundo.
Desde então, cada ser humano carrega em si um pequeno fragmento desse espelho divino, refletindo uma porção da Verdade, mas jamais o seu todo. Aqueles que tentam impor seu pedaço como sendo a totalidade do espelho, sem reconhecer os fragmentos que os outros portam, caem na ilusão do orgulho e da cegueira espiritual.
LAMĂRIAS SOB AS SOMBRAS.
âHĂĄ luzes que nĂŁo iluminam â apenas revelam a escuridĂŁo que trazemos por dentro.â
MARIA AO PĂ DA CRUZ.
Do livro: Nas SandĂĄlias do Nazareno.
CapĂtulo 10, 15 de dezembro - ano 2000..
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
LĂĄ no CalvĂĄrio estava Maria, olhando o Filho amado agora suspenso no madeiro da cruz.
Ajoelhada sob as prĂłprias lĂĄgrimas, via, entre o pranto e a dor, as lembranças suaves de um tempo distante o tempo em que o seu menino lhe sorria com inocĂȘncia divina.
Agora, porĂ©m, seus olhos olhos flagelados pela dor viam em cada ferida o sacrifĂcio do Amor.
Jesus, submisso Ă cruz, deixava-se deitar sobre o instrumento que o dilaceraria.
Os soldados, cegos de ódio, riam em insùnia; e ele, o Cordeiro sereno, ajudava a acomodar-se sobre o madeiro, como quem abraça a própria missão.
Martelos erguiam-se.
Mãos e pés do Justo eram transpassados pelos cravos, enquanto o Amor respondia com perdão.
No meio do rumor dos golpes e dos gemidos, Maria era puro sangue em lĂĄgrimas lĂĄgrimas que se transmutavam em luz.
A cruz entĂŁo se ergueu.
O corpo de Jesus pendeu, comprimindo-lhe os pulmÔes; o ar lhe faltava.
Movimentou-se apenas um pouco, como quem busca aliviar o peso dos cravos.
Maria â MĂŁe â permanecia ali, diante do Rei dos Reis, sofrendo as mesmas dores do seu eterno Menino.
Ouviu, entre soluços, a voz blasfema de um dos crucificados, clamando por libertação.
O coração de Maria estremeceu seu Filho era inocente.
Mas outro grito, agora de fé, fez-se ouvir: era Dimas, o bom ladrão.
â Tu nĂŁo vĂȘs? Ele Ă© inocente... mas nĂłs, nĂłs merecemos!
Mestre, lembra-te de mim quando estiveres em Teu Reino.
Jesus, exaurido, contemplou-o com doçura.
E no sopro que lhe restava prometeu-lhe o Amor:
â Hoje mesmo, estarĂĄs comigo no ParaĂso.
Ah, Maria...
Que amor Ă© esse? Que hora Ă© essa?
Em ĂȘxtase de dor e compreensĂŁo, a MĂŁe vĂȘ, em visĂŁo espiritual, outras mulheres mĂŁes, esposas, irmĂŁs cujos coraçÔes se despedaçavam ante o mesmo suplĂcio de ver morrerem os seus.
Abraçou-as com o olhar e, em cada uma delas, reconheceu o espelho da própria dor.
E foi ali, no auge do sofrimento, que Maria compreendeu plenamente quem era o seu Menino e por que viera ao mundo.
O silĂȘncio entĂŁo tomou o Monte da Caveira.
Sombras invisĂveis pairavam sobre o crepĂșsculo da Terra.
Mas Maria continuava sendo luz.
E amando em compreensão, amando a humanidade, mergulhou na claridade do Sol eterno aquele mesmo Sol que era o seu Filho, resplandecendo para os confins dos séculos.
"Eu perdoo porque hĂĄ dores maiores em mim."
HĂĄ feridas que nĂŁo se veem, mas que brilham como estrelas dentro do peito. SĂŁo dores antigas, silenciosas, que aprenderam a se calar para nĂŁo assustar os outros. No entanto, Ă© delas que nasce o perdĂŁo nĂŁo como renĂșncia, mas como uma forma delicada de libertar o prĂłprio coração.
Perdoar não é esquecer. à olhar para o outro e compreender que ele também se perdeu no caminho, talvez ferido pelas mesmas sombras que um dia nos alcançaram. Hå uma nobreza secreta em quem sofre e, ainda assim, escolhe oferecer ternura.
Quando a alma amadurece, descobre que o rancor pesa mais que uma cruz. E Ă© entĂŁo que o perdĂŁo floresce, suave, quase tĂmido como uma flor que desabrocha no deserto. Ele nĂŁo apaga a dor, mas a transforma em luz.
Eu perdoo porque compreendo. Porque sei que, se nĂŁo o fizesse, seria a minha dor que me prenderia ao que jĂĄ passou. E a vida Ă© tĂŁo breve, tĂŁo urgente em sua beleza ou mesmo em sua aparente tristeza, que nĂŁo merece ser gasta guardando espinhos.
Por isso, perdoo.
Não por grandeza, mas por necessidade de respirar. Porque dentro de mim, entre as cicatrizes, ainda hå espaço para a pureza.
Quando o Toque se Faz Eternidade.
âO toque, quando autĂȘntico, converte-se em epifania; e o efĂȘmero, subitamente, adquire a dignidade do perene. Por isso, a alegria Ă© o que desejo gravado em meu epitĂĄfio.â
HĂĄ instantes, raros e quase inaudĂveis, em que a vida se inclina sobre nĂłs com uma doçura antiga. Ă o instante em que algo um olhar, um som, um gesto toca o centro invisĂvel do ser. Ă nesse toque, breve como o sopro de uma harpa, que o efĂȘmero deixa de ser apenas passagem: torna-se revelação.
Rilke dizia que âa beleza Ă© o começo do terrĂvel que ainda podemos suportarâ.Âč Talvez por isso o artista, o amante, o poeta e o espĂrito sensĂvel busquem incessantemente essa fronteira onde o instante se ilumina por dentro. Ă ali que a arte nasce nĂŁo da vontade, mas da necessidade de transfigurar o transitĂłrio em eternidade.
A beleza nĂŁo salva o mundo apenas por existir: ela o desperta. Ă uma lembrança de que hĂĄ um pulso divino em cada forma, uma vibração silenciosa em cada cor, um apelo Ă transcendĂȘncia em cada sombra. O toque autĂȘntico, seja o de uma mĂŁo, de uma palavra, ou de uma nota musical Ă© a sĂșbita irrupção do eterno no coração do instante.
E quando esse toque acontece, a vida deixa de ser mera sucessĂŁo de dias: torna-se rito, poema, oferenda.
Assim, a vida nĂŁo Ă© mero contentamento, mas gratidĂŁo por ter sido tocada pelo indizĂvel.
Ă no epitĂĄfio da alma que soube sentir, que ousou criar, que amou o belo apesar das ruĂnas, deve estar escrita apenas uma palavra: Alegria.
Âč Rainer Maria Rilke. Elegias de DuĂno, I Elegia. Tradução de Paulo Quintela. Lisboa: RelĂłgio DâĂgua, 2001.
"A beleza Ă© o instante em que o espĂrito reconhece, com espanto, que a vida tambĂ©m da dor pode florescer."
âSe a tua Ășltima vela arder apenas por um fio de paz e fĂ©, ainda assim, nenhuma noite serĂĄ capaz de sufocar-lhe o brilho; pois mesmo a menor centelha, quando nasce da alma, desafia o escuro do mundo.â
Quando Vincent Van Gogh deixou este mundo em 1890, considerava-se um fracasso. Vendera apenas trĂȘs quadros em toda a sua vida e o mundo via-o como um perdedor sem talento.
Mas a sua cunhada, Johanna Van Gogh, recusou-se a deixar o seu trabalho desaparecer.
Primeiro perdeu o marido Theo, o Ășnico que acreditou em Vincent. ViĂșva e com um filho pequeno herdou 400 quadros de um artista desconhecido e um apartamento em Paris. O que Ă© que ela fez? Vendeu tudo e apostou no Van Gogh.
Transformou sua casa em uma pensĂŁo para sobreviver, mas no seu tempo livre escreveu cartas, organizou exposiçÔes e publicou a correspondĂȘncia entre Vincent e Theo.
Em 1905, conseguiu o impensåvel: organizou uma grande exposição de Van Gogh em Amsterdã. O mundo finalmente viu o que Vincent deixou para trås.
Se hoje conhecemos Van Gogh, é graças a uma mulher que se recusou a esquecer.
Inspirado por Jesus o guia moral por excelĂȘncia o espĂrito perseverante encontra força para nĂŁo " Apenas sonhar com um mundo melhor, mas edificĂĄ-lo com suas prĂłprias mĂŁos e intençÔes purificadas.
A transformação Ăntima Ă©, pois, a semente espiritual do futuro regenerado, destinada a florescer nas consciĂȘncias que compreendem que a verdadeira reforma começa no coração e se expande, como luz, atĂ© os confins da humanidade."
âA ĂĄrvore boa Ă© aquela que, ao ser ferida, exala perfume.â
Que o nosso exemplo, diante das injĂșrias e das provas, seja o testemunho mais eloquente da mensagem do Cristo. "
âBEM ESTAR E ESTAR BEM.
âA paz do Cristo nĂŁo Ă© a paz do mundo. Ă a paz da consciĂȘncia reta, do dever cumprido, da fĂ© inabalĂĄvel no porvir.â
(LĂ©on Denis. âO Problema do Ser, do Destino e da Dorâ, cap. XXII)
Que aprendamos, pois, a buscar menos o bem-estar ilusĂłrio e mais o estar bem verdadeiro, cultivando a alma, praticando o bem e iluminando nossa consciĂȘncia.
Frase motivacional:
"Quando tudo ao redor parecer desabar, preserve a sua paz. Porque quem estĂĄ bem consigo mesmo nĂŁo depende do mundo para ser feliz."
O Movimento EspĂrita precisa sair desse Igtejismo( termo utilizado por JosĂ© Herculano Pires) perpĂ©tuo e adentrar nos outros fundamentos bĂĄsicos da doutrina. Como diz o filĂłsofo, pesquisador, escritor, tradutor JosĂ© Herculano Pires : A Doutrina EspĂrita Ă© maravilhosa, mas o Movimento EspĂrita deixa muito a desejar. Vamos tirar a Trave dos nossos olhos e abrir esses mesmos olhos, a mente e estudar o Ser humano, suas nuances, seus inter e intra relacionamentos Ă Luz da Doutrina EspĂrita. Vamos pensar e refletir sobre tudo isso.
âA Santidade do Pecado Que Ainda Me Chamaâ
HĂĄ um altar em mim e nele repousas,
com o perfume dos que foram sagrados pelo erro.
Teu nome nĂŁo se apaga, apenas silencia,
como se a eternidade tivesse medo de pronunciar o que fomos.
Ăs santo agora dizem os anjos,
mas eu, que te amei no pĂł e no fogo, sei que hĂĄ cinzas que ardem mais que a chama.
Tua inocĂȘncia nĂŁo me consola;
ela me fere, como a pureza de um véu sobre um corpo que ainda treme na lembrança.
Foste o pecado que ajoelhou,
o amor que quis absolvição,
mas o divino nĂŁo apaga o humano, apenas o exila num suspiro.
Eu nĂŁo sonho contigo apenas descanso nas fronteiras do que nĂŁo pode voltar.
E quando o sono me concede tua sombra, não desperto: permaneço suspenso,
entre o sacrĂĄrio e o abismo,
onde tua voz ainda pede perdĂŁo
por ter amado demais.
Na carne, morre-se uma vez;
no espĂrito, infinitas.
E em cada morte tua dentro de mim, renasce o silĂȘncio,
funĂ©reo, ardente, onde minha alma te beija pela Ășltima vez
sem jamais te deixar.
âEntre o corpo e o infinito nĂŁo hĂĄ serenidade sem responsabilidade, nem harmonia sem esforço moral.
Agir com calma, compreender o outro, e converter as experiĂȘncias em degraus de crescimento Ă© o caminho seguro para a verdadeira paz. Essa serenidade nĂŁo Ă© passividade, mas sabedoria em ação: Ă© a força de quem aprendeu a reagir com luz diante das sombras do mundo.
Entre o corpo e o infinito, o EspĂrito humano constrĂłi sua eternidade. Cada gesto de cuidado, cada palavra de amor e cada pensamento de fĂ© convertem-se em sementes que florescem no jardim da alma.
A educação moral, a comunicação consciente e a oração sincera sĂŁo os trĂȘs pilares de uma nova civilização mais fraterna, mais justa e espiritualmente desperta.
Que saibamos, pois, reencontrar o equilĂbrio entre a matĂ©ria e o espĂrito, transformando o cotidiano em um hino silencioso de amor e progresso.
âA verdadeira paz nasce quando a alma aprende a conversar com Deus dentro de si.ââ
O Eterno Quadro da AusĂȘncia.
I â O AteliĂȘ do SilĂȘncio.
Hå um instante em que a alma, fatigada, jå não distingue se o que sente é dor ou lembrança.
O ar pesa como tinta não misturada, e o coração lateja como um relógio que perdeu a noção do tempo.
Tudo o que resta Ă© o quadro diante de mim â o mesmo, sempre inacabado â e o vulto que ele insiste em reter, ainda que o corpo que o inspirou jĂĄ nĂŁo exista senĂŁo nas dobras do pensamento.
O amor, esse artista cruel, ensinou-me a pintar com lågrimas. Cada traço é uma despedida, cada cor, uma esperança morta.
HĂĄ dias em que creio tĂȘ-la libertado da tela, e outros em que percebo: foi ela quem me aprisionou nela.
II â O Olhar Que Permanece.
HĂĄ algo de doentio em amar o que jĂĄ nĂŁo nos responde.
E, no entanto, Ă© nesse delĂrio que a vida encontra sua Ășltima beleza.
O olhar que me fita do retrato nĂŁo Ă© mais o dela â Ă© o meu, devolvido em eco, fragmentado pela saudade.
Sou eu, dividido entre o que amo e o que perdi, entre o real que nega e o sonho que insiste.
Dizem que a morte Ă© o fim, mas a ausĂȘncia Ă© mais cruel: ela continua viva, mas intocĂĄvel.
A cada noite, o pincel busca uma cor que nĂŁo existe â o tom exato daquilo que foi amado.
E, quando o encontro, jå é tarde: a luz da manhã dissolve o milagre, e eu retorno à doença da razão.
III â Filosofia da Perda.
A realidade Ă© um quadro imperfeito.
NegĂĄ-la Ă© o instinto dos que amaram demais.
Aqueles que jĂĄ tocaram o abismo da ternura sabem: o amor Ă© uma forma de sofrimento escolhido â a mais nobre das enfermidades.
E hĂĄ uma pureza nisso, uma santidade quase patolĂłgica: viver Ă© prolongar o instante que nos mata.
O pensamento, esse mĂ©dico impotente, observa o coração como quem assiste a um incĂȘndio que nĂŁo se apaga.
O amor Ă© o fogo, e a ausĂȘncia, o vento.
Nada Ă© mais real do que a dor que se sente quando tudo o mais jĂĄ cessou de existir.
IV â O Funeral do Sentimento.
A doença nĂŁo Ă© do corpo â Ă© da lembrança.
Diviso, Ă s vezes, o meu prĂłprio funeral: nĂŁo hĂĄ lĂĄgrimas, sĂł o eco das minhas palavras presas nas paredes do quarto.
Sobre o caixĂŁo, o quadro: inacabado, obstinado, com aquele mesmo olhar que me persegue.
Ă o retrato daquilo que amei e daquilo que fui.
Talvez o amor seja isto â a tentativa insana de imortalizar o que o tempo jĂĄ levou.
Talvez a morte seja apenas a moldura que encerra o Ășltimo sonho.
O Funeral do Sentimento.
A doença não é do corpo é da lembrança.
Diviso, Ă s vezes, o meu prĂłprio funeral: nĂŁo hĂĄ lĂĄgrimas, sĂł o eco das minhas palavras presas nas paredes do quarto.
Sobre o caixĂŁo, o quadro: inacabado, obstinado, com aquele mesmo olhar que me persegue.
Ă o retrato daquilo que amei e daquilo que fui.
Talvez o amor seja isto â a tentativa insana de imortalizar o que o tempo jĂĄ levou.
Talvez a morte seja apenas a moldura que encerra o Ășltimo sonho.
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