Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
â UM SĂ SONETO
Somente um soneto cru, precĂĄrio
Poetizando a sensação repartida
TĂŁo singular, vazio, tĂŁo deficitĂĄrio
E, aceita calmamente a dor doĂda
Qual a um verso em um relicĂĄrio
IntocĂĄvel, inerte, exilado da vida
Ferido em espinho, sem itinerĂĄrio
Sangrando aquela paixĂŁo partida
Somente um sĂł soneto bem podia
Nas estrofes o sentido arrebatado
Embalado com poética na poesia
Fazendo palpitar o canto, cantado
Dando asas a ilusĂŁo, e que voaria
Nas rimas do coração apaixonado.
© Luciano Spagnol â poeta do cerrado
11 março, 2024, 20â04â â Araguari, MG
â Sou um caos ambulante sem destino, ando pelos cantos e camas, tropeçando em sentimentos e histĂłrias, nĂŁo posso enxergar, tocar e sentir o sabor, mas me permita viver mais um minuto ao seu lado, porque esse pequeno momento Ă© familiar e me faz sentir em casa.
â Somos iguais e diferentes, vivemos em vidas opostas, vocĂȘ existe na terra dos sonhos e eu vivo no mundo da imaginação...o caminho atĂ© vocĂȘ me faz querer esquecer de tudo, perco os sentidos e sinto seu calor...quero me envolver nele, e fazer de seu corpo minha morada, despertar minha voz mais profunda, e levar comigo a poeira e cinzas das lembranças que nunca tivemos.
â Ela entĂŁo deu seu Ășltimo beijo, entregou-se ao vento e partiu...ali nĂŁo era mais seu lugar, sentindo a dor queima-la por dentro, rasgou-se e saiu de sua pele, nas chamas das lĂĄgrimas e esperanças partidas, e sem rosto, pode enfim sentir seu coração.
â E aquele momento pareceu tĂŁo familiar e cheio de vida, que ela nĂŁo pode evitar e entregou-se, um toque suave percorria sua pele, como o vento que toca as areias brilhantes, e a cada movimento, ela se transmutava, sabia que nuca mais seria a mesma, seu suor a batizava para uma nova vida.
â A força de seu coração fez renascer aquele calor que a muito nĂŁo queimava em seu sangue e a dominava, foi arrebatada por ele, pois ela era filha do fogo e podia arder novamente
â Eu era um plantador , entĂŁo eles vieram e roubaram meus olhos para que eu nĂŁo visse a luz do dia , a chuva , roubaram minhas mĂŁos para que eu nĂŁo tocasse o solo, minhas sementes , meu ego , levaram tudo... mas na escuridĂŁo olhei para dentro de mim , e lĂĄ estava a fĂ© na energia criadora, o que me conecta com o mundo , e nĂŁo ter nada me fez ter tudo , me fez ser eu mesmo... livre.
â Andei pensando como poderia lhe dizer o quanto vocĂȘ significa para mim
Lembro de quando me apaixonei por voce, como se fosse ontem Ă noite
Deitado, ao seu lado naquele apartamento minĂșsculo...
Me dei conta de que eu era parte de algo maior
Assim como os nossos pais, ou os pais dos nossos pais
Antes eu vivia a minha vida como seu eu soubesse tudo
E de repente uma luz forte, um clarĂŁo me ofuscou, e me fez acordar
Essa luz era vocĂȘ
Nem acredito que jĂĄ se passaram 50 anos desde que nos casamos
E até hoje e todos os dias
Sinto-me o mesmo garoto de quando vocĂȘ acendeu as luzes
Me acordou e começamos essa aventura juntos
Meu amor, minha amiga até o fim...
â Nas entranhas de um escuro sĂĄbado a tarde, ela te sentiu, te sentiu sem vida e sem brilho, porque era a hora das lembranças tristes, dos coraçÔes que a muito ferveram de paixĂŁo e agora descansam sobre a pĂĄlida nĂ©voa do inverno.
â Algumas pessoas nos fazem amar como nunca imaginamos que pudĂ©ssemos amar antes. Amores antigos, tudo que jĂĄ passamos, se torna pequeno, crescemos atravĂ©s do amor verdadeiro, um novo mundo se abre, e entĂŁo, quando o relacionamento chega ao fim, passamos a pensar que nunca mais amaremos outra pessoa na vida...nos perdemos, fica um vazio gigantesco, um medo de sofrer, de se relacionar de novo... mas a verdade sobre esses grandes e devastadores amores, e que eles nos transformam, mudam nossa percepção de estar junto de alguĂ©m... depois deles, serĂĄ impossĂvel tocar, abraçar e beijar sem sentimento, sĂł o real alimenta nosso coração, cheio de cicatrizes de paixĂŁo, sina de quem amou e ama demais, porque a cada dor amamos mais, e Ă© impossĂvel amar menos...
â Ela sentiu entĂŁo uma vontade de viver seu presente de forma intensa e absoluta, entregar-se por completo, sua alma queria voar, mas seu coração estava preso a suas lembranças e de forma dolorosa a cada dia ela se entregava ao hĂĄbito de reviver pequenos momentos que nunca mais voltariam.
â Nunca entendi este hĂĄbito de cobrar a perfeição, se somos imperfeitos, pois temos medo atĂ© de enfrentar nossos prĂłprios fantasmas, entĂŁo enxergar a todos de forma comum, Ă© mais fĂĄcil, superficial e social... mas para conhecer de verdade Ă© preciso querer ver alĂ©m dos olhos, ter coragem, alĂ©m das barreiras normais, eu enxergo a sua dor e aceito suas imperfeiçÔes e neste momento somos iguais....
â Oh menina onde cĂȘ tĂĄ eu vou passar ai
Ă que eu me perdi no teu encanto
Mas o que eu vou falar cĂȘ vai gostar de ouvir
E se eu gaguejar entĂŁo eu canto...
â Me diz onde cĂȘ tĂĄ
Que eu tĂŽ chegando aĂ
Pra te falar aquilo que eu deixei passar
Faltou palavras quando eu te vi passar aqui
Sorrindo com esse jeito de olhar
Oh menina onde cĂȘ tĂĄ eu vou passar ai
Ă que eu me perdi no teu encanto
Mas o que eu vou falar cĂȘ vai gostar de ouvir
E se eu gaguejar entĂŁo eu canto...
â Por aĂ foi por onde te encontrei
Por aĂ eu tĂŽ querendo te levar
Diz aà se quiser isso também
Vai fluir como se fosse onda no mar!
â Como onda no mar vamos deixar atĂ© o amanhecer
Desdobrar do cĂ©u as nuvens de papel machĂȘ
Os cachos do teu cabelo me fizeram perceber
Cada mola cada curvar mais vontade de correr!
â Eu caio do teu lado pra te confortar
Das vez que saiu pensando em desistir dos momentos que sumi tentando me encontrar
De novo fugi sai por aĂ pra espairecer fiz balĂŁo voar
SĂł quando eu voltei e te vi aqui nĂŁo tiro a ideia de comigo te levar
Por aĂ pra nĂłs assistir o astro rei subir num amanhecer
SĂł nos colar junto sem clichĂȘ vamo fazer a trilha construir momentos pra dividir dia chama pra sair e eu vou com vocĂȘ.
