Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

...vocĂȘ cresceu em mim de um jeito completamente insuspeito, assim como se vocĂȘ fosse apenas uma semente e eu plantasse vocĂȘ esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no mĂĄximo uma roseira, Ă©, nĂŁo estou sendo agressivo nĂŁo, esperava de vocĂȘ apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que vocĂȘ crescesse livremente.

Caio Fernando Abreu
ABREU, C., O Ovo Apunhalado, 1975.

AFINIDADE

A afinidade nĂŁo Ă© o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
E o mais independente.
NĂŁo importa o tempo, a ausĂȘncia, os adiamentos,
as distĂąncias, as impossibilidades.
Quando hĂĄ afinidade, qualquer reencontro
retoma a relação, o diålogo, a conversa, o afeto
no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade Ă© nĂŁo haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do bĂĄsico sobre o superficial.

Ter afinidade Ă© muito raro.
Mas quando existe nĂŁo precisa de cĂłdigos
verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece depois que
as pessoas deixaram de estar juntas.
O que vocĂȘ tem dificuldade de expressar
a um nĂŁo afim, sai simples e claro diante
de alguĂ©m com quem vocĂȘ tem afinidade.

Afinidade Ă© ficar longe pensando parecido a
respeito dos mesmos fatos que impressionam comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento...

Afinidade Ă© sentir com. Nem sentir contra,
nem sentir para, nem sentir por.
Quanta gente ama loucamente,
mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado,
nĂŁo para eles prĂłprios.

Sentir com Ă© nĂŁo ter necessidade de explicar o que estĂĄ sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando falar,
jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade Ă© jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem nĂŁo tem afinidade, questiona por nĂŁo aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silĂȘncio, tanto das possibilidades exercidas,
quanto das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que
parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser,
cada vez mais a expressĂŁo do outro sob a
forma ampliada do eu individual aprimorado.

Amar a si mesmo é o começo de um romance para toda a vida.

A fé consciente é liberdade.
A fé instintiva é escravidão.
A fé mecùnica é loucura.
A esperança consciente é força.
A esperança emocional é covardia.
A esperança mecùnica é doença.
O amor consciente desperta o amor.
O amor emocional desperta o inesperado.
O amor mecĂąnico desperta o Ăłdio.

Gurdjieff

Nota: Adaptação de trecho de Gurdjieff, citado por Paulo Coelho no texto "A Reflexão", publicado em 21/01/2010 na sua coluna no site Globo.com.

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A lei da gravidade nĂŁo pode ser responsabilizada pelo fato de uma pessoa cair de amores por outra.

NĂŁo havĂ­amos marcado hora, nĂŁo havĂ­amos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro.

Quando eu amo
Eu devoro
Todo o meu coração
Eu odeio
Eu adoro
Numa mesma oração

Chico Buarque

Nota: Trecho da mĂșsica Baioque.

Amores eternos

Eu acredito em amores eternos, daqueles que acompanham a gente pela vida inteira, como se tempo e amor se fundissem num sĂł elemento, tornando-se imutĂĄveis, indestrutĂ­veis.

Eu acredito em amores eternos, daqueles que vĂŁo com vocĂȘ para qualquer lugar, nĂŁo importando o quĂŁo distante vocĂȘ esteja, por que a pessoa amada reside em seu prĂłprio coração.

Acredito em amores eternos e sublimes, capazes de reconsiderar tudo, com suavidade, ternura e perdão.Acredito, sim, em amores para toda a vida, e além da vida, pois seria um tipo de amor unido à própria alma, e sem alma a vida não tem razão...

Amores eternos existem sim, e superam qualquer coisa, mesmo quando ninguém mais acredita neles, eles continuam sempre à espreita, esperando apenas um olhar, um retorno, uma reconciliação.

Juro que se eu pudesse voltaria no tempo sĂł pra descobrir, de novo, como Ă© gostar de vocĂȘ

Tarde demais a conheci, por fim; cedo demais, sem conhecĂȘ-la, amei-a profundamente. [Adaptado]

Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
Paralelos que se encontram no infinito...
No entanto sĂłs por enquanto.
Eternamente dois apenas.

Desconhecido

Nota: Muitas vezes atribuĂ­do, de forma errĂŽnea, a Pablo Neruda

Que a melhor sala de aula do mundo estå aos pés
de uma pessoa mais velha; Que quando vocĂȘ estĂĄ amando dĂĄ na vista; Que ter uma criança adormecida em seus braços Ă©
um dos momentos mais pacĂ­ficos do mundo.

Amei-te e por te amar
SĂł a ti eu nĂŁo via...
Eras o céu e o mar,
Eras a noite e o dia...
SĂł quando te perdi
É que eu te conheci...

Quando te tinha diante
Do meu olhar submerso
NĂŁo eras minha amante...
Eras o Universo...
Agora que te nĂŁo tenho,
És só do teu tamanho.

Estavas-me longe na alma,
Por isso eu nĂŁo te via...
Presença em mim tão calma,
Que eu a nĂŁo sentia.
SĂł quando meu ser te perdeu
Vi que nĂŁo eras eu.

NĂŁo sei o que eras. Creio
Que o meu modo de olhar,
Meu sentir meu anseio
Meu jeito de pensar...
Eras minha alma, fora
Do Lugar e da Hora...

Hoje eu busco-te e choro
Por te poder achar
NĂŁo sequer te memoro
Como te tive a amar...
Nem foste um sonho meu...
Porque te choro eu?

Não sei... Perdi-te, e és hoje
Real no [...] real...
Como a hora que foge,
Foges e tudo Ă© igual
A si-prĂłprio e Ă© tĂŁo triste
O que vejo que existe.

Em que és [...] fictício,
Em que tempo parado
Foste o (...) cilĂ­cio
Que quando em fé fechado
NĂŁo sentia e hoje sinto
Que acordo e nĂŁo me minto...

[...] tuas mĂŁos, contudo,
Sinto nas minhas mĂŁos,
Nosso olhar fixo e mudo
Quantos momentos vĂŁos
Pra além de nós viveu
Nem nosso, teu ou meu...

Quantas vezes sentimos
Alma nosso contacto
Quantas vezes seguimos
Pelo caminho abstrato
Que vai entre alma e alma...
Horas de inquieta calma!

E hoje pergunto em mim
Quem foi que amei, beijei
Com quem perdi o fim
Aos sonhos que sonhei...
Procuro-te e nem vejo
O meu prĂłprio desejo...

Que foi real em nĂłs?
Que houve em nĂłs de sonho?
De que NĂłs fomos de que voz
O duplo eco risonho
Que unidade tivemos?
O que foi que perdemos?

NĂłs nĂŁo sonhamos. Eras
Real e eu era real.
Tuas mĂŁos - tĂŁo sinceras...
Meu gesto - tĂŁo leal...
Tu e eu lado a lado...
Isto... e isto acabado...

Como houve em nĂłs amor
E deixou de o haver?
Sei que hoje Ă© vaga dor
O que era entĂŁo prazer...
Mas nĂŁo sei que passou
Por nĂłs e acordou...

Amamo-nos deveras?
Amamo-nos ainda?
Se penso vejo que eras
A mesma que és... E finda
Tudo o que foi o amor;
Assim quase sem dor.

Sem dor... Um pasmo vago
De ter havido amar...
Quase que me embriago
De mal poder pensar...
O que mudou e onde?
O que Ă© que em nĂłs se esconde?

Talvez sintas como eu
E nĂŁo saibas senti-o...
Ser é ser nosso véu
Amar Ă© encobri-o,
Hoje que te deixei
É que sei que te amei...

Somos a nossa bruma...
É pra dentro que vemos...
Caem-nos uma a uma
As compreensÔes que temos
E ficamos no frio
Do Universo vazio...

Que importa? Se o que foi
Entre nĂłs foi amor,
Se por te amar me dĂłi
JĂĄ nĂŁo te amar, e a dor
Tem um Ă­ntimo sentido,
Nada serĂĄ perdido...

E além de nós, no Agora
Que não nos tem por véus
Viveremos a Hora
Virados para Deus
E n'um (...) mudo
Compreenderemos tudo.

Fernando Pessoa
Pessoa Inédito

Ai, quem me dera

Ai quem me dera, terminasse a espera
E retornasse o canto simples e sem fim...
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim

Ai quem me dera percorrer estrelas
Ter nascido anjo e ver brotar a flor
Ai quem me dera uma manhĂŁ feliz
Ai quem me dera uma estação de amor

Ah! Se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem ser casais

Ai quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afins
E a liberdade nunca ser demais
E nĂŁo haver mais solidĂŁo ruim

Ai quem me dera ouvir o nunca mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E finda a espera ouvir na primavera
Alguem chamar por mim...

Vinicius de Moraes
Letra da mĂșsica "Ai, quem me dera", composta por VinĂ­cius de Moraes e Toquinho.

Em Ășltima anĂĄlise, precisamos amar para nĂŁo adoecer.

Sigmund Freud
Introdução ao narcisismo (1914).

Se o primeiro e o Ășltimo pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chega a apertar o coração: Ă© o amor!

Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso. Amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.

Paulo Freire

Nota: Trecho do vĂ­deo "O Educador da Liberdade"

Eu nĂŁo tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza nĂŁo Ă© porque saiba o que ela Ă©.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem por que ama, nem o que Ă© amar...

Alberto Caeiro

Nota: Trecho de "O Guardador de Rebanhos", do livro "Poemas de Alberto Caeiro", de Fernando Pessoa (heterĂŽnimo Alberto Caeiro).

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Atender a quem te chama é belo. Lutar por quem te rejeita é quase chegar à perfeição.

Desconhecido

Nota: Trecho do texto "A tua caminhada ainda nĂŁo terminou". A autoria do texto Ă© muitas vezes atribuĂ­da a Charles Chaplin.

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Para onde quer que fores, vai todo, leva junto teu coração.