Incomodar Alguém
Num hipotético reino de hipocrisia, as pessoas se incomodariam mais com a felicidade dos outros que com sua própria infelicidade.
Muitas pessoas incomodam outras por vários motivos, por: ciúmes, inveja, felicidade, beleza, inteligência, dinheiro, enfim. Eu sei que incomodo e sei também por quais motivos. E mais uma coisa: não me importo em incomodar.
Vivemos numa sociedade hipócrita, que só pensa em resolver algum problema quando este lhe incomoda de perto.
O progresso acontece quando você perde mais tempo se incomodando com as coisas ruins do que se acomodando com as coisas boas.
Lições de Motim
DONA COTINHA: Viver sozinho vicia. Chega uma hora que gente incomoda. Dá uma espécie de gastura, e é essa gastura o primeiro passo para a solidão. É claro, só gosta de solidão quem nasceu pra ser solitário. Só o solitário gosta de solidão. Quem vive só e não gosta de solidão não é um solitário, é só um desacompanhado. Solidão é vocação, besta de quem pensa que é sina. Por isso, tem que ser valorizada. E não é qualquer um que pode ser solitário não. É preciso ter competência pra isso. Pra viver bem com a solidão temos de ser proprietários dela e não inquilinos. Quem é inquilino da solidão, não passa de um abandonado. Não é que eu não goste de gente, eu não suporto é ser usuário, o que é bem diferente. Minha solidão tem um nome: renúncia. Eu renunciei ao gênero humano. É simples e só. Perdi a crença nas pessoas. O certo é que eu sou um descreste de gente, só isso. Tirei as pessoas da minha vida, como tirei o açúcar de minha diabete. Minha solidão é medicinal.
A verdade é que eu nunca enganei ninguém. Eu deixei as pessoas se enganarem. Elas nem se incomodavam em tentar descobrir o que e quem eu era. No lugar, elas inventavam um personagem de mim. Eu não discutiria com elas. Elas obviamente estavam amando alguém que não era eu.
As vezes eu mesma me incomodo com a minha frieza e falta de afeto com algumas coisas.
Mas eu aprendi a ser assim, eu já fui tão doce, e a vida me apresentou situações tão azedas;
O contraste de inicio foi dolorido, mas eu aprendi depois que pra me manter de pé, pra me manter firme, eu precisaria largar um pouco a minha obsessão por contos de fadas, e começar a viver a vida real, que não era tão bonitinha, tão rosinha, tão fofinha.
Na vida real, as pessoas matam, se matam, brigam, causam dor, machucam ...
E eu, pra me defender de pessoas assim, resolvi usar o mesmo ácido, para que eu me machuque menos, para que eu viva menos lesada.
As vezes acho que foi uma pena, perder de uma unica vez todo aquele encanto de vida, e a nobreza de acreditar nas pessoas, mas acho também, que viver pra sempre tão perdida no meio dos lobos do mundo real, poderia ter sito fatal.
O Peso da Presença: Quando o Medo de Ser Incômoda Nos Faz Ausência
Ao meu medo de ser incômoda, atribuo meus afastamentos e ausências.
Já fui aquela pessoa extremamente presente, que ao menor sinal estava lá, de prontidão.
Ainda sou, mas hoje me blindo de informações — uma pausa do mundo para não exceder meus limites,
os quais já foram exaustivamente ultrapassados.
Se for realmente urgente, coloco minhas dores no bolso, me faço forte e estarei lá, presente.
Mas o receio de ser incômoda, de parecer forçar algo, inclusive a presença,
me faz recuar de imediato.
Ainda que meu desejo seja permanecer, escolho me afastar, recolher-me, curar-me.
De alguma maneira, encontro força na solidão escolhida,
para não me tornar um peso na vida de quem amo.
E assim, me torno ausência antes que me tornem excesso.
Tenho visto o mundo um pouco diferente. A gente precisa se incomodar menos. Tem tanta coisa bonita pra gente viver, aprender.
Vejo a multidão fechando todos os meus caminhos, mas a realidade é que sou eu o incômodo no caminho da multidão.
O verdadeiro amigo não é aquele que se incomoda se você lembra ou não do aniversário dele.
O verdadeiro amigo não é aquele que corre sempre que você o chama.
O verdadeiro amigo não é aquele que diz aquilo que você quer ouvir.
O verdadeiro amigo não é aquele que faz elogios vazios.
O verdadeiro amigo não é aquele que, só para te agradar, aceita qualquer coisa que você fala.
O verdadeiro amigo não é aquele que se junta a você simplesmente porque brigou com outro.
O verdadeiro amigo não é aquele que, por pena, te apoia em tudo o que você faz.
O verdadeiro amigo não é aquele que te aceita do jeito que você é.
O verdadeiro amigo não é aquele que se omite quando percebe que você tem que mudar o jeito que você é.
O verdadeiro amigo?
O verdadeiro amigo é aquele que não aceita adulações.
O verdadeiro amigo é aquele que vê as suas verdadeiras intenções e reconhece o valor em seu coração.
O verdadeiro amigo é aquele que faz o que você precisa e não o que você quer.
O verdadeiro amigo é aquele que não precisa mostrar que lembra de você.
O verdadeiro amigo é aquele que, mesmo distante, nunca te esqueceu.
O verdadeiro amigo é aquele que não está.
Pois o verdadeiro amigo é aquele que sempre é!
