Iludir
Quando alguém diz coisas ambíguas sistematicamente é porque deseja ser ambíguo. A ambiguidade discursiva é a arte de gerar confusão, de promover a dúvida, sempre tendo, porém, uma rota de escape adrede preparada para quando lhe convier, dizendo que não disse o que disse.
A expectativa é que nem uma bomba de pavio curto, perto de uma fogueira. E a fogueira, por sua vez, é a "chama", a qual mantém o amor aceso. Uma vez a bomba explodida, apaga a fogueira, deixando rastros de cinzas nas quais vão ficar marcadas. Resumindo: Nem sempre é o que pensamos, acreditar não é garantia, as pessoas iludem e mentem a todo momento.
DEFEITO DE FÁBRICA
Uma peça quebrada é facilmente rejeitada pelo natural processo de seleção.
Nada poderá ser feito com algo não é capaz de cumprir sua devida função.
Porém, há peças quebradas que se disfarçam, se misturam aos montes, ejuram ser diferente das outras.
São as mais perigosas.
O fraco remendo que foi feito em seu defeito de fábrica é porta aberta a desilusão.
Se cobrem com um brilho chamativo, na tentativa de serem confundida com as melhores peças do mercado.
E no olhar desatento, uma peça quebrada forçadamente se encaixa com uma que está inocentemente em seu bom estado.
O que não esperam, é que feridas mal cobertas são facilmente transmitidas a peças de boa-fé.
Vivem na mentira e anonimato que a peça quebrada contou a todos, inclusive, (e especialmente) ao espelho.
E aquela, que desde o começo, permanecia em seu lugar, é contagiada injustamente pelo acoberto desespero de outrem.
Duas peças agora são descartadas.
É assim que uma epidemia de corações partidos começa.
Eu sempre me preocupei com o meu destino, é
Trago no sorriso aberto o desatino que vem da paixão
Pra iludir meu coração
Meu beijo vai te viciar
Minha pegada vai fazer você gamar
Debaixo do meu chapéu não vai mais sair
Eu sou o combo perfeito pra iludir
Nunca te prometi amor ou te amar, nunca iludi; você que criou expectativas demais em algo que só foi possível pelo destino, mas não por escolha...
Pensamentos de um depressivo ...
Hoje, eu queria sumir
Calculava várias formas de fugir
Mas, o desânimo não me permitiu agir
Então, para que me iludir?
Já não tenho razão para existir ...
Hoje, não queria nem minha sombra
Queria apenas uma clareira
Para me jogar pela ribanceira
De maneira fria e sorrateira...
Hoje, eu queria coragem
Para exterminar minha própria imagem
Sem nenhuma sabotagem
E nem crocodilagem...
Hoje, tenho uma visão
Descobri que vivo numa prisão
Onde só vejo escuridão
De tanta solidão ...
Hoje, só queria esquecer
Todos os motivos que ainda me levam a viver
Tudo o que preciso é morrer
É tão difícil entender?
Leva muito tempo para conhecer, evoluir, dividir, confiar e amar,
Não se convença por quem tem dom de iludir...
O homem é bom, eficiente no dom de enganar,
A mulher, dificuldade para usar a razão e não emoção para se decidir...
Não se iluda com palavras ou atos aparentemente convincentes, mas saiba filtrar e analisar os fatos e esperar o momento certo para ratificar ou retificar cada um!
Tens-me em sua palma
Foi por inteiro
Estava bem ali
Gritos da minh'alma
Ouça o desespero
Veja-me partir
Olhos arrependidos
Ou só procuram
O que um dia perdeu
Tornam-se rendidos
Sentidos seguram
Aquilo que já morreu
Resgata o passado
Assombra a mente
Caos se instala
Reflito calado
Contemplo o presente
E minha voz cala
Essa é a realidade
Atitudes opostas
Qual sua intenção?
Mas isso é maldade
Brincar de apostas
Com um coração
Não pense que estás me iludindo, eu sei o que você não quer. Não se sinta feliz, pois quem está se divertindo sou eu.
