Homem Esperto
O homem, no íntimo, é um animal selvagem, uma fera. Só o conhecemos domesticado, domado, nesse estado que se chama civilização, por isso recuamos assustados ante as explosões acidentais do seu temperamento.
Quando vejo que o aplauso se dirige fácil e insistente a um homem ou a um grupo, surge em mim a veemente suspeita de que nesse homem e nesse grupo, talvez junto a excelentes dons, haja algo extraordinariamente impuro.
Há algo irresistivelmente sexy em um homem que abraça sua calvície com convicção. Um charme exclusivo que transmite uma aura de inteligência e virilidade.
Desde épocas remotas, o homem serviu-se de números para determinar as coincidências significativas, isto é, as coincidências que podem ser interpretadas. O número é algo de especial – poderíamos mesmo dizer misterioso.
O homem é uma criança num corpo de adulto e a mulher é um adulto num corpo de criança. Os homens se divertem, as mulheres não têm senso de humor.
Ao ouvir benevolentemente os meus pensamentos, eu crio um além homem, expandindo as fronteiras do possível.
[O Homem que Lascou a Pedra]
E assim tem sido,
Um saboroso desmembramento
Num esquecido desenrolar,
Das rupestres garatujas,
Cavernosas,
Aos hieróglifos cintilantes
Dos smartphones,
Quase sempre trata-se de algo
E alguém.
O relacionamento
Mais duradouro
Que estabeleci na vida,
Foi entre eu e minha barba.
Não inventei a roda,
Desconheço as teorias totais
Que tratam de tudo,
Pra onde vai ou de onde veio.
Não entendo de espaço
E assim despeço-me,
Da exclusiva forma que conheço,
Observando deflagrarmos
Tamanha diarreia atitudinal
Contra nossos pares.
Entre Sapiens e Sapiência, registro:
Não nasci para horários,
Agendamentos, expedientes,
Turnos, períodos, escalas,
Compromissos ou rotinas.
Já passei dias a fio
Rascunhando poesias
E tão somente fiando,
Em paz ciente, poesias,
Sem nem mesmo me dar conta,
Neste pequenino multiverso,
Que no último milhão de anos,
O dia virara noite e a noite virara dia.
(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)
Ainda que o homem em si me despreza, fingindo não me ver, mas feliz sou eu, que CRISTO me escolheu, sendo eu insignificante desprezado, que nada é, para ser alguém no coração de DEUS.
