Homem Especial

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“A liberdade começa quando o homem deixa de ser objeto das vontades alheias e se reconhece como fim em si mesmo; o Direito existe, em sua forma mais elevada, para impedir que qualquer poder lhe retire essa condição.”

A razão não reina sobre o homem; muitas vezes apenas redige, em linguagem lógica, os decretos secretos de suas paixões.

O homem deseja certezas porque o desconhecido lhe parece um tribunal sem juiz; então inventa deuses, teorias e sistemas para preencher o silêncio.

Não é a ausência de respostas que assusta o homem, mas a possibilidade de que o universo não tenha obrigação alguma de fornecê-las.

O homem deseja conhecer o absoluto, mas carrega dentro de si uma razão construída para navegar apenas pelas margens do possível.

A autonomia começa quando o homem deixa de obedecer cegamente à tradição, ao medo e ao desejo e passa a interrogar a legitimidade de cada comando.

A dor é estranhamente democrática: não escolhe entre culpa e acaso, homem ou animal. Chega, fica e cobra o seu preço.

O homem inventa absolutos para não suportar a vertigem de descobrir que muitos de seus valores possuem uma história

O poder mais sofisticado não é aquele que obriga o homem a obedecer, mas aquele que o convence de que sua obediência nasceu de sua própria vontade.

Entre a norma que ordena e a consciência que questiona existe o território onde o homem começa, finalmente, a tornar-se autor de si mesmo.

A humildade epistemológica não diminui o homem; apenas impede que uma criatura finita se proclame proprietária do infinito.

O homem procura sentido no universo porque talvez seja incapaz de aceitar que o universo não tenha sido escrito especialmente para ele.

O homem pode dominar territórios, riquezas e exércitos; permanece, porém, estrangeiro enquanto não aprender a habitar a própria consciência.

O homem talvez não seja senhor do ser, mas seu mais inquieto guardião, condenado a escutar aquilo que jamais consegue possuir.

Talvez apenas o sagrado, e não a técnica, possa devolver ao homem o silêncio necessário para ouvir aquilo que sua própria civilização tornou inaudível.

A revolta é a dignidade erguida contra o absurdo, o instante em que o homem decide que o sofrimento não terá a última palavra.

O homem possui coisas, mas jamais deveria permitir que as coisas se tornassem a medida de seu próprio ser.

O homem é uma criatura dividida entre a lucidez que lhe anuncia a morte e o desejo indomável de que sua existência não termine no silêncio.

Talvez a maior contribuição da ciência à filosofia tenha sido ensinar ao homem que sua intuição não é uma autoridade sobre a realidade.

A história muda seus cenários, seus impérios e suas bandeiras; o homem, entretanto, insiste em repetir os próprios abismos.