Hoje a Felicidade Bate em minha Porta
O amor de Deus é o único que não se intimida com a minha escuridão. Ele entra onde ninguém mais ousa tocar, ilumina onde nem eu quero olhar. Seu silêncio não é ausência, é cuidado que respira devagar. E nesse respiro encontro a força que não sabia possuir.
Meu corpo já desistiu muitas vezes, mas minha alma nunca. Ela conhece caminhos que a dor não alcança. E quando tudo parece perdido, é ela que me puxa de volta ao fôlego. Esse fôlego é Deus, o resto é sobrevivência.
Há noites em que minha voz se perde como folha na chuva, cada palavra desfia-se em gotas que não alcançam ninguém. O quarto vira um navio naufragado de memórias, e eu mergulho por coisas que nem sempre merecem resgate.
Minha raiva tem o tempero das pequenas humilhações: sal e silêncio. Ela cresce na cozinha, no caminho do trabalho, na janela onde ninguém olha. Quando explode, não pede licença, derruba vasos, palavras, hábitos, e depois deixa um rastro de verdade crua que, estranhamente, cura.
Se alguém ousasse mergulhar na minha mente, seria imediatamente entorpecido pelo caos, aqui não existe repouso, apenas um conflito eterno entre passado e uma sucessão de pensamentos perturbadores que fazem da desordem o meu único lar.
Minha história tem capítulos escritos com caneta de mão trêmula. Alguns trechos foram riscados com dor e coragem. Reescrevo às vezes em silêncio de madrugada. Não por inventar, mas por entender as linhas antigas. E cada reescrita é cura, ainda que lenta.
Houve dias em que a fé foi mão que segurou a minha. Não fez milagres espetaculares, só presença. Quando tudo fraquejava, essa mão continuou. Hoje sei que presença é forma de sustento. E a gratidão a ela é meu alimento secreto.
Graduei-me em simular estabilidade, mas meu corpo é um delator que desmente cada vírgula que minha boca ensaia.
Nasci com um cansaço atávico, como se minha alma carregasse o peso de séculos e a esperança estivesse permanentemente em débito.
Minha escrita não busca o aplauso da plateia, mas o reconhecimento silencioso de quem lê e pensa: "eu também habito esse deserto".
Exibo cicatrizes invisíveis que alteram minha postura, pesam nas minhas escolhas e ditam o ritmo da minha caminhada.
Às vezes, sento-me diante de Deus e não digo nada. O silêncio é a única oração que minha exaustão consegue formular.
Minha mente é um território hostil após a meia-noite, lembranças andam armadas e a esperança raramente faz o turno da noite.
Minha esperança é uma sobrevivente teimosa, mesmo ferida e sem fôlego, ela insiste em se manifestar nos escombros.
A minha ansiedade não é apenas um sentimento passageiro…
Ela é como uma sombra que me segue, mesmo nos dias mais claros.
Às vezes, não sei nem explicar o motivo, mas ela está lá —
como uma tempestade silenciosa, destruindo tudo dentro de mim.
Não gosto que me bajulem! A não ser que seja minha esposa! Ah, por meio do olhar, sorrisos e na cama, que expressa o quão incrível eu sou, e ela está certa, eu sou realmente incrível.
Minha cabeça está em mil lugares agora por motivos que não consigo contar, mas meu coração continua exatamente onde estava: com você.
A sombra.
Nos recessos da minha alma,
Onde as sombras gritam em silêncio,
Você é a lembrança que me assombra,
A dor que me consome, o amor que me matou.
Teus olhos, dois túmulos de esperanças,
Onde eu enterrei meus sonhos,
Teu sorriso, a imagem que me persegue,
A saudade que me devora, que me aniquila.
As noites são eternas e frias,
Quando você não está ao meu lado,
As estrelas são lágrimas de um amor morto,
E a solidão é o meu destino.
Eu te amo, mas você se foi,
Deixando apenas um vazio infinito,
Um buraco no meu peito,
Que nunca mais será preenchido, que nunca mais terá vida.
Você era o meu tudo, meu nada,
Meu amor, minha vida, meu fim,
Agora, você se foi,
E eu sou apenas um fantasma, uma sombra do que fui.
Minha mente é um canteiro de obras infinito, sempre há algo sendo demolido para que uma nova versão de mim tente nascer.
