Historias Engraçadas
Entre minhas historias das noites cariocas, me lembro bem do saudoso amigo o grande cronner Jamelão, como gostava de ser chamado. Sempre ouvia ele a cantar nos fins de noite no antigo Café Nice, na Avenida Rio Branco no centro do RJ. Todo embecado de smoking no ápice da elegância masculina. Conhecido internacionalmente como black-tie que eu falava para ele que era alugado na Casa Rolas que ficava na Avenida Augusto Severo, mas ele sorria e negava, e ele me falava carinhosamente com ar de deboche, sai fora moleque.
🌬🌪⚡Ode à Iansã (2)
Senhora dos ventos que carregam histórias antigas,
dos trovões que chamam pelo nome o que deve despertar,
das tempestades que lavam a alma
como quem lava um altar profanado pelo tempo.
Óh Iansã!
Quando tu ergues teu braço,
a poeira se transforma em dança,
as folhas ganham voz,
os instintos se lembram de si mesmos.
És tu quem movimenta o que dorme,
quem assopra coragem
nos recantos mais frágeis do peito.
Óh Iansã!
Tua ventania não destrói:
revela.
Desnuda o que estava encoberto,
arranca máscaras,
afina verdades.
Rainha que conduz os espíritos
com a firmeza de quem conhece
os segredos da travessia,
leva contigo as sombras que colecionei,
os medos que herdei,
os silêncios que engoli.
Óh Iansã!
Devolve-me apenas o que é vivo,
o que é chama,
o que é livre.
E quando tua tempestade passar,
que eu me reconheça de novo
(limpa, inteira, acesa)
como folha que balança,
mas não quebra
e não cai.
Óh Iansã!
Tu és o instante entre o relâmpago e o silêncio,
o sopro que vira destino,
a dobra invisível onde o tempo se curva.
És o vermelho que dança na rotação do mundo,
a espada que corta o ar em espirais de fogo,
o búfalo que rompe as portas
do que ficou esquecido.
Óh Iansã!
No teu vento vivem vozes antigas,
ancestrais que conversam com as folhas,
mensagens que se escondem nos giros do ar.
Quando chegas,
os véus caem.
Quando falas,
as sombras se recolhem.
Quando danças,
o universo escuta.
Iansã, Rainha das passagens,
daquilo que se move entre mundos,
do que muda sem pedir desculpa:
abre o portal do novo em mim.
Que eu aprenda contigo
a ser vento quando necessário,
tempestade quando inevitável
e brisa quando o amor falar mais alto.
Eparrey Oyá!!!
✍©️@MiriamDaCosta
A Poesia que Conta Histórias e Protege
O cordel é uma das expressões culturais mais tradicionais do Brasil. Nascido nas feiras populares da Região Nordeste, ele pulsa forte em estados como Sergipe, Bahia e em toda a região, onde poetas e cordelistas vendiam seus livrinhos coloridos pendurados em cordões de barbante.
Antigamente, esses folhetos funcionavam como o "jornal do povo": através de versos rimados, eles contavam histórias fantásticas, notícias do dia a dia e os acontecimentos das comunidades.
Mas o cordel não serve apenas para contar causos antigos. Ele também é uma ferramenta poderosa para falar da nossa vida em sociedade, dos nossos direitos e da importância de cuidar uns dos outros.
Leia a seguir o cordel "João e Anita", que nos convida a pensar sobre o papel da escola, da comunidade e das leis na proteção das crianças.
JOÃO E ANITA: QUANDO O OLHAR PROTEGE
Um cordel das Gotinhas de Amor
Chegou na creche um menino
Com o olhar meio ferido
O corpo todo marcado
E o coração escondido
A irmã mais velha, Anita
Cuidava dele o dia inteiro
Esquecia de ser criança
Pra ser mãe do irmão pequeno
Mas a professora viu
E com carinho escutou
Deu colo, deu atenção
E a verdade apareceu
A escola não se calou
Chamou a rede pra ajudar
Hoje João fala e brinca
E Anita pôde sonhar
Porque quando alguém observa
E não vira as costas não
Uma gotinha de cuidado
Muda toda uma nação!
Não vista um casaco que não é seu,
não carregue histórias que não lhe pertencem.
Você não precisa fingir para ser aceita,
nem se diminuir para caber na vida de alguém.
Faça do amor uma extensão de você.
Ame sem perder sua essência,
cuide sem esquecer de si
e caminhe com o coração em paz
Helaine machado
O tempo vai te ensinando a contar suas dores e seus dias; algumas histórias a gente aprende a contar só depois de vivê-las.
O pai que conta histórias bíblicas para seus filhos periodicamente, ora pela sua família e cuida da sua segurança emocional da esposa e gera homens educados, fortes e responsáveis.
Visite os presos e peça que contem suas histórias; muitas delas revelam que somente o arrependimento pode conduzi-los a dias mais longos e significativos na vida.
Viajar é como páginas em branco de um livro esperando ser preenchidas com histórias, momentos, vivencias, experiências e saudades. O turismo tem o poder de trazer esse pacote e tocar o coração de quem está nessa viagem.
Enquanto o interesse de abrir os livros tenha que surgir pela beleza das capas, muitas histórias se perderão.
Uma Corrida, Duas Histórias e um Novo Começo
Em mais uma de suas corridas, o motorista peregrino recebeu uma mulher negra acompanhada de dois filhos pequenos, também negros. Desde os primeiros instantes, percebeu que não eram apenas passageiros, mas uma família unida pelo carinho, pelo cuidado e pela cumplicidade. Os três cumprimentaram o motorista separadamente, com um educado “bom dia”, gesto simples que chamou sua atenção. Para o Peregrino, são justamente essas pequenas atitudes que revelam muito sobre as pessoas e podem transformar uma corrida comum em um encontro especial.
O primeiro destino seria a escola das crianças e, depois, o Laboratório Mariconde. Durante o trajeto, o motorista percebeu o sotaque diferente e perguntou de onde Yasmin era. Ela explicou que havia nascido em Nampula, no norte de Moçambique, e que vivia no Brasil desde 2018. Contou que seu marido, Mussa, havia conseguido um visto pela CPLP — Comunidade dos Países de Língua Portuguesa — e que, depois de alguns anos, retornara a Moçambique para buscá-la. Antes disso, o casal formalizara o casamento para facilitar sua vinda ao Brasil.
Curioso sobre a terra natal de Yasmin, o motorista quis saber como estava Moçambique depois de tantos anos de independência. A conversa passou pela FRELIMO, que liderou a independência do país em 1975 e permanece no poder desde então, e pelos problemas enfrentados pela população, como pobreza, desigualdade, corrupção e violência. Yasmin explicou que essas dificuldades fazem muitos moçambicanos procurarem oportunidades fora do país, enquanto sua própria família havia encontrado no Brasil uma maneira legal e segura de recomeçar.
Na conversa, surgiu também a história das crianças. Felipe, de seis anos, e Bruna, de quatro, eram brasileiros e são-carlenses. Naquele momento, o motorista percebeu que aquela família já não estava apenas vivendo em um novo país: estava construindo uma nova vida em São Carlos, com escola para os filhos, trabalho, casa e novos sonhos.
Na primeira parada, Yasmin deixou as crianças na escola. Depois, seguiu com o motorista até o laboratório, onde trabalhava como atendente. Ao perceber que ela estava feliz com o emprego, principalmente por ser próximo da escola dos filhos e de sua casa, o Peregrino entendeu que aquela mulher havia encontrado mais do que um lugar para morar. Havia encontrado uma oportunidade para trabalhar, criar os filhos e construir seu próprio caminho.
Ao chegarem ao destino, o motorista fez uma última pergunta: de zero a dez, que nota Yasmin daria ao Brasil? A resposta veio acompanhada de um sorriso: “Se pudesse dar vinte, daria”. Para ela, o Brasil havia proporcionado oportunidades que não encontrara em seu país de origem. O motorista respondeu que compartilhava do mesmo sentimento e que também não trocaria o Brasil por nada deste mundo.
Naquele momento, porém, o motorista revelou uma lembrança que guardava consigo e, quase em um sussurro, disse: “Foi Moçambique que me deu o meu primeiro grande amor.” A frase carregava uma história que Yasmin ainda não conhecia e que, de repente, aproximava ainda mais aquelas duas vidas, aparentemente tão diferentes.
Quando a corrida terminou, o Peregrino percebeu que havia levado uma família de um ponto a outro, mas recebido em troca uma história de coragem, recomeço e esperança. Para ele, a vida é assim: feita de caminhos que se cruzam, encontros que ensinam e pessoas que, muitas vezes, deixam uma marca sem sequer perceber.
Yasmin atravessara um oceano em busca de novas possibilidades. Trouxera consigo sua história, sua cultura, seus sonhos e, principalmente, a esperança de oferecer aos filhos um futuro melhor. E foi justamente isso que o Peregrino enxergou naquele encontro: não importa de onde uma pessoa vem; quando existe coragem para seguir em frente, sempre pode surgir um novo caminho.
Talvez essa seja uma das maiores lições que os caminhos ensinam: algumas viagens terminam quando o passageiro chega ao destino, mas outras continuam dentro de quem teve a oportunidade de ouvir uma história. Aquela corrida havia terminado, mas o encontro entre o Peregrino e Yasmin certamente continuaria caminhando na memória dos dois.
Até a próxima corrida. Até o próximo encontro. Até o próximo caminho.
Peregrino Nino Carneiro
Certas histórias precisam terminar para que a nossa própria vida possa continuar. Adeus ao que fomos.
Enterramos grandes histórias de amor ainda vivas, apenas para que o nosso orgulho não precise carregar a cicatriz de uma rejeição.
Chuva em Paranaguá
Cai a chuva sobre os telhados antigos,
molhando histórias que o tempo guardou.
Paranaguá veste seu cinza mais belo,
como quem chora, mas não se apagou.
O cais repousa em silêncios molhados,
barcos dançam ao som do trovão.
Nas calçadas, passos apressados,
corações lentos em contemplação.
As ruas refletem faróis e saudades,
espelhos d’água de um tempo que foi.
O cheiro da terra se mistura à brisa,
e cada gota parece dizer: “depois”.
Depois da pressa, vem a lembrança.
Depois do adeus, a vontade de ficar.
Na chuva mansa de Paranaguá,
há uma paz que sabe esperar.
"Contadores de 'Causos' e de Historias quase sempre me agradam muito. Os que mais gostei e gosto (e que lembro agora) são Machado de Assis, Sergio Porto, o egipcio Leon Eliachar e Eu Mesmo, modestia às favas!"
TextoMeu 1404
1951 📜 "Não posso garantir que é verdade, mas como gosto de histórias desse tipo, repito o que li algures. Que um dos maiores poetas brasileiros disse que gostava da Academia Brasileira de Letras porque lá 'era ótimo lugar para guardar embrulhos e dar uns telefonemas'. Foi o que li, por aí!"
1952 📜 "Ainda sobre Casos e Histórias na Literatura, li que aquele famoso escritor gaúcho jamais lia o que tinha escrito... Ou tetia vontade de mudar tudo! Se é verdade? Como sabê-lo. Eu apenas li, algures"
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