Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Existir não é um presente é uma condição, e talvez o erro esteja em esperar conforto disso, porque a consciência não foi feita para ser leve, ela foi feita para perceber,
e perceber quase sempre dói.
A dor não chegou de uma vez, ela foi construída, em camadas tão sutis que quase passaram despercebidas, até que um dia percebi que já não era mais o mesmo, mas também não era alguém completamente perdido.
Eu não sou forte, eu sou persistente, e existe uma diferença tênue entre os dois, porque a força se esgota, mas a persistência se arrasta, e, mesmo aos pedaços, eu continuo.
A melancolia não deve ser vista como uma sombra que nos persegue, mas como a penumbra necessária para que as luzes da alma brilhem. Sem o contraste do escuro, a claridade da nossa própria resiliência se tornaria cega e sem profundidade alguma para o olhar atento. É no tom menor da existência que as lições mais cruas e honestas são sussurradas ao ouvido de quem tem coragem de ouvir. Aceite a sua tristeza como uma mestra rigorosa que te prepara para os grandes palcos da vida eterna.
- Tiago Scheimann
A verdadeira rebeldia não consiste em amaldiçoar o destino sob o peso de uma cruz inevitável, mas em carregar o próprio fardo com uma elegância que insulta a gravidade do sofrimento. É no meio do inverno mais rigoroso da alma que devemos cultivar um sol interno, cujos raios não dependem de estações externas para aquecer a vontade de continuar a caminhada.
- Tiago Scheimann
Não buscamos a salvação nas estrelas, mas a honra de sermos os únicos arquitetos de uma ordem que desafia o caos absoluto da matéria bruta.
- Tiago Scheimann
O passado é uma terra de sombras que não possui autoridade para ditar o ritmo do nosso passo presente, a menos que permitamos que o ressentimento se torne a nossa bússola. A libertação real ocorre no momento em que olhamos para as nossas feridas não como erros do destino, mas como o mapa geográfico de uma vitória que ainda está sendo escrita. Seja o estrangeiro de sua própria dor, observando-a com o distanciamento de quem sabe que o ator é muito maior do que a tragédia que ele encena.
- Tiago Scheimann
A dor me ensinou a falar uma língua que não se aprende em livros, uma língua feita de silêncio, de lágrimas contidas e de gritos que nunca encontraram eco e ainda assim, eu me tornei fluente nela.
A fé não é uma luz constante que ilumina o caminho, mas uma chama frágil que você protege com as mãos enquanto o mundo inteiro sopra contra você.
A vida não ficou mais leve, eu que aprendi a carregar o peso com uma dignidade que nasceu do sofrimento.
O sofrimento me atravessou como uma lâmina, mas não encontrou em mim um lugar definitivo para morar.
Existe uma esperança que não salva, ela não acende luz alguma. Não guia, não aquece, fica ali, mínima, quase ausente, como a fresta estreita por onde o ar insiste em entrar quando tudo já deveria ter sufocado. É estranha, silenciosa, não promete futuro, nem redenção, apenas suspende o fim. Há dias em que ela pesa mais que o próprio desespero, porque continuar, mesmo sem horizonte, exige um tipo de coragem que ninguém celebra, um tipo de fé que não se nomeia. Ainda assim, ela permanece, como um resto de pulso sob a pele fria, como um corpo que não sabe mais viver, mas também não aprende a desaparecer, não é luz, mas também não deixa escurecer.
- Tiago Scheimann
A depressão não é apenas uma tristeza profunda, é o luto de uma versão de nós mesmos que ainda não morreu, mas que se recusa a seguir em frente, nos obrigando a carregar o corpo de quem fomos como se fosse uma bagagem pesada e necessária para atravessar o deserto.
Perdi as contas de quantas vezes te escrevi
E hoje não poderia ser diferente
Alguém disse uma vez, que cabeça vazia é oficina do diabo
Concordo com esse ditado, pois ontem estava entediada e sem ter o que fazer
Resolvi dar uma olhada em você, em como você está
Vivo, mas falta aquele brilho no seu olhar
Não sei o que aconteceu desde que partiu, mas a boa notícia
É que pela primeira vez, eu não senti nada
Não senti aquela tristeza arrebatadora
Não senti inveja da sua vida "perfeita"
Eu só senti o vazio, nada que me tocasse a alma
E isso é algo novo pra mim
Não é algo bom ou ruim
É um grande nada, pela primeira vez meu coração não doeu
É um sentimento de paz depois de anos de tempestade
Você foi um tsunami na minha vida
Chegou, levou tudo e foi embora
Sinceramente, espero nunca mais perder o controle da minha vida
Não quero perder o controle dos meus sentimentos
Não quero tentar caber nos lugares que não foram feitos para mim
Não quero um amor impossível
Eu quero um amor leve
Eu quero um amor fácil
Eu quero ser a escolha de alguém
14 de abril de 2026
Eu descobri sem querer que sou uma espécie de fazendeira clandestina de mamão. Não dessas de chapéu de palha e cerca branca, mas daquelas que um dia simplesmente olham pro quintal e pensam “e se eu só… jogar isso aqui e ver no que dá?”. Foi assim, sem planejamento estratégico, sem planilha, sem tutorial de internet. Só eu, um mamão comprado no mercado e uma teimosia silenciosa que mora dentro de mim.
Joguei as sementes como quem joga um segredo no vento. Sem cerimônia. Sem promessa. E fui viver a vida, como se nada tivesse acontecido. Seis meses depois, o quintal virou uma espécie de floresta tropical em miniatura, um congresso internacional de mamoeiros, cada um erguido com aquela dignidade de quem nasceu pra dar fruto. E deram. E continuam dando. Como se tivessem combinado entre si: “vamos alimentar essa mulher até ela não aguentar mais olhar pra mamão”.
E eu colho. E cada mamão colhido não é só um fruto, é um ciclo completo, é quase uma filosofia embalada numa casca amarela. Porque dentro dele vêm novas sementes, novas possibilidades, novos começos. Eu abro o mamão e é como abrir um cofre cheio de futuros quintais. E lá vou eu de novo, jogando sementes, espalhando vida, como se fosse a coisa mais natural do mundo. E talvez seja.
Hoje eu tenho mamões infinitos. E não é exagero de quem gosta de dramatizar a própria rotina. É infinito mesmo, no sentido mais simples e mais bonito da palavra. Sempre tem mais vindo. Sempre tem mais crescendo. Sempre tem mais surgindo onde antes era só chão.
E aí eu fico pensando nesse hábito estranho que a gente tem de jogar sementes fora, como se fossem lixo, como se não carregassem dentro delas um potencial absurdo de alimentar alguém, de virar sombra, de virar sustento. É quase uma ingratidão silenciosa, um desperdício disfarçado de normalidade.
Se não tiver quintal, tudo bem. O mundo não acaba no muro de casa. Tem canteiro na rua, tem beira de rio, tem terreno esquecido que só precisa de uma chance. A cidade inteira pode ser um grande quintal disfarçado, esperando alguém com coragem suficiente pra sair plantando sem pedir permissão pra ninguém.
No fim das contas, plantar virou mais do que um hábito. Virou uma resposta. Uma resposta simples pra um mundo complicado demais. Enquanto tem gente discutindo o futuro, eu tô ali, jogando sementes no chão e confiando que alguma coisa vai nascer. E nasce. Sempre nasce.
Agora me diz, quantas florestas você já jogou no lixo hoje sem perceber?
Em meio a uma vida sem sentido, uma vida onde não sabemos ao certo onde ela vai nos levar, em meio a uma vida onde normalizamos a ida e vinda de pessoas, em meio a uma vida onde o amor deixou de ser algo belo e se tornou algo ruim, em meio a tudo isso, eu, como escritor, vejo belezas infundáveis, belezas carregadas com a esperança mais bela que existe, como o sonho de uma criança de ir à lua. Sonhos esses que são os mais belos, onde a dor e o sofrimento não chegaram nem um pouco perto, onde o mundo não destrói por completo, sonhos como estes que carregam a esperança de um mundo perdido.
E talvez seja justamente nisso que a vida ainda faz sentido: naquilo que fica mesmo quando tudo parece ir embora, nos laços que, mesmo silenciosos ou distantes, ainda carregam significado. Há presenças que mudam, palavras que deixam de existir como antes, mas sentimentos que não desaparecem tão fácil assim. E, mesmo em meio à dúvida, ao medo de errar ou de tentar de novo, ainda existe algo que insiste em permanecer, algo que não se explica, mas se sente.
Porque, no fundo, enquanto ainda formos capazes de guardar essas pequenas belezas, de lembrar sem dor completa e de sentir sem precisar nomear, o mundo nunca será totalmente vazio. E talvez a esperança mais verdadeira não esteja em não perder, mas em ainda se importar, mesmo quando tudo dentro da gente pede silêncio.
