Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura
Não há um único dia que cada
passo meu não capture o seu ar,
Na tua respiração e pulsação -
elegeste o meu perpétuo lugar.
O amor entre o zênite, o nadir,
o horizonte e a esfera celeste,
Sou o que vive a sentir e fruir-
falta coragem para prosseguir.
Em todos os quatro hemisférios
que sustentam os mistérios -
sou alta existência resguardada.
Não há um só instante que não
renda devoção a cada nova virada
da estação de maneira apaixonada.
Se o teu coração há tempos
entrou no modo concreto,
sou como Pau ferro - não temo,
Na muralha escrevo poesia,
e por nenhum segundo tremo.
Sei o que o meu amor é capaz
de fazer inteiro por dentro,
no momento que beijo os olhos,
E ensino a olhar para o céu
neste tempo que furta sonhos.
Se não está preparado para ouvir,
e tampouco para sentir - irei seduzir,
e colocarei no ponto para sentir,
onde os meridianos estão a nos unir.
Ainda que você esteja desatento,
estarei entrando nos teus poros
com o meu manso e ribeiro cortejo,
e se renderá com fina gala e festejo.
Nos quatro hemisférios
há poeira das estrelas
dispersas e mistérios
ao redor flores místicas
do Fedegoso em pleno
majestoso fevereiro,
adornando emoções,
desabrochando com tentações,
E tocando as cordas
o coração romântico;
Para sob ele te encontrar
pronto para o amor,
e paixão inesquecíveis,
Porque sei que juntos
seremos irresistíveis.
Minha mente e mãos
trazem sempre algo
das quebradeiras de côco
da Mata dos Cocais,
Há tanto tempo faz
que canto para os vivos,
e também para os mortos,
Porque não aceito jamais
o meu chão em destroços;
De tudo o que a Carnaúba
que vida nos traz carrego
tudo sem nada deixar,
Seja com o Bem e o Mal
para virtuosa lidar,
Nada devemos deixar
passar ou deixar de aprender,
para trilhar o caminho
certo para sempre crescer.
De Norte a Leste
o meu Meridiano é 75° E,
sei o quanto levo,
Há Latitudes 35°–55° N
vivas quando quero,
E Longitudes 50°–90° E,
e sei o que mereço,
por ter olhar não deixo
perder e não me perco.
Ancestralidade surgida
e guiada por Ursa Maior
pelas amplas estepes
dela tenho nas veias
a ampla memória,
Não permito ninguém
de qualquer maneira
[a minha História],
Ter chegado até onde
cheguei é a real glória.
Onde em cortesia sidérea
a Cassiopeia, Orion e Polaris,
dançam na Via Láctea,
Ali repousa e se inquieta,
e faz venérea porque
busca saber onde estão
as moças da Ásia Central,
porque há algo muito
além do que é desigual.
A lembrança insistente
revolveu ao passado
como chama acesa,
Daqui a pouco todos irão
dançar ao redor da fogueira,
porque dançar e cantar
é preciso quando o peito
se encontra em lamento.
Porque resistir unidos
e celebrar a chegada
da Primavera é de ordem
exclusivamente existencial,
entre memórias, festejos,
maus-tratos e incertos,
Não parar de perguntar,
é a soma dos desejos
até alguma resposta
conseguir me tranquilizar,
quando tudo irá terminar.
De tudo o que é mais
íntimo e genuíno,
Que há alguma
surpresa no destino,
não mais duvido.
Tudo segue do jeito
que tem que ser,
E bem brasileiro
na onírica Caatinga,
que lições ensina.
O Juazeiro em vigília
saúda o Sol se pôr,
Para o Mandacaru
florescer cheio amor,
sem tempo a perder.
O amanhecer virá
com a cor do céu
do seu lindo olhar,
e com o Sol do seu
abraço acolhedor
que irá me dar
pleno e comovedor,
todo o seu calor -
digno de se emaranhar.
Não há um só dia
que não tenha saído
procurando por ti,
Como quem ainda
sai para se abrigar
sob a amável Braúna,
que constrói e cura.
A Árvore-da-chuva
está sob perigo,
Sob refúgio deveria
ser sempre mantida,
assim como o amor
no abrigo da poesia.
O romantismo que
une, pacifica e inspira
a cada amanhecer,
Tem se encontrado
a cada dia mais raro,
O meu tenho mantido
preservado para ser
o teu sereno amparo.
Nova Trento
Há muito o que contar
sobre a terra que levou
os trentinos cruzarem
o Oceano Atlântico,
Em meio ao magnânimo
Vale do Rio Tijucas,
Lindamente cravejado
pelo verde da nossa
amorosa Mata Atlântica,
da bela Santa Catarina,
total, austral e romântica.
O voto de amor foi feito
para com a terra que
tudo deu e tudo nos dá,
entre o Sol das lutas
e sob a sombra da Indaiá.
E assim se ergueu uma
cidade em meio à Natureza,
vinícolas e espiritualidade;
onde a beleza abunda,
reina a paz e a serenidade.
Com honra e luta o povo
veio, viveu e venceu,
Em Nova Trento se recorda
a memória ancestral,
Desde a Dália plantada
e o pedido em casamento
feito para a sua amada.
A gente segue em frente
pedindo sempre com toda
a devoção a intercessão
da abençoada Santa Paulina,
para que nada nos falte,
E seja para nós o farol
que a todos ilumina;
Com ela além de pedir,
agradecemos a Deus todo dia.
Algo do que há de melhor
em todos nós leva
as auroras dos séculos,
e perpassa os universos.
Do Campo dos Padres,
tem nascente gentil
dos nossos prazeres
na serena Alfredo Wagner.
Assim é o Rio Itajaí do Sul
serpenteia pela Mata Atlântica
na nossa Santa Catarina,
bela, amada, doce e romântica.
E tem a confluência
com o Rio Itajaí do Oeste
na Itajaí destinada,
que juntos desaguam
no Oceano Atlântico,
com tudo o que nos acalmam.
Estar exatamente ali
onde só de se admirar
os conflitos se diluem
como espumas do mar.
Desta novela não há
nenhuma novidade.
Nos seus capítulos
só resta crueldade.
Não tem nada a ver
com teoria conspiratória:
a poesia também serve
à memória histórica.
Matam e sequestram
a solidariedade de uns
no vasto mar da Humanidade.
Amanhã voltam os tempos
em que muitos foram
sequestrados dos berços.
Sem nenhum arre(medo),
isto é só o começo
do que nunca deveria
outrora ter iniciado
e que agora, diante dos olhos
e debaixo dos narizes,
está sendo requentado.
Há anos ninguém aprendeu
e nem mais ensinou
nesta porção continental
a olhar para o alto
do nosso Hemisfério Austral.
Onde a posição, a voz
e a memória indígena
são todos os dias cortados
até em meio aos Andes,
Das lágrimas do povo
aguayos têm sido tecidos,
Nenhum dos capítulos
serão por mim esquecidos.
Por audácia e pretensão
continuo por herança
se a tal que incomoda,
A guerra sempre é
a dileta filha da fofoca,
Por isso quero ser sempre
que a minha língua
seja a espada que a corta.
Olhos e mente de Condor
sem pausa diante da vista,
ainda seja por pura poesia;
Porque a América do Sul
não merece virar nostalgia.
Há beijos...
Há beijos que pronunciam por si sós
a sentença de amor condenatória.
Principalmente aqueles beijos dados
em segredo no coração não têm volta.
Gabriela Mistral, Claudio Estrada,
Rufino Blanco Fombona,
Fortoul-Hurtado e o poeta anônimo
de um poema viral — meus advogados —,
trouxeram à luz que a tua existência é a prova. Venha, porque a hora de amar é agora!
Há beijos que se dão com o olhar,
tantos dei e ainda te dou sem que saibas.
Há beijos que se dão com a memória,
os nossos não acabarão em nada.
Haverão de ser os nossos beijos
o nosso estabelecimento da íntima pátria.
...
Nota: Este poema foi inspirado no famoso "Beijos", erroneamente atribuído a Gabriela Mistral. Invoco Mistral e outros autores como "meus advogados" para denunciar ironicamente essa falsa atribuição. Uma homenagem ao verso que se tornou uma expressão popular de amor.
Há um romance sonâmbulo
sob os teus olhos de Lorca...
Palavras pretensiosas arremessadas,
e um arranque automático
entre algo épico
e o pesadelo lírico,
na alta madrugada.
Com o peso da alma
cheia de poesia intensa,
onde o mundo olha
para as personagens
que não podem corresponder
devido à profundidade,
à leveza e à liberdade
de ser o que sou — escolhi.
Diante da lua cigana,
num estado de êxtase,
sob os teus olhos de Lorca,
ainda talvez acordada
todavia desejo o real,
pois a essência segue intacta.
Firme vivendo o suspense
de um romance sonâmbulo:
"Ver-te que te quero ver-te",
nos teus braços que também
querem ver-me em meio ao verde.
Onde não sei como, quem dará
e qual será o passo primordial,
ao se se conseguirá alcançar o pleno final.
Que não há alma?
Existe a nossa - que é única.
Insensatos! Eu a vi: é de luz...
Nos teus olhos - inequívoca.
Com relação à minha luz:
(Assoma às tuas pupilas
quando me olhas tu.)
Quem me disse foi
o poeta Rubén Darío, e não tu!
(As "Rimas XII" são dele e minhas.)
Há uma coincidência histórica entre Egito e Argentina: o Egito também sofreu a ocupação britânica, contudo, logrou expulsar o Império Britânico, ao passo que a Argentina ainda vive as sombras dessa hegemonia.
A parcela da elite argentina que exporta a má educação em eventos esportivos — protagonizando episódios deploráveis que conhecemos bem — representa um extrato social que, de certa forma, foi quebrado. Contudo, essa elite não representa a totalidade do povo argentino; aquele 'povão' que não dispõe da oportunidade de viajar e que, muitas vezes, é o alvo primário da própria crise que essa elite ignora.
O futebol não deve ser ponte para a desumanidade, nem gatilho para a hostilidade regional. Que a paixão esportiva não sirva de pretexto para o retrocesso civilizatório.
Não existe o momento errado,
apenas o endereço errado.
No coração há o sentimento certo,
nos amamos e ainda nos amamos:
só ainda não não nos encontramos.
Escutando o canto da Jacutinga,
lentamente a aurora vespertina
beija docemente a Mata Atlântica,
o vento com leveza balança
a Juçara-de-espinho e a esperança.
Para recebê-lo, tenho preparado,
certamente a mais doce festança;
O que quero para nós é o que há
de mais raro e pleno de temperança
para viver do amor que jamais se cansa.
Do mesmo jeito dos místicos,
quebrando os arcos e flechas dos cupidos
e rasgando os manuais contemporâneos
de sedução que dizem ser estabelecidos
com o orgulho de ser os últimos românticos.
Se o caminho está difícil e não há chance de chegar a lugar algum, é necessário mudar o trajeto. Não por atalhos, mas por um caminho certeiro e diferente
A polarização conseguiu expor o que há de pior no Comportamento Desumano: a Hipócrita Ferida Aberta.
Nela, o Sujo nem se constrange em falar do Mal Lavado, e ambos alisam suas próprias mazelas.
Quando as convicções deixam de ser pontes e passam a ser trincheiras, o debate se transforma em Espetáculo Moral.
Cada lado passa a enxergar no outro não um Adversário de Ideias, mas um Inimigo de Existência.
E, nesse cenário, a coerência deixa de ser virtude — torna-se obstáculo.
A hipocrisia prospera justamente aí: no terreno onde a crítica é seletiva e a indignação quase sempre tem dono.
O erro do outro é prova definitiva de sua perversidade; o próprio erro, quando aparece, vira detalhe, contexto, exceção ou silêncio.
Assim, as consciências vão sendo anestesiadas pelo conforto de pertencer a um lado.
O curioso é que, quanto mais se denuncia a sujeira alheia, mais se normaliza a própria lama.
A acusação vira perfume moral: quem acusa se sente automaticamente absolvido.
E, pouco a pouco, já não importa mais a verdade do que se diz, mas apenas a utilidade do que se aponta.
Talvez seja por isso que a polarização produza tantos juízes e tão poucos examinadores de si mesmos.
É mais fácil carregar a lanterna para iluminar o rosto do outro do que suportar a claridade sobre o próprio.
No fim, o que se vê não é uma disputa entre virtudes, mas um espelho quebrado onde cada lado enxerga apenas os estilhaços que lhe convêm.
E enquanto todos se ocupam em provar quem está mais limpo, a hipocrisia — essa velha senhora muito bem adaptada — continua reinando tranquila, vestida com as cores de todos os lados.
Há que se ponderar que ninguém é Odiado nem Amado por todos, como se tenta sustentar a Opinião Pública.
A opinião pública, quase sempre, é vendida como se fosse uma entidade sólida, homogênea, unânime — uma espécie de tribunal invisível que já teria chegado ao seu veredito final sobre pessoas, ideias e acontecimentos.
Mas basta um olhar menos apressado para perceber que essa suposta unanimidade costuma ser muito mais barulhenta do que verdadeira.
O que se chama de “todos” raramente é todos; na maior parte das vezes, é apenas o recorte mais estridente de uma parcela que conseguiu transformar sua voz em aparência de consenso.
Nenhum ser humano é simples o bastante para ser amado por todos, nem desprezível o bastante para ser odiado por todos.
A própria complexidade das relações humanas desautoriza esse tipo absurdo de sentença absoluta.
Quem hoje é exaltado por muitos, inevitavelmente será incompreendido, criticado ou rejeitado por outros.
E quem hoje é alvo de repulsa coletiva, ainda assim encontrará, em algum canto, quem enxergue nuances, contradições, contextos ou mesmo humanidade onde a multidão só quis despejar rótulos.
O problema é que a opinião pública contemporânea não se contenta com a discordância; ela tem fome de totalidade.
Ela não quer dizer que alguém é controverso, quer decretar que alguém é unanimemente admirável ou integralmente detestável.
Porque os extremos são mais fáceis de consumir.
Eles dispensam reflexão, economizam complexidade e oferecem ao público a ilusão confortável de pertencer ao lado certo da história sem o incômodo de pensar demais.
Só que a realidade não se curva tão facilmente à teatralidade dos julgamentos coletivos.
As pessoas carregam Grandezas e Misérias ao mesmo tempo.
Podem ser sinceramente admiradas por algumas virtudes e legitimamente criticadas por falhas graves.
Podem despertar amor em certos corações e repulsa em outros, sem que isso constitua contradição alguma.
Contraditório, na verdade, é imaginar que a experiência humana possa ser reduzida a uma votação emocional universal.
Talvez uma das maiores fraudes do nosso tempo seja justamente essa fabricação de unanimidades artificiais.
Não para revelar o que as pessoas de fato pensam, mas para constranger quem pensa diferente.
Quando se repete que “todos amam” ou “todos odeiam”, o que se tenta impor não é uma constatação, mas uma pressão.
É a tentativa de transformar percepção em obediência, sentimento em manada, juízo em reflexo condicionado.
Pensar com honestidade exige romper esse feitiço medonho.
Exige entender que a aclamação coletiva pode ser só euforia passageira, assim como a rejeição coletiva pode ser apenas a febre moral de um tempo doente por certezas fáceis.
Exige, sobretudo, maturidade para reconhecer que a humanidade não cabe nessas molduras brutais de amor ou ódio absoluto.
No fundo, talvez o que mais distorce a opinião pública não seja a existência de divergências, mas o esforço constante para apagá-las em nome de narrativas convenientes.
E é justamente aí que mora o perigo: quando a pluralidade real dos afetos humanos é sacrificada para sustentar a ficção de que todos sentem o mesmo.
Porque sempre que tentam nos convencer de que alguém é amado ou odiado por todos, talvez estejam menos descrevendo o mundo e mais tentando domesticá-lo.
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