Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura

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Há noites em que sinto a alma caminhar por corredores invisíveis dentro de mim, como se Deus permitisse que certas dores permanecessem apenas para que eu jamais esquecesse a profundidade daquilo que sobrevivi.

Há em mim uma melancolia antiga, quase litúrgica, como se minha alma carregasse memórias de tempestades que minha própria consciência já não consegue nomear.

A alma também adoece de excesso de lucidez. Há verdades profundas demais para serem carregadas sem deixar marcas irreversíveis na forma de enxergar o mundo.

Há lembranças que não envelhecem, permanecem intactas dentro da alma, como feridas preservadas pelo próprio tempo.

Há dias em que minha consciência pesa como uma oração antiga esquecida entre ruínas espirituais.

Há pensamentos que não cabem em palavras. Permanecem vivendo dentro de nós como universos inteiros condenados ao silêncio.

Nem toda profundidade é bonita. Há profundezas que cansam, que isolam e que tornam impossível voltar a habitar superficialidades.

Há um tipo de cansaço existencial que nasce de sentir demais em um mundo treinado para anestesiar emoções.

Há momentos em que a lucidez se torna mais pesada do que a própria tristeza.

Há cicatrizes que se tornaram capítulos indispensáveis da nossa história.

Há pessoas que sobrevivem sorrindo para não preocupar ninguém.

Há um tipo de sabedoria que nasce apenas depois do sofrimento.

Escrevo porque há dores que não sabem gritar, apenas se transformam em palavras. Sou feito desse homem que sofre, observa, reza, recorda e continua, convertendo abandono em linguagem e fragilidade em algo que o tempo não consegue destruir.

Há em mim um homem que sofre em silêncio, observa com profundidade, recorda com saudade e reza com esperança. Talvez seja por isso que minhas palavras nasçam das cicatrizes: porque algumas dores só encontram descanso quando se tornam literatura.


- Tiago Scheimann

Há tristezas que não pedem consolo, apenas uma cadeira vazia e o respeito de quem aprendeu a ouvir o próprio ruído interno.

Há dores que não procuram resposta, porque a pergunta já é a resposta: continuamos vivos, mesmo depois do que nos diminuiu.

Há um tipo de tristeza que não afunda: ela paira, pesada, sobre a rotina, transformando o banal em lembrança de naufrágio.

Há solidões que não expulsam, apenas iluminam o contorno exato daquilo que eu nunca tive coragem de admitir.

Há uma solidão fértil, como terra depois da chuva, que não me isola: me prepara.

Habito um labirinto estreito e obscuro, uma mente feita de escombros. Há um cheiro persistente de esquecimento no ar e o gosto áspero de ferrugem na boca. Um lugar maldito, confuso, que consome quem entra. Mas é sob o peso dessa escuridão que minhas epifanias sangram. Eu pertenço a essa ruína.