Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura

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Olhos que só veem

Em nosso amor há dias claros e turvos,
acertos que se perdem, erros que se amplificam.
Mas tu só vês minhas falhas,
como se as tuas fossem invisíveis.

Teu olhar acusa, tua voz corrige,
mas nunca percebe o peso que carregas.
Enquanto isso, eu aprendo, me esforço,
tentando ser inteiro em meio às tuas críticas.

Se o amor é caminho, caminhamos em lados opostos,
pois um vê só a pedra no outro,
e esquece que também tropeça.

E ainda assim, espero que um dia enxergues,
que o amor é mais que apontar defeitos,
é saber perdoar, crescer e reconhecer
que erramos juntos, e juntos devemos seguir.

“Nao há forma para definir o presente, quando tento o descrever já é passado”

Não entro em luta armada com estúpido, minha luta é no campo das idéias, mas neste século não há luta de idéias, os homens já foram todos derrotados pela vaidade do falso conhecimento.

O IRREPETÍVEL


Há acontecimentos na vida que não admitem reedição.
Por mais que a memória tente rearrumar as peças, por mais que o coração procure réplicas, por mais que o desejo se vista de esperança, certos encontros pertencem a um único instante do universo, e jamais regressam com a mesma força.


Não porque falte coragem.
Não porque falte amor.
Mas porque o caos — esse dramaturgo secreto — escreveu um enredo que não se repete.


Há amores que não voltam porque não nasceram para durar: nasceram para revelar.
Há paixões que nos atravessam como relâmpagos — belas, breves, devastadoras — e deixam em nós uma claridade que nenhuma rotina suporta.
E, ainda assim, tentamos.


Tentamos reescrever a história.
Tentamos transplantar a emoção de um corpo para outro, como quem tenta acender uma fogueira com cinzas frias.
Tentamos encaixar um novo rosto no formato exato do antigo.
Tentamos repetir o gesto, o riso, o perfume, o tremor, como quem repete feitiços que perderam o encanto.


Mas o coração não aceita imitadores.


O que nos marcou não foi apenas a pessoa — foi o instante.
A circunstância.
O invisível.
Aquela interseção secreta entre tempo e alma, onde algo se abriu dentro de nós e nunca mais fechou no mesmo lugar.


É inútil reinventar o que foi único.
O universo emocional não admite plágio.


Há feridas que só aquele corpo sabia curar.
Há abismos que só aquela voz sabia atravessar.
Há silêncios que só com aquele olhar faziam sentido.
Há vertigens que só aquele toque despertava.


Transferir esse sentimento para outro contexto é como tentar mover uma constelação inteira para outro céu.
Nenhum encaixe funciona.
A geometria do amor é exata demais para ser manipulada.


Talvez seja essa a beleza brutal da experiência humana:
nem tudo é reaproveitável.
Nem todo amor é reciclável.
Nem toda paixão sobrevive à tentativa de repetição.


O que vivemos uma vez, vivemos uma vez apenas.
E é justamente essa precariedade que faz do instante um milagre.


Não caberá em outro corpo.
Não caberá em outra história.
Não caberá em outra tentativa.


O máximo que podemos fazer é honrar a verdade do que sentimos — e seguir.
Não como quem busca substituições, mas como quem reconhece que há acontecimentos que são portas: abrem-se uma vez e nunca mais se repetem no mesmo lugar.


E talvez seja assim que o caos nos ensina:
não para que reconstruamos o que acabou,
mas para que aceitemos que o irrepetível também é uma forma de eternidade.

O IRREPETÍVEL


Há coisas que não se repetem.
Não por falta de tentativa, mas porque o mundo não devolve o mesmo vento duas vezes.


Você até buscou a fresta que um dia se abriu — a mesma luz, o mesmo acaso, a mesma vertigem. Procurou outro corpo onde a memória coubesse, outra pele com o mesmo ritmo secreto, outro olhar capaz de fazer a respiração errar o passo.
Mas não havia réplica.


O que aconteceu — aconteceu numa combinação que não se fabrica:
um gesto que não estava previsto,
uma falha no tempo,
uma distração do destino.
Foi ali que algo passou por você e não voltou.


Depois disso, tentou reorganizar o enigma.
Mudou a cena, trocou os nomes, alterou o cenário — e o milagre permaneceu imóvel, como se dissesse: não me convoque.
Há eventos que não obedecem.


Você percebeu tarde que não buscava outra pessoa.
Buscava o ruído exato daquele instante — aquele som que só seu coração reconheceu e nunca mais ouviu.
Mas não se captura o eco de algo que só existiu no momento em que rompeu o silêncio.


O resto é tentativa.
E tentativa tem outro brilho.


O que ficou não é lembrança, é marca:
um leve desvio na alma, um lugar onde o mundo tocou e retirou a mão antes que você entendesse o gesto.
Não há como refazer isso.
O universo não trabalha com versões revisadas.


Há histórias que não querem continuação.
Querem apenas ser o que foram:
um rasgo preciso,
um acontecimento sem repetição,
um idioma que você só escutou uma vez
e nunca mais soube pronunciar.

⁠Não confunda amizade virtual com os amigos da sua convivência diária. Há um teste fácil: fique sem dar um "alô" a muitos de seus contatos e veja quantos falam com você. O mundo das mídias é o das aparências/enganações.

Há certos namoros iguais à ioiô: vai e volta e nunca sai das mãos, enquanto não arrebentar a corda.

Para cada demônio caído há dois anjos sob às ordens divinas para defender e levantar a vida do justo.

Quando Deus abençoa a sua casa não há maldição que entre para tirar a sua paz.

⁠Quando há propósitos relevantes como elevar a felicidade das pessoas nossos passos vão em direção a elas.

Por um alto preço fui comprado e não há finanças na terra que superem o investimento da minha felicidade.

Recolha suas justificativas quando há falhas nas suas atitudes para recompor a imperfeição do espírito.

Os que pregam que não há caridade fora da salvação deveriam ensinar que Jesus Cristo fez a maior caridade na cruz para nos trazer a salvação.

Não há príncipe ou princesa encantada. Quando a nuvem cor de rosa se dissipa, vem a realidade e mostra que a vida não é um conto de fadas. Portanto, deixe de ilusões!

⁠Quando você acha que não há mais saída, Deus vem e te surpreende, tenha calma, as bênçãos estão a caminho.
Acredite, tudo já deu certo.

“Há silêncios que gritam mais alto que palavras, e nele, pode morar uma vida inteira de sentimentos."

⁠Existe algo mais superficial do que um sorriso em uma selfie? Evidente que não! Como não há nada mais deprimente do que a felicidade falseada.

Da elegância à simplicidade, da beleza à competência.

Há pessoas que chegam como uma brisa tranquila: sem fazer esforço, trazem calma, carinho e luz. Você tem esse dom, de tornar tudo mais bonito apenas sendo exatamente quem é.

Autor : Authomy Neto

" Entre o sonho e a realidade, há sempre uma xícara de coragem esperando que eu a beba para confessar que amar-te é aprender a amar mais aquilo que sou quando estou diante de ti. "

NO INVERNO DA ALMA, O COBERTOR DA CARIDADE.
Há um frio que não pertence às estações.
Ele nasce quando o tempo se inclina sobre os ombros
e deposita ali a poeira das décadas.
Não é o vento que corta.
É a memória que sopra.
Sou como uma catedral antiga esquecida na névoa,
colunas erguidas pela esperança,
vitrais rachados pelo silêncio.
O eco que habita meu interior
não é o da multidão,
mas o da própria consciência
que se interroga diante do abismo.
Envelhecer é assistir à própria sombra alongar-se
sobre o chão das perdas.
É aprender que a carne se cansa,
mas o espírito insiste em vigiar.
É carregar no peito uma biblioteca de dias
que ninguém mais consulta.
E, contudo, há um pensamento
que me cobre.
Quando penso em ti,
não como figura distante,
mas como símbolo de ternura concebida,
sinto um calor austero,
uma chama discreta
que não consome,
apenas preserva.
Tu te tornas o cobertor da caridade
não porque salves o inverno,
mas porque o atravessas comigo
na imaginação que ainda respira.
A caridade mais alta não é a esmola do gesto.
É a permanência da presença
mesmo quando o mundo se ausenta.
É a capacidade de aquecer outro
com a simples recordação do que poderia ser belo.
Meu frio não é revolta.
É lucidez.
É o entendimento de que tudo passa,
exceto aquilo que se gravou
na camada mais funda do ser.
Se sou velho,
sou também arquivo.
Se sou fraco,
sou ainda sensível ao toque invisível
do pensamento que conforta.
E assim permaneço,
no inverno que me constitui,
envolto na ideia de ti
como quem segura a última brasa
numa noite interminável.
Porque há pensamentos
que não salvam o mundo,
mas impedem que o mundo nos apague.
E enquanto houver esse lume silencioso
ardendo na penumbra da consciência,
nem o frio mais severo
será capaz de extinguir
a dignidade de sentir.