Ha como eu Queria q ela Soubesse
#MINHA #RUA
Moro em uma rua esquecida...
Abandonada, a mais escura...
Cachorros cagam nela...
Há 1/2 século vejo pela minha janela...
Em minha esquina ...
Começam as serestas...
Mas logo sai de minha rua...
Só deixando a solidão nela...
Tem uma calçada de estrelas...
Muita calma nessa hora...
Apenas uma homenagem...
Aos grandes menestréis das serenatas...
Lindos sonhos sonhei...
De ver muita alegria...
Sempre contando os dias...
De tudo que existe...
Que tristeza...
Pura quimera...
Rua tão triste...
Horas mortas...
Do amanhecer ao anoitecer...
Que me faz sofrer...
Última a ser enfeitada...
Em festas, pouco iluminada...
Até o padroeiro Santo Antônio...
Hoje não passou por ela...
Acesso para a cidade...
De casarões coloniais...
Resistência de antigos moradores...
Poucos, quasem não se encontram mais...
O comércio é escasso...
Poucas lojas de fato...
Uma igrejinha presbiteriana...
Pouco aberta na semana...
É a rua que mais árvores tem...
Entre duas praças...
A da matriz que um dia teve um lago...
E a da feirinha com artesanatos...
Rua do hospital...
De farmácias...
Se passar mal...
Ali você se acha...
Tem pousadas...
Uma delas é rosa...
Namoradeiras sonhadoras...
Sempre alguém querendo prosa...
Linda cidade de Conservatória...
Quando no céu a lua aparece...
Um violão solitário chora...
Eis que é a hora...
Das pedras contar suas histórias...
Nessa rua eu cresci...
Nessa rua eu brinquei...
Nessa rua eu vivo...
E se Deus me permitir...
Daqui partirei...
Mas agora eu só queria mais ver...
Mais alegria e muitas flores...
A florescer...
Durante o dia pouca gente...
Na madrugada só gambá...
De viralatas muita bosta...
Cuidado quando andar...
Sandro Paschoal Nogueira
#SORRISOS
Há sorrisos de amor
Há sorrisos de maldade
Há sorrisos de rancor...
Em toda e qualquer parte...
Há sorrisos solitários...
Há sorrisos de desdém...
Há sorrisos que lhe querem mal...
Há sorrisos que lhe querem bem...
Há sorrisos de lágrimas...
De tristezas que não tem fim...
Mas também há sorrisos que são especiais...
Para você e para mim...
Há sorrisos de angústias...
Outros de muita paz...
Falsos e verdadeiros...
Como ninguém faz...
Sorrisos tímidos...
Outros escancarados...
De corações vazios, sem sentidos...
Outros repletos de carinhos sinceros...
Os mais feios, acho eu, são os forçados...
Ocos, sem sentido...
Sem brilho... tão apagados...
O sorriso mais belo...
É quando o olhar brilha...
Formam um belo conjunto...
Perfeita harmonia...
Eu amo dar o meu...
Amo receber o seu...
Amo os milhares de sorrisos que você tem...
Amo suas risadas...
Suas piadas sem graça...
Eu amo a tua cara enciumada...
Amo dividir nossas histórias e segredos...
Amo seu sorriso...
Que me faz tão bem...
Sandro Paschoal Nogueira
#MOMENTOS
Amor imenso que também é cego...
Não há luar...
Não há estrelas...
Não sei o que vejo...
Amar eu posso até à hora de morrer...
Acordo...
E ainda que o caminho me espante...
Ainda que acordar seja
morrer aos poucos...
Amo...
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida...
Quando o futuro me causa medo...
Todos os meus próprios momentos...
Ilusões e verdades...
Nesse espaço e tempo...
O que só agora claramente vejo...
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonho...
Nos destinos que não desvendo...
Vou amando...
Meus momentos...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Há o tempo para formar as nuvens, que através delas se escondem os trovões e os raios, e logo vêm as chuvas, e há o tempo para o sol e o arco-íris e logo depois chega o pôr do sol, para que a lua e as estrelas deem o encanto dos seus brilhos no céu. Essa observação do tempo é assim: o ciclo da vida humana que é igual ao ciclo do tempo.
Sempre quando há uma separação, pode ver que elas buscam fazer trilha, rapel, novas aventuras, só pra mostrar que estão bem. Mas na realidade estão vazias por dentro. Querendo se curar, mas não consegue tão rápido, porque a ferida continua lá dentro.
Quando ensinar já não basta
Há dias em que a escola pesa mais do que a mochila dos professores em semana de avaliações.
Não por causa das aulas. Nem das provas. Nem da burocracia, embora ela exista e cresça a cada ano. Pesa porque, em algum momento, ensinar deixou de ser apenas ensinar. Hoje, espera-se que o professor seja gestor de conflitos, mediador familiar, psicólogo improvisado, agente social, produtor de relatórios, alimentador de plataformas, responsável por índices, motivador permanente e, de alguma forma, o último elo de uma corrente que começou a se romper muito antes de sua chegada. Tudo retorna ao professor. Se o estudante aprende, cumpriu sua obrigação. Se não aprende, pergunta-se o que o professor fez, ou deixou de fazer. Essa lógica revela uma das maiores distorções da educação contemporânea: individualiza-se a responsabilidade por um problema que é estrutural.
Nesta semana, sentei-me diante de um estudante do sexto ano que não lê. Não escreve. Não domina habilidades que deveriam ter sido construídas nos primeiros anos da escolarização. É educado, prestativo, participa, tem vontade de agradar, mas a linguagem escrita ainda não lhe pertence. Foi nesse momento que a palavra "avaliação" perdeu o sentido. Como avaliar alguém que não consegue acessar aquilo que é condição para realizar a própria atividade? Que nota representa essa realidade?
A escola, então, oferece caminhos conhecidos. Recuperação. Nova oportunidade. Trabalho substitutivo. Mais prazo. Mais uma atividade. Mais uma tentativa. O RAV. Até que, quase sempre, chega-se ao mesmo destino: a aprovação. Não porque as dificuldades desapareceram, mas porque o sistema precisa continuar funcionando.
É uma engrenagem curiosa. Cobra-se do professor uma avaliação criteriosa, instrumentos diversificados, registros, evidências e lançamento de notas. Ao mesmo tempo, espera-se que os resultados finais não contrariem o fluxo esperado. A avaliação precisa existir, mas suas consequências nem sempre podem existir. Talvez seja por isso que tantos professores experimentem a sensação de correr sem sair do lugar.
O sociólogo Zygmunt Bauman escreveu que vivemos tempos líquidos, marcados pela fragilidade dos vínculos e pela dificuldade de sustentar compromissos duradouros. A escola não ficou imune a essa condição. A responsabilidade pela aprendizagem tornou-se cada vez mais difusa. Quando tudo é responsabilidade de todos, frequentemente acaba não sendo responsabilidade de ninguém. E, no fim, sobra para quem está diante da turma.
Também me vem à memória Paulo Freire, quando afirmava que ensinar exige rigor metodológico e compromisso ético. Curiosamente, quase sempre lembramos apenas da palavra "amor". Esquecemos do rigor. Ensinar também exige reconhecer quando uma aprendizagem ainda não aconteceu. Fingir que aconteceu não é inclusão; é apenas adiar um problema que se tornará maior no ano seguinte.
Há algo profundamente injusto nisso. O estudante é privado de um direito fundamental: aprender. O professor é privado da possibilidade de avaliar com honestidade. A família, muitas vezes, acredita que a aprovação significa desenvolvimento. E a escola produz documentos que atestam competências que, na prática, ainda não existem.
Não escrevo estas linhas porque acredito que reprovar resolveria o problema. Não resolveria. Mas aprovar sem garantir a aprendizagem também nunca resolveu. Entre essas duas margens existe um vazio que temos insistido em chamar de política educacional.
Enquanto isso, seguimos preenchendo planilhas, lançando notas, organizando recuperações, respondendo questionários sobre estratégias, justificando ausências, explicando conflitos que nasceram em segundos e tentando provar, diariamente, que estamos fazendo o suficiente.
Talvez a pergunta mais incômoda não seja por que tantos estudantes chegam ao sexto ano sem ler. A pergunta é outra: em que momento nos acostumamos com isso?
Talvez seja esse o maior retrato da crise educacional. Não a existência do problema, mas a naturalidade com que passamos a conviver com ele.
Há dias em que a escola não cansa apenas pelo excesso de trabalho. Ela cansa porque obriga bons profissionais a escolher, diariamente, entre registrar a realidade ou alimentar a ficção de que ela já foi transformada.
E essa talvez seja uma das violências mais silenciosas da educação brasileira.
Há momentos na história em que o silêncio alheio diz mais do que qualquer grito. O país respira outro ar, e a sensação é quase de "déjà vu"; quando a verdade finalmente encontra seu caminho, muita gente prefere olhar para o chão, como quem tenta esconder o próprio passado.
Por anos fui tratado como exagerado, radical, “petista demais”, simplesmente por defender justiça social, dignidade e um país minimamente humano. Teve gente que atravessou a rua para não falar comigo. Teve quem me atacasse nas redes como se pensar diferente fosse um crime. Fui julgado, ridicularizado e empurrado para a margem por acreditar na política como instrumento de transformação. E por acreditar em Lula como grande estadista — o homem que a história já registrou.
Hoje, nesses dias, olhando o cenário, não preciso dizer nada. A vida tem um senso de ironia que não falha. Há quem esteja descobrindo, tardiamente, a vergonha alheia por tudo aquilo que defendeu. Eu apenas sigo firme. Porque minha luta nunca foi sobre direita ou esquerda: foi, é e sempre será sobre humanidade. É gratificante fazer parte do lado certo da História.
Paguei caro por ser coerente. Perdi oportunidades, perdi pseudos amigos, fiquei vulnerável economicamente. Penso diferente, sinto diferente, luto diferente — e isso incomodou muita gente. Ainda assim, continuo aqui, acreditando num país mais justo, solidário e possível. Para mim, para minha família e para quem ainda ousa sonhar.
A política passa. As pessoas ficam. E, diante de qualquer rótulo, continuo escolhendo ser humano, sempre.
Logo, entre ser de Direita ou de Esquerda, antes escolho ser Humano.
Linha por linha, sigo entregando aquilo que acredito: coragem, coerência e compromisso com o outro.
Humberto Brassioli Corsi
A educação faz sentido, quando ao sentirmos há o sentido da existência, e por consequência sentimos o sentido de protagonizar e contribuir para os outros e para nós mesmos. Essa é a a educação que a instituição deve promover a todos, sem extinção.
Há amores que despertam em nós o desejo de eternizar cada instante por meio de um presente repleto de significado. E há aqueles que chegam de repente, como um amor à primeira vista, arrebatando o coração com tamanha intensidade que resta apenas uma escolha: declarar o que sentimos e oferecer um gesto que traduza a grandeza desse amor.
Há dias em que o peso do mundo parece repousar sobre os nossos ombros. Nesses momentos de escuridão e desânimo, quando cada passo parece exigir uma força sobre-humana, é a sua coragem que se destaca. Ela não é um grito, mas um sussurro constante que se recusa a ser silenciado.
Sua resiliência atua como um farol, uma luz que brilha intensamente o suficiente para penetrar a névoa da dificuldade. Ela ilumina não apenas o próximo passo, mas todo o caminho à frente, lembrando-nos que o cansaço é temporário, mas o espírito é indomável.
Em um mundo que muitas vezes tenta nos diminuir, essa luz interior é a prova viva da nossa capacidade de superação. Por mais que tudo pareça pesado, sua coragem ilumina o caminho, mostrando que a força para seguir em frente já reside em você.
A vida não anda para trás
Há pessoas que passam anos olhando para o passado, tentando descobrir em que momento tudo mudou. A verdade é que a vida muda todos os dias, em pequenos detalhes que quase nunca percebemos.
O tempo não nos pede autorização para seguir. Ele simplesmente segue.
Por isso, maturidade não é viver sem saudades. É aprender que algumas lembranças merecem ser visitadas, mas não habitadas.
Quem transforma o passado em moradia deixa de construir o futuro. Quem o transforma em aprendizado leva consigo apenas o que ajuda a crescer.
A vida nunca exigiu que esquecêssemos. Ela apenas espera que continuemos caminhando.
Pepita de Oliveira
A coragem de olhar de novo
Há momentos em que acreditamos conhecer a nossa própria história.
Repetimos os mesmos acontecimentos tantas vezes que passamos a acreditar que existe apenas uma maneira de compreendê-los.
Construímos explicações. Criamos certezas. Defendemos conclusões que, durante anos, pareciam suficientes.
Mas a mente humana tem uma característica extraordinária: ela é capaz de atribuir novos significados às mesmas experiências.
O fato permanece.
O olhar pode mudar.
É por isso que duas pessoas podem viver situações semelhantes e guardar lembranças completamente diferentes. Não é porque uma delas esteja mentindo. É porque cada mente organiza a realidade de acordo com sua história, seus medos, suas perdas, suas expectativas e suas esperanças.
Elas começam quando muda a maneira de enxergá-la.
Quantas vezes sofremos por uma interpretação construída em um momento de dor?
Quantas vezes carregamos culpas que nunca nos pertenceram?
Quantas vezes deixamos de seguir em frente porque acreditávamos que o passado havia escrito, definitivamente, quem seríamos?
Talvez a liberdade não esteja em apagar a história.
Ela esteja em permitir que a história seja lida com outros olhos.
Olhar de novo exige coragem.
Coragem para reconhecer que algumas certezas nos protegeram por um tempo, mas já não nos ajudam a crescer.
Coragem para admitir que mudar de perspectiva não significa negar quem fomos, mas honrar quem estamos nos tornando.
É um exercício de humildade.
É aceitar que a vida pode ser mais ampla do que a versão que contamos a nós mesmos.
Se este texto despertar em você uma única pergunta, já terá cumprido seu propósito:
Existe alguma história da sua vida que talvez mereça ser olhada de novo?
Porque, às vezes, a mudança que tanto esperamos não começa quando o mundo se transforma.
Começa quando temos coragem de transformar o nosso olhar.
Por trás de cada exame bem feito, há uma pessoa esperando o cuidado certo. Esse é o nosso orgulho e a nossa responsabilidade.
AINDA HÁ FORÇAS
Há tantos caminhos
Tortos ou floridos,
Mas há tantos espinhos
Em sentimentos fingidos...
Promessas ao vento
Soprando vidas...
No vale do sofrimento
Esperanças contorcidas.
Vidas cansadas
De ouvir sofistas,
Vidas cansadas
De ver parasitas...
Ainda há forças para lutar
Por decência nesta terra,
Ainda há forças para buscar
A paz no fim da guerra.
CICLO DO PÓ
Do pó ao poder
Do poder ao pó
Não há para onde correr
Pois o ciclo termina no nó.
O rei e o mendigo
São tão iguais,
Calçada, castelo e abrigo
Futuro pó e nada mais.
Pó que vida se forma
Sonho que o sonho sonhou,
Vida que ao pó retorna
Pois termina onde começou.
Do pó à vida
Da vida ao pó,
Não há outra saída
Pois o ciclo termina no nó. (pó)
SEM REGRAS
No universo há tantos universos
esqueça as regras
escreva seus versos...
A existência é um momento
esqueça o medo
expresse seus sentimentos...
Aqui nem tudo é igual
abuse das letras
e no fim ponto final.
Que a humanidade nunca seja esquecida diante da pressa por curtidas, alcance ou validação. Há dores, histórias e vidas reais por trás de cada imagem, notícia e comentário. Respeitar a dignidade humana deve estar sempre acima de qualquer disputa por atenção.
Não há coincidências e nem acasos, isto pelo fato de se ter alguma origem que resulte em algum efeito proporcional e até correspondente, isto é, ao se agir de modo positivo ou negativa, o que virá posteriormente é o efeito do que originalmente tenha sido plantado como semente no solo fértil do livre-arbítrio.
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