Genuíno
“Eu poderia falar igual Galileu, que a Matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo, igual Descartes, que o método matemático é modelo para aquisição de conhecimento em todos os campos, igual Pitágoras, que tudo é feito de números, mas não, pois a Matemática é fantástica vista de qualquer maneira que seja”.
ESTA TAL LIBERDADE!!!!!!!!!
Nem sempre ganhamos nem sempre perdemos, mas você realmente acredita em livre arbítrio, tente fazer escolhas sem se preocupar com as consequências, você verá que não é tão livre quanto pensa.
E OS NOSSOS NETOS?
Quando vejo que alguém da família ou amigos são avós ou estão prestes a ser, penso que ainda não somos avôs, as vezes penso quem será primeiro eu ou a Antonia, só sei que estes casais modernos pensam primeiro na estabilidade para depois os filhos, não estão errados, mas e nós? A idade chega e aquela sensação que ainda não conhecemos? Espero que um erro de calculo deles me faça avô, fisionomia já tenho, reconheço.
Sim, tenho certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice, são amores novos, profundos e felizes acredito, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelas lembranças da infância, aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados.
As vezes observo o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que o mãe ou o pai castiga, eles olham para os avôs, sabendo que eles não vão ousar intervir abertamente, pelo menos lhes dão sua incondicional cumplicidade.
Acredito ser uma dádiva que Deus, que concede momentos em que viramos “babões”, claramente, tudo o que significa ser, acho.
NOSSOS MOMENTOS
Há certos momentos que meu pensamento vagueia, sinto que o tempo passa depressa, a idade vem pegando dia a dia, que as oportunidades passam, mas é a vida.
Felizmente cada dia tem novos segredos, revelações, compensações, a cada novo amanhecer novas promessas e oportunidades.
Tudo vale a pena, desde que a família permaneça unida, que para gostar não significa estar junto, que as vezes temos que deixar nossa felicidade de lado para deixar que os outros sejam felizes.
Tenho recomeçado a cada manhã, não sei se do modo certo ou errado, mas vou seguindo. Isso é o que importa.
NOSSAS ESCOLHAS
Eu nem sei que sou, qual a diferença em escolher entre uma dose de uísque ou uma dose de uma boa cachaça, talvez no preço, mas sei que, entre uma dose e outra a vida passa, se não for hoje, um dia passará, algumas coisas por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas para um dia dar certo, nossa força que vem de dentro é maior, maior que todo mal que existe no meio em que vivemos, maior que todos os ventos contrários.
Os verdadeiros vencedores na vida são pessoas que olham para cada situação com a esperança de poder resolvê-la ou melhorá-las.
Enleio
É alguma coisa em você,
Eu sei...
Eu nem gostava de estar na fila,
De andar pelos vãos e corredores,
Então eu não sei...
Mas suspeito que são seus olhos,
A sua presença
Ou talvez algum lapso de memória,
Daqueles que acessam nosso subconsciente,
Onde as imagens ficam guardadas,
Que me faz ter esse apreço.
Por alguns minutos...
Na fila do jantar
Ou sentado com as amigas,
A gente conta coisas da vida,
Mas a vibração e sintonia
Fica toda ligada em seus
Traços...
Isso que escrevo agora,
Nem sei porque escrevo,
Mas saiu assim,
Sem jeito,
Sem ao menos me dar conta.
É esse efeito, estranho...
É alguma coisa em você,
Eu sei...
Acho que são mesmo,
Seus olhos...
Quando minha alma sorri
Queria eu
Ser como o vento
E ir ao teu encontro,
Bailar em seus cabelos,
Tocar seu rosto,
Fazer virar as páginas do seu livro
E fazer parar
Onde as palavras possam indicar
Que eu estou aqui,
Admirando-a,
Como se tivesse numa planície calma Onde só se vê
Os traços belos da paisagem.
Porém,
O vento nunca encontra o seu destino...
Está sempre a bailar por aí,
Indo e voltando,
Surgindo e se esvaindo.
Pensando bem,
É melhor ser eu mesmo.
Ao menos assim
Estarei aqui todos os dias,
Por um tempo,
Tendo a chance de sorrir na alma
Por alguns momentos
Quando te vejo.
Sempre que te vejo...
"Kando
Há um vale de belas flores,
Um oceano calmo e límpido,
Uma noite de céu claro e estrelado,
Quando meus olhos te encontram...
Ouço música soando docemente,
Percebo o ritmo de uma dança,
Uma leveza transmitida no ar
Quando ouço a tua voz...
Escrevo versos e poemas,
Ouço canções que você gosta,
Vejo a todo momento seu status
E fico aqui em você, pensando...
Se eu não pudesse te ouvir,
Se eu não pudesse te ver,
Nem mesmo te encontrar,
Ainda assim te sentiria dentro de mim..."
Minha mão está fria,
A mente está vazia
E de momento, ela mente
Como da noite para o dia.
Uma mistura de sentimento,
Frequente, bem se sente,
Esta utopia ascendente.
A escrita é um outro universo,
E ao longo do verso
Me faço identificar.
E não sendo muito perverso
Nem nada o inverso,
Dá-me mais prazer escrever
Do que propriamente acasalar.
Aprecie enquanto é tempo
Senta aqui do meu lado,
Vamos ver o sol se por.
Aprecie enquanto é tempo,
Tudo que é bom e o amor.
Se eu te disser que vivo
É porque eu não ligo.
Quem não aproveita a vida
Não tá vivendo.
Não tenho bens materiais,
Mas que falta me faz?
Aonde vou sempre encontro alguém
Que me quer bem.
O mundo não tá perdido,
Ficar parado é o pior perigo.
Siga teu sonho irmão,
Não veja a vida na televisão.
O que era menos, agora é mais
Não va agora!
Toma um café.
Me pede um cafuné?
Só não vá embora!
Te dedico uma canção,
Falamos do cotidiano,
Da vida e dos planos.
Isso afasta a solidão!
Coisa boa te ter por perto.
Falando das flores,
Colorindo o deserto.
Tua presença traz alegria e paz.
Agora que você chegou,
O que era menos agora é mais.
Soneto das canções
"O melhor presente Deus me deu
Sigo palavras e busco estrelas
Palavras, apenas palavras
Me sinto só, me sinto tão seu
Desculpe estou um pouco atrasado
A vida vem em ondas como o mar
Exista amor pra recomeçar
Exagerado, eu sou mesmo exagerado
Estar lá, ver e voltar
Minha honey baby
Eu cuidarei do seu jantar
Somos quem podemos ser
Tente outra vez
O acaso vai me proteger"
Tudo está ao contrário e ninguém reparou
"Falamos de vida no espaço,
De viagem interestelar.
Mas não conseguimos gostar
De quem está aqui do nosso lado.
Se fala por aí que o mundo está chato.
E nas ruas não nos cumprimentamos,
Baixamos a cabeça quando passamos.
Não tem algo de errado?
Preferimos ficar ao celular,
Ao invés de curtir a família
Quando nos reunimos pro jantar.
E querendo o mundo melhorar,
Vamos fazendo tudo ao contrário
Triste onde vamos chegar..."
Geração desapego
"Devo estar sonhando,
Vejo pessoas felizes.
Mas parecem atores, atrizes.
Só posso estar delirando.
A máscara é de um sorriso aberto,
Mas os olhos não mentem
A solidão que sentem
Quando se chega mais perto.
Na tela demonstram alegria,
Querem ser vistos
De noite ou de dia.
Não conhecem o amor.
Pregam uma vida de liberdade.
Mesmo assim não se livram da dor."
Hoje procurei desenho em nuvens
"Hoje olhei pro céu,
Estava encoberto,
E não sei ao certo
O que me aconteceu.
Procurei desenho nas nuvens.
Lembrei da minha infância,
Brincadeiras de criança,
De muitas traquinagens.
A gente cresce, fica sério.
Nada mais tem graça.
Nos divertimos só pra fugir do tédio.
Faz bem pra alma mudar a sintonia.
No calendário da rotina,
Volte a ser criança por um dia."
A vida é uma linha que corre
"A vida, parceiro.
É uma linha que corre,
É o tempo que escorre,
Passa ligeiro.
Dê valor, se encontrar:
A fraternidade de um amigo,
A quem te da abrigo,
Alguém para amar.
Nunca se deixe desanimar.
Aceite sua grandeza,
Não tenha medo de errar.
Não desperdice as horas,
Nem sequer um segundo.
Construa lindas histórias!"
Retalhos da Memória
..................................
(O CONTRASTE DO GARI MAIS POLITIZADO DA PARAÍBA)
Por: Anna Paula Oliveira. jornalista
No dia 11 de janeiro de 1972, num barraco da maior favela da cidade, a Cachoeira, nascia José Martins de Paiva, O Gari . Sentindo-se um pré destinado à miséria, com ar de tristeza e desolamento, contou-me sua história, definindo suas lembranças de criança como “infância do pesadelo”.
A fome, maior bandida de sua vida, o devorava e enfraquecia. Sua refeição diária era um prato preparado com um bocado de farinha, cebolas cortadas em pequenos pedaços e uma pitada de sal o banquete descia goela abaixo acompanhado por 3 ou 4 copos de água. Em dias que nada tinha para preencher os buracos do estômago espetado pela dor que roncava, o menino dormia anestesiando a fome que atormentava , e que apunhalando forte, por vezes o fez desmaiar.
As lágrimas presas no semblante escurecido ficaram nítidas, ao falar sobre o sonho de criança: ir à escola.Mas, seu desejo foi roubado pelos ratos que além de morde-lo durante à noite, roeram seu registro de nascimento , documento que na época custava caro e era imprescindível para matricula na escola. Angustiado , lembrou-se ainda do diálogo com a mãe:
_ Mãe, me bote na escola!
Que aos tapas lhe respondia:
_ Pra que que tu quer estudar miserável? Caderno de pobre é o roçado e a caneta a enxada. Vai trabalhar vagabundo!
Já que filho de pobre não ia à escola, sua rotina se alternava entre as esmolas que pedia nas ruas e as víceras de galinha procuradas entre as penas nas sarjetas das granjas.Entre as lembranças remoídas , falou com olhos distantes sobre a história da galinha preta, morta, abandonada em um córrego sujo.Obrigado a descer à margem, a mãe o apedrejou, por ele não ter forças de trazer o jantar do dia para cima. Um engenheiro que trabalhava em uma obra observou a cena e chocado,e aos prantos o ajudou a subir. Passando as mãos carinhosamente pelos cabelos do menino que chorava disse:
_ Minha senhora, não faça isso com seu filho...Tome esse dinheiro e joga isso fora, que isso não é comida de gente. Agradecidos, mãe e filho se despediram do homem generoso, e enfim, quando já não havia mais ninguém à vista, voltaram ao córrego, apanharam a galinha e comeram.
Crescendo dentro da favela, recebeu os beijos de rejeito e viu-se em um dilema: a revolta ou a conformação. Entre lutar para crescer ou roubar par viver, trilhou os dois caminhos _mas não sem medo. Afinal sua mãe o repreendia com palavras duras, ditas sempre com um facão em punho:
_ Olha desgraçado, no dia que você roubar, eu meto essa faca no teu bucho e corto seu pescoço, seu infeliz miserável.
As palavras secas e cruas ecoaram por muito tempo em sua cabeça perturbada pelo destino difícil. Quando adolescente, apesar das ameaças da mãe, passou a viver como menino de rua. Sem trabalho e oportunidade de estudar, acompanhado por uma tropa de meninos, quebrou vidros de carros, pegou morcego em ônibus e derrubou muitos tambores de lixo, onde o proibiam de catar os restos.
Aos 15 anos, mesmo sem registro de nascimento, começou a freqüentar clandestinamente a escola. Porém a hostil bagagem das ruas o tornou agressivo ao ponto de em uma briga na escola, furar com um lapiz um colega de classe. Mais uma vez o sonho de aprender, escapou de suas mãos.
Com o tempo, muitos amigos morreram tragados pela criminalidade das ruas ou assassinados pela polícia_ polícia essa que na favela da Cachoeira, entrava batendo nos “ciladrões”, porque ali todos eram culpados até que provassem o contrário.
Aos poucos com ajuda de amigos, aprendeu a ler e aos 18 anos, passou no concurso para gari, onde foi batizado com nome que o tornou conhecido, Gari da Cachoeira. Durante as coletas do lixo, os livros que para uns não tinham mais utilidade, eram levados para casa como peças valiosas. As obras eram lidas entre os intervalos do trabalho e as folgas no fim de semana. Ao longo dos anos tornou-se sindicalista atuante na categoria. Através de programas sociais de alfabetização de adultos concluiu o ensino fundamental e posteriormente o ensino médio por meio de supletivo.
Sua participação na luta por condições dignas de moradia aos moradores da favela da Cachoeira, foi determinante nas ações sociais que foram aplicadas na habitação e saneamento básico da comunidade.
Hoje a favela já não existe mais, A Cachoeira virou bairro da Glória, e embora as paredes sejam de concreto e não de taipa, o desemprego, a fome e o sofrimento causado pelas diversas faltas, permanecem ainda ali impregnados nas pessoas que continuam sem efetivas oportunidades de mudança.
O Gari da Cachoeira, casado, pai de 4 filhos, sindicalista, político atuante, candidato por duas vezes a cargos públicos, estudante de Direito, continua engajado em ações sociais que contribuam para mudanças no quadro infeliz de miséria sentido na pele, onde carrega ainda muitas cicatrizes.
Burrice do Saber
"Nada muda na vidaDe quem não quer mudar,Nascer burro e morrer cavaloÉ mera utopia,Pois a pior fantasiaÉ não querer aprender.”
José Martins de P, gari da cachoeira
