Gente Mimada
Nem tudo acontece como a gente quer, e devemos aceitar isso. Não era pra ser, não deu, não foi. Mas o que fazer a seguir?
Uma hora a gente cansa. Cansa desse vazio, desse estado de não ter nada, desse silêncio que já não traz paz, das pessoas que não nos ligam, não nos procuram, dos amores que nunca saíram da nossa imaginação. A gente cansa das músicas, das memórias e até mesmo dos pensamentos; cansa de dormir, cansa de ter que ficar acordado, de ter que aguentar mais um dia. A gente cansa dos amigos de mentira, cansa do celular que nunca toca, e do vazio que grita. A gente cansa.
A gente cobiça tanta coisa que não está ao nosso alcance que se esquece que as coisas que realmente merecem a nossa cobiça a gente já tem e nem se dá conta disso.
Às vezes, a gente sofre não pelo tamanho do problema que temos que enfrentar, mas pela nossa incapacidade de perceber a diferença entre o que podemos mudar e o que não podemose com naturalidade aceitar essa limitação.
A gente sabe que uma coisa tá certa quando tem aquela sensação gostosa de frio na barriga quando vê a pessoa.
Ela é a minha filha e eu sou a mãe dela, então às vezes a gente briga um pouco, mas, sabe, ela é a minha pessoa favorita.
De todas as coisas mais difíceis que existem na vida, uma delas é dizer Tchau pra quem a gente ama.
Amar a gente ama o que a gente quer a toda hora, o que parece que vai nos fazer ficar sem ar se ficarmos sem.
Discernimento é a arte de reconhecer limites, os seus e principalmente o dos outros. Quando a gente sabe até onde deve ir descobre que há linhas que embora invisíveis não devemos ultrapassar. Há espaços sagrados e lugares invioláveis dentro e fora da gente.
E lá vem o medo de novo com essa mania de colocar limites na gente, mas eu o encaro de frente e mesmo um pouco esmorecida finjo que estou cheia de coragem, ele acredita e passa batido por mim.
Existem palavras tão perfumadas que a gente sente como se estivesse recebendo um ramalhete de rosas colombianas com um laço de fita dourado.
