Gelo

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“Gelo” — Análise de um poema de Priscila Mancussi

Poema de Priscila Mancussi
*“Imenso, perturbador e inquietante
Silêncio instigante
Provoca medo
Revela segredos

Intenta os pensamentos
Com o som do nada
Apenas o vulcão de dentro
E as próprias conclusões

Frio, sobe pela espinha
Arde o gelo desse silêncio
Mudo, distante e cruel
Deixa o fel

Amargo e doce
Dói mas responde
Sábio e perspicaz
Silêncio voraz.”*

Sobre mim


Oi, sou a Valkíria, professora, pesquisadora e escritora. Hoje trago a análise de um poema de Priscila Mancussi, em que o silêncio é protagonista e se revela como força paradoxal.

Agora minha análise


No poema “Gelo”, Priscila Mancussi transforma o silêncio em personagem denso e multifacetado. Ele não é apenas ausência de som, mas presença inquietante que instiga, assusta e obriga à reflexão. O verso “Apenas o vulcão de dentro” mostra como o silêncio externo abre espaço para erupções internas, conduzindo o sujeito às próprias conclusões.

O frio que “sobe pela espinha” e “arde o gelo desse silêncio” reforça a dualidade: o silêncio é ao mesmo tempo doloroso e revelador, cruel e sábio, fel e doçura. É um silêncio que corrói, mas também ensina.

A força do poema está em reconhecer que o silêncio, ainda que perturbador, pode ser mestre. Ele desnuda, obriga a olhar para dentro e, por isso, se torna “sábio e perspicaz, silêncio voraz.”

Priscila Mancussi, nesse texto, nos lembra que muitas vezes não é o ruído do mundo que mais pesa, mas o silêncio que nos confronta com nós mesmos.

O gelo pode ser frio, mas nas mãos certa vira escultura...

Me desculpa se virei gelo, mas foi o calor de quem dizia amar que me queimou.

Fogo e Gelo
Juvenil Gonçalves


Teu beijo é fogo a arder,
labareda que me conduz.
Teu toque é gelo a correr,
frio que corta e me seduz.
No corpo, o desejo a ferver,
entre chama e cristal reluz.


A língua desliza em lava,
sobre vales de neve e mar.
O calor que incendeia e agrava,
o frio que me faz delirar.
Fogo e gelo em dança brava,
fazem todo o corpo vibrar.


O suor mistura o ardor e o frio,
rios de prazer a se encontrar.
O corpo rende-se ao desafio,
cada toque é fogo a brilhar.
No êxtase se cumpre o desvio,
onde os extremos vêm se casar.


Fogo e gelo em plena fusão,
chama e gelo a se confundir.
Cada suspiro é oração,
cada tremor a se expandir.
No templo do corpo, a paixão,
faz do prazer puro existir.

A vida é um drink forte que o destino serve sem gelo: desce queimando, assusta os fracos, mas aquece a alma de quem tem coragem para pedir a segunda dose.

opera
fria
sem sentimento,
horizonte frio,
terror...
esquecimento,
tremor
para gelo da alma
copo d´água fria noite
sede sem fim
as horas são obras
na solidão
dois quais uma sombra
nas sobras do sentimento.

Um cubo de gelo.

Feliz é o cubo,
que se mantem frio,
o calor nos ebuli,
ate batermos na tampa ,
onde frustrados,
retornamos a água,
feliz é o cubo de gelo.

Me faço de gelo
Mas no fim, me derreto
Pra coração tropical
Calor é regra!

A labareda da agressividade avançou sobre o límpido silêncio do gelo. No confronto, o fogo feriu, mas foi a vulnerabilidade do agredido que o derrotou. Das lágrimas gélidas da vítima brotou a torrente que extinguiu o carrasco. O fogo consumiu-se no próprio veneno, apagado pelo renascimento da água que um dia foi gelo.

Coração de gelo é o crente que não crê em milagres.

⁠Eu sei, sei que não me amas, eu sinto o frio, o gelo e o aperto da sua ausência no meu coração.

Doce Prisão


Me sinto como uma peneira com blocos de gelo,
tentando não deixar escapar o que sinto
para que você não perceba, porém,
isto é mais fervoroso que o sol de meio-dia.


Tento não alimentar o sentimento que me aprisiona
e, ainda assim,
não resisto ao feitiço que me envolve.


Vivo nesta doce prisão
de esperar que aconteça
aquilo cujas chances são ínfimas.
Tenho medo, tenho medo, tenho medo.


Tenho medo de virar a maçaneta
e, nessa nova vida,
você não fazer parte dela como eu gostaria.
Assusta-me que meus olhos não brilhem
como brilharam por você naquele dia.


Tenho medo que a felicidade da espera não passe
e você nunca venha.


Tenho medo, tenho medo, tenho medo.


Tenho medo que esse sentimento nunca suma
e eu me aprisione às lembranças
do que nunca aconteceu.


Tenho medo, tenho medo, tenho medo.


Tenho medo de partilhar minha vida
Com esse sentimento constante de fuga
correndo desse bicho-papão que me persegue.


Tenho medo, tenho medo, tenho medo.


Tenho medo das gérberas, pois só queria
te dar três destas flores,
no sentido mais puro de cada uma:
eu amo você.


Tenho medo que você saiba desse sentimento
e nos apartemos de vez.
Tenho medo de você virar apenas uma lembrança
daquilo que aconteceu
e do que poderia ter acontecido.


Tenho medo, tenho medo, tenho medo.


Tenho medo de nunca retornar
a ter a liberdade da qual gozava
a liberdade de não sentir isso,
de não imaginar nós,
de não desejar que fique,
de não ser você,
o meu primeiro e
o meu último pensamento do dia


Tenho medo, tenho medo, tenho medo


Tenho medo de conseguir
a liberdade que anseio,
e não saber com o que ela fazer,
de remover o pedaço de mim
que é você
e não ser mais completo


tenho medo, tenho medo, tenho medo.


Você me desarma,
você faz me sentir indefeso
você, você, apenas você


Mas...
mesmo com todo esse medo,
ainda há você em cada canto do meu peito,
e, de algum modo,
não consigo — e talvez não queira — deixar de te querer.

A vida que derrete nas mãos

A vida é como um pequeno e frágil cubo de gelo, segurado ao sol, que brevemente se desfaz em nossas mãos...
Tão transparente quanto nossos desejos, tão fria quanto os medos que evitamos sentir.


Tentamos moldá-la, contê-la, preservá-la, mas ela insiste em derreter; escorrer; partir.
E no fim, o que resta?
Uma lembrança úmida, uma gota, um brilho fugaz.

Quebre o gelo; o frio da solidão é muito pior.

As doutrinas de uma religião,é como peneirar gelo em uma chuva de granisio...ou você se protege ou leva uma pedrada na cara''

Saudade é:

O encontro sempre adiado
O gelo que não derrete
Um grito de dor inaudível
Uma partida sem chegada
Tristeza e alegria numa só lembrança
O coração batendo no passado...

"Nem todo gelo que sai fácil da forma é o melhor"

As pequenas imperfeições de uma mulher são como gelo no copo de whisky de um homem. Para os que sabem apreciar, o gelo delicadamente se dilui sem alterar seu sabor. Para os que não sabem o gelo deixa o whisky sem gosto.

O meu Titanic


Ignorei alertas, pose de aço,
chamei de força o que era cansaço.
O gelo não grita, só sabe esperar,
a gente aprende tarde a escutar.


Quando a água entrou, entrou sem som,
levou certezas, deixou o dom
de entender que afundar não é rendição,
é só mudar, por fim, de direção.

É tão improvável cair gelo do céu
quanto a Lua puxar o mar.
Tão improvável,
Que parece invenção dos sonhos.


Porque há verdades que chegam disfarçadas de "impossível", como se Deus gostasse de esconder milagres dentro da lógica.