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"Se alguém te convence a acreditar em absurdos, te convence a cometer atrocidades em nome de um mistério que ninguém decifrou."

A liberdade exige que ninguém seja obrigado juridicamente a acreditar naquilo que não pode ser demonstrado.

A liberdade intelectual começa onde termina a obrigação de acreditar.

O Estado laico começa onde o poder público deixa de perguntar em que Deus o cidadão acredita e reconhece, agnosticamente, que talvez não possua meios para responder se Deus existe.

O Estado laico não precisa provar a existência de Deus para garantir a liberdade de quem acredita nele, assim como não precisa provar sua inexistência para proteger quem dela duvida.

A ciência pergunta o que pode ser demonstrado; a religião pergunta o que pode ser acreditado; o agnóstico pergunta até onde podemos saber; o Direito brasileiro protege a liberdade de formular as três perguntas.

No Brasil, a liberdade religiosa inclui o direito de acreditar, enquanto a liberdade científica inclui o direito de investigar e a liberdade de consciência inclui o direito de suspender o juízo.

O Direito protege a liberdade de acreditar; a ciência protege a liberdade de verificar; o agnosticismo protege a liberdade de não fingir certeza.

A ciência pode investigar alegações de milagres, a religião pode acreditar neles e o agnóstico pode suspender o juízo sem precisar transformar dúvida em negação.

O Direito brasileiro pode proteger a liberdade de acreditar em uma cura milagrosa sem reconhecer juridicamente que a cura esteja cientificamente comprovada.

O problema não começa quando alguém acredita no impossível; começa quando exige que o impossível seja ensinado como fato científico sem evidência.

Entre aquilo que percebemos e aquilo que acreditamos existir há uma distância que nenhuma linguagem consegue abolir.

Solidão não é apenas falta de companhia. Às vezes, é o raro momento em que conseguimos ouvir a nós mesmos.

O contrário do pecado talvez não seja a perfeição moral, mas a coragem de acreditar que a existência pode ser vivida para além daquilo que nossos próprios limites conseguem demonstrar.

O intelecto possui uma tentação perigosa: transformar sua própria janela em horizonte e acreditar que aquilo que não consegue compreender simplesmente não existe.

A ciência pode explicar como uma crença se forma sem precisar decidir se aquilo em que se acredita é metafisicamente verdadeiro.

A ciência pergunta “como sabemos?” antes de perguntar “no que queremos acreditar?”.

O Direito deveria proteger tanto a liberdade de acreditar quanto a liberdade de não transformar crença em prova.

A ciência pode investigar o cérebro que acredita; somente a filosofia pergunta o que significa ser aquele que acredita.

Não é preciso escolher entre razão e mistério. É preciso saber em que momento estamos investigando, em que momento estamos interpretando e em que momento estamos simplesmente acreditando.