Frases de Saudades de quem Nao Merece
Nas madrugadas, as máscaras descansam. Sou apenas eu, meu cansaço e a verdade crua que o dia não suportaria ver.
A esperança é uma visita inesperada, ela senta em silêncio, não promete nada, mas sua presença torna o ar menos pesado.
Não uso a dor como tema, uso como tinta. É a partir dela que desenho os contornos do que ainda resta de mim.
Não há glamour no sofrimento. O que faço é apenas documentar o naufrágio para que o mar não pareça tão vazio.
Luto diariamente para não me tornar um fantasma de mim mesmo, um corpo que ocupa espaço, mas que já não habita o presente.
Meu silêncio é transbordamento, não vazio. É o resultado de sentir tanto que nenhuma palavra parece suficiente para traduzir.
Não busco salvadores, busco testemunhas. Alguém que valide minha travessia sem tentar consertar o que é, inerentemente, humano.
Viver nesse estado não é uma escolha estética, é a única forma de habitar um corpo que já não reconhece o sol como uma promessa.
Meus silêncios não são ausência de som, são gritos que aprenderam a se comportar para não assustar os que ainda acreditam na leveza da vida. Por dentro, sou um estrondo de vidros quebrados, por fora, apenas a poeira que se assenta após a queda.
Há dias em que o cansaço não é muscular, é um peso que vem de séculos passados, como se eu carregasse o luto de todas as versões de mim que morreram antes de florescer. A gente não envelhece apenas pelos anos, mas pelas despedidas que fazemos em silêncio diante do café frio.
Não me peça para sorrir para a foto quando minha alma está ocupada demais tentando não desmoronar sob o peso de um céu que hoje resolveu pesar toneladas. A melancolia é o meu estado de repouso, o único lugar onde não preciso fingir que a vida é um comercial de margarina.
O amor, quando chega para alguém como eu, não entra pela porta da frente com flores, mas infiltra-se como a umidade nas paredes, gelando os ossos antes de se tornar parte da estrutura. É uma dor bonita, um jeito de sofrer acompanhado por alguém que também tem medo do escuro.
A depressão é um inverno que se instala na sala de estar e decide que não haverá primavera este ano, nem no próximo. A gente aprende a estocar lenha de poesia e a se cobrir com cobertores de memórias mornas, torcendo para que o gelo não alcance o coração.
O tempo é um alfaiate cruel que vai apertando nossas roupas de esperança até que não consigamos mais respirar sem sentir a costura do passado nos sufocar. Aprendi a andar nu de expectativas, vestindo apenas a pele crua da realidade, por mais fria que ela seja nas manhãs de junho.
Há um tipo de cansaço que o sono não resolve, pois ele está impregnado na estrutura molecular da nossa vontade de ser alguém. É uma fadiga existencial, uma vontade de ser apenas uma pedra no fundo de um rio, deixando a correnteza levar os problemas embora.
A poesia não salva ninguém do abismo, mas ela nos dá uma lanterna para que possamos descrever os monstros enquanto caímos. É a arte de cair com elegância, transformando o impacto inevitável em uma estrofe que o mundo lembrará quando não estivermos mais aqui.
O amor é um exercício de vulnerabilidade que eu já não pratico com tanta frequência, por medo de que o que sobrou de mim não suporte mais uma decepção. Fechei as janelas do peito, não por ódio, mas para proteger as últimas velas que ainda insistem em não apagar.
A dor é um mestre severo que não aceita desculpas e exige que cada lição seja escrita com o sangue das nossas certezas mais profundas. Aprendi mais no escuro do quarto do que em todas as salas de aula que frequentei, pois ali a matéria era a minha própria vida.
O tempo não cura, ele apenas anestesia a ferida até que ela se torne uma cicatriz rígida, que dói sempre que o tempo muda ou que a alma esfria. Não acredite em quem diz que o tempo resolve tudo, o tempo apenas acumula poeira sobre o que não tivemos coragem de limpar.
