Ainda que eu fique cego, escreverei.
Ainda que eu fique mudo, escreverei.
Até surdo, escreverei.
Vou escrever tanto que um dia terei escrito
o meu próprio mundo.
Reclamar e dar risadas.
É tudo que um neném sabe fazer.
Parece um adolescente usando a internet.
A mulher falando com o marido,
Um idoso no mercado,
Você agora há pouco,
Eu puxando um assunto.
Não são as onças, não é a Ilha das Cobras, nem nossas aranhas, os dinossauros do Acre, ou os jacarés. O que torna nosso país perigoso é uma forca no pescoço que ninguém fala, ninguém escuta e ninguém vê.