Frases de Alguem que Perdeu o Pai
Quando estou com ele, tenho alguém comigo no meu luto. Alguém que conhece a arquitetura dele como eu, que anda comigo em cada sala melancólica, fazendo toda a estrutura incoerente de vento e vazio não ser tão assustadora e solitária como era antes.
A poesia é um risco para o papel em branco, mas é o que move essa inquietude humana de se expressar.
Pensamentos viajam e, entre um pingo e outro, desenhamos um sol em um céu tomado por nuvens escuras.
"33 voltas completas ao redor do sol. Eu, tão imerso na corrente da vida, mal percebi que o passado é fugaz, escapa pelos dedos, atravessa os dias, costura memórias ao presente e escreve silenciosamente o que chamamos de destino."
De um charme indescritível, um sopro de liberdade misturado à gratidão. São Vicente, a primeira cidade do Brasil, guardada como um relicário no quintal de casa.
Somos tão passageiros que deixamos os detalhes passarem despercebidos. O tempo, esse abismo silencioso entre dois lugares, recorda-nos que talvez busquemos nos galhos aquilo que só encontramos nas raízes.
No tumulto da vida, que corre apressada e ruidosa, nasce um silêncio raro, quase sagrado. Uma brisa atravessa o tempo, trazendo o teu perfume e me conduzindo a um mundo que desacelera, tornando-se mais suave. Ainda assim, o que me resta é um vazio delicado, já escrito pelo nosso destino.
Entender a dimensão das águas, sua força e o curso de um rio é preciso, primeiro, conhecer as suas nascentes. Algumas pessoas levarão dias, meses, anos, outras, uma vida inteira.
Como as águas escuras do rio negro, cheio de mistérios, é como eu te imagino. Me desconcerto nos seus encantos, de beleza estonteante, me faz simples, me deixo levar. Até pode me chamar de Solimões, só meu prazer.
Que sigamos nossos destinos incertos, mas ainda que eu caminhe nos trilhos que a vida reserva para mim, eu não me surpreendo em sentir a essência de Acqua fresca que você deixou no tempo e que o vento às vezes insiste em trazer de volta para mim.
Às vezes seja esse o nosso refúgio, se perder na mansidão deste oceano azulado, observando a calma das ondas, desprovido da minha inquietude que eu me misturo a natureza, me move, me comove. A orla me faz sentir parte dessa natureza infinita.
Quando as flores do seu jardim já não têm o mesmo brilho, a mesma cor o mesmo perfume... Não adianta regar, deve-se primeiro mudar suas raízes.
É verão de dezembro. O sol foi tão gentil, enquanto eu buscava as palavras de alguns versos. Estes que mexiam com a minha inquietude, que não doma esse mundo selvagem lá fora, mas é o suficiente para me fazer vagante.
