Frases Célebres
Como um gato de dorso arrepiado, arrepio-me diante de mim.
Mas eu sou uma chata que parece viver com medo de dizer as coisas claramente.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 5 de novembro de 1948.
...MaisEu não sou uma sonhadora. Só devaneio para alcançar a realidade.
Criar sim, mentir não. Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade.
Saber desistir. Abandonar ou não abandonar – esta é muitas vezes a questão para um jogador. A arte de abandonar não é ensinada a ninguém. E está longe de ser rara a situação angustiosa em que devo decidir se há algum sentido em prosseguir jogando.
Sua sensibilidade incomodava sem ser dolorosa, como uma unha quebrada.
Nota: Trecho do conto Devaneio e embriaguez duma rapariga.
...MaisPor caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.
Escrevo muito simples e muito nu. Por isso fere. Sou uma paisagem cinzenta e azul. Elevo-me na fonte seca e na luz fria.
Eu também não sei não pensar. Acontece sem esforço. Só é difícil quando procuro obter essa escuridão silenciosa. Quando estou distraído, caio na sombra e no oco e no doce macio nada-de-mim.
Somente uma coisa me faria bem agora. Seria adormecer com a cabeça no seu colo, você me dizendo bobagenzinhas gostosas pra eu esquecer a ruindade do mundo.
Nota: Trecho de carta a Maury Gurgel Valente, escrita em 5 de janeiro de 1942.
...MaisO bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
Nota: Trecho das crônicas Das vantagens de ser bobo.
...MaisEstou aqui de vez em quando muito delicada, me interessam principalmente flores e passarinhos.
Nota: Trecho de carta para Lúcio Cardoso, escrita em 1944.
...MaisNão me posso resumir porque não se pode somar uma cadeira e duas maçãs. Eu sou uma cadeira e duas maçãs. E não me somo.
Andar na escuridão completa à procura de nós mesmos é o que fazemos.
Como é bom o instante de precisar que antecede o instante de se ter.
Quando de noite ele me chamar para a atração do inferno, irei. Desço como um gato pelos telhados. Ninguém sabe, ninguém vê. Só os cães ladram pressentindo o sobrenatural.
Nota: Trecho do conto Estudo do cavalo demoníaco.
...MaisPois há um tempo de rosas, outro de melões, e não comereis morangos senão na época de morangos.
Enquanto escrever e falar vou ter que fingir que alguém está segurando a minha mão.
