Mateus Jeconias: Não importava onde, importava quem. Os...

Não importava onde, importava quem. Os piores lugares eram paraísos em sua presença. Onde não havia nada a se fazer, te olhar era suficiente, te ouvir, aprazente, te sentir, sublime. Até que inverdades começaram a castigar a confiança outrora partilhada e a indiferença consequente, incompreendida, desatar facilmente cada laço inocentemente criado. Me vi compelido ao silêncio, e dentro deste, a razão, armada com as mais letais memórias, defendia minha fragilizada integridade, cruelmente atacada pelas mais belas e doces recordações. No fim, uma lição anteriormente aprendida sobrepôs toda e qualquer angústia. Em outros tempos aprendi a não esperar nada das pessoas. Assim, o máximo de dano que elas poderiam me causar, é corresponder às minhas expectativas, ao passo que, na melhor das hipóteses, poderão surpreender, e surpreedendo, qualquer coisa valerá muito a pena.
Apesar dos pesares, há de pesar sobre mim a culpa de quem também causou o mal, não por mal, não por ser mau. Admito minhas fraquezas inerentes a condição humana. Condição esta que me ensinou a não idealizar, mas quando idealizado, fiz valer o que aprendi. Não correspondi as expectativas de quem pensava diferente de mim. Decepcionei.
Em meu silêncio a razão ainda é expressiva, e em meus planos... Não, não quero planos, quero sentimentos. Sentimentos que não se vão tão facilmente como areia arrastada pelo vento. Quero apenas sentimentos, e o resto? É improviso, é espontâneo, é natural, é surpreendente.

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Inserida por Jeconias