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TEMPO DECIFRADO Os instantes passam... Felipe Plugrad

TEMPO DECIFRADO

Os instantes passam incompreendíveis para alguns. Alguns momentos são captados com certo esforço. Poucos momentos são compreendidos com muito sacrifício. E momentos finalmente concluem histórias. Para desconhecidos há a dúvida e para personagens, a resposta. E poucos personagens escreveram o roteiro desta história. Dois são os protagonistas: o lado branco, benéfico, aquele que fez a história formar-se, se esforçou e decidiu seu final feliz; e o lado negro, maléfico, aquele que escutou, assistiu, gritou, reclamou, apanhou. Respostas ele só encontrou quando estava parado, tentando compreender enquanto o tempo passava. E as horas passavam rápidas e torturantes demais. Neste meio tempo, vejo os sinais, como os vi o tempo inteiro, passando em frente aos meus olhos, resquícios da pura verdade. Dois humanos sujos que jogaram tudo por conta do destino. Alegrias, ruinas, defeitos, lágrimas: todas compartilhadas com a presença de uma corrente indestrutível. Com o decorrer do roteiro, os personagens começaram a mudar de forma; uma análise real. Mãos sem sentido próprio, rostos sem memória e corações sem rumo. Nenhuma gota de sangue foi derramada, embora desejou-se. O tempo passou, e a névoa pesou sobre a cidade, o cenário perfeito para a guerra interior. Logo, o lado branco e o lado negro revelariam o verdadeiro sentido de sua existência: o propósito de serem o oposto. O lado branco sempre irá possuir trevas, sempre em um canto, a escuridão estará suprimida, esquecida. O lado negro terá, por sua vez, a luz brilhante, escondida no fundo do coração. Porque não há um ser vivo neste e em outros mundos capaz de escrever uma história sem luz. O lado brando já contagiou a si mesmo, infectou-se com a paz e o desejo realizado. Não há trevas que o transformem. E o lado negro evoluiu, deixou que a luz compacta tomasse conta dele, tornando-o um guerreiro. Esse guerreiro ouve, sente e, principalmente, vê. O no desfecho dessa história ele percebe o início de outra. Aquele sinal indecifrável revela o sentido de tudo. Porque não se deve esperar que a vida e os laços mostrem o caminho a seguir ou o amor a doar. Por mais insignificante que sejam os seus movimentos, mova-se! Se mover é o básico. E é com seus novos olhos que o guerreiro entendeu a barreira negra que o cercava. Ele agora é treinado. Ou ele pensa que é. Mas isso é bom: é o solavanco inicial para que ele lute, vença, sofra e morra, sabendo que se moveu desta vez. Mesmo que a barreira volte a envolvê-lo e ele se torne mais sombrio que as sombras na noite, essa escuridão nunca penetrará seu coração, e ele irá morrer e reencarnar protegido dela. Ele não lutará pelas respostas agora: lutará pela permanência, o que não fez com seu élo partido. Agora, mais do que nunca, ele encontrará o lado negro perdido e solitário que o completa. Pois solitários todos somos. Precisamos encontrar a corrente que nos suporta, querer e lutar por ela. Pois ela vale a pena. Basta se mover.