Hoje parei diante do espelho e, por... TRMC
Hoje parei diante do espelho
e, por alguns instantes, não reconheci apenas o meu rosto.
Reconheci o tempo.
Vi nas marcas da pele as páginas de uma história que só eu conheço.
Cada linha, uma lembrança.
Cada sinal, um caminho percorrido.
Cada olhar, um pouco de tudo aquilo que fui
e de tudo aquilo que ainda estou aprendendo a ser.
A vida passa…
silenciosa, ligeira, quase sem pedir licença.
E quando percebemos, alguns sonhos ficaram pelo caminho,
outros nasceram de novo,
e alguns simplesmente deixaram de fazer sentido.
Já sonhei tanto com o amanhã.
Já imaginei futuros inteiros dentro do coração.
Hoje, às vezes, olho para frente e não sei exatamente o que desejo encontrar.
E talvez isso também seja parte da vida.
Talvez nem sempre seja preciso ter um grande sonho,
um destino certo,
ou respostas para todas as perguntas.
Talvez, depois de atravessar tantas tempestades,
a gente passe a desejar apenas aquilo que o coração realmente precisa:
paz.
Paz na alma para fazer as pazes com o passado.
Paz na mente para silenciar aquilo que já não merece espaço.
Paz no coração para aceitar que algumas pessoas são passagem,
alguns sonhos são despedidas
e alguns finais são, na verdade, recomeços.
Hoje eu olho para as marcas que o tempo deixou em mim
e já não quero escondê-las.
Elas me lembram que eu vivi.
Que amei.
Que chorei.
Que perdi.
Que recomecei.
Que, mesmo quando pensei não conseguir,
continuei caminhando.
Ainda estou aqui.
Talvez essa seja a parte mais bonita da história.
O tempo levou algumas coisas,
mudou outras,
e deixou marcas que não posso apagar.
Mas também me trouxe uma compreensão que antes eu não tinha:
não quero mais uma vida perfeita.
Quero uma vida que faça sentido para a minha alma.
Quero dias tranquilos,
abraços sinceros,
risos que cheguem sem esforço,
silêncios que não doam
e um coração que finalmente possa descansar.
E quando eu me olhar novamente no espelho,
quero enxergar muito mais do que o rosto que envelheceu.
Quero enxergar a mulher que resistiu.
A mulher que ainda sente.
Ainda sonha, mesmo que de outra maneira.
Ainda acredita.
Ainda está aprendendo.
Porque talvez envelhecer não seja perder a beleza da vida.
Talvez seja finalmente descobrir
onde ela realmente mora.
E hoje, mais do que qualquer coisa,
eu só quero que ela more em mim
com serenidade,
com gratidão
e, acima de tudo,
com paz. 🌷
