A VIRADA DE CHAVE Hoje é dia 10 de... Gabriela Denke
A VIRADA DE CHAVE
Hoje é dia 10 de setembro, o dia que antecede meu aniversário, mas, desta vez, não será como nos outros anos. Amanhã completarei 18 anos, e você deve estar pensando: essa menina deve estar muito feliz. Muito pelo contrário. Estou atravessando um dia cinzento por aqui. Não diria ruim, mas é um lugar onde está tudo bagunçado. Eu, como uma boa virginiana que sou, odeio bagunça, mas, desta vez, ela tornou-se deveras importante.
No último mês, comecei a descobrir umas coisas malucas sobre mim mesma. Finalmente descobri quem realmente sou, como se uma máscara tivesse caído do meu rosto. Uma onda de emoções recaiu sobre mim, eu não sabia se chorava, se ria ou se comemorava, mas, naquele dia, decidi ser eu mesma de uma vez por todas. A minha vida toda me escondi atrás de uma personalidade que não era minha, por medo da desaprovação dos outros. Mas, afinal, quem são eles para julgar se sou boa ou ruim? Tentar ser quem sou está sendo uma tarefa difícil. Enfrentar medos, inseguranças e vergonhas é angustiante, mas, quando conseguimos ultrapassar tudo isso, o mundo parece ficar mais fácil. Desde então, meu oceano interno tem se acalmado, e a correnteza flui de forma mais uníssona.
Antigamente, eu culpava muito as pessoas à minha volta por se afastarem de mim. Ninguém queria ser meu amigo ou estar ao meu lado. Hoje, já não as culpo tanto assim. Talvez, em alguns pontos, a razão até estivesse com elas. Não tem como gostar de algo que não existe; abraçar a fumaça é impossível. Viver sob uma ótica que não é sua pode até ser confortável, mas, um dia, a bomba explode. Ser o sol do seu próprio sistema estelar não é egoísmo, é amor-próprio, e, quando somos o centro da nossa própria vida, fica muito mais fácil sermos nós mesmos, porque o que realmente importa nesta vida é saber que a nossa validação interna vale muito mais do que qualquer uma que venha de fora.
Nesse novo ciclo que se inicia amanhã, quero me tornar a senhora da minha própria vida. Quero conseguir ser eu mesma, mesmo que ainda aos poucos. Essa mudança já me trouxe pessoas novas, alegrias e momentos que me fizeram sentir completa, momentos que foram vividos sem medo, sem fingir e sem esconder quem sou. Tenho muito a descobrir nesta vida ainda, mas prometo nunca mais me esconder para agradar sabe-se lá quem. Só sei que a única pessoa que sempre estará conosco durante toda essa existência somos nós mesmos, e, por mais desconfortável que essa jornada de descobrimento possa ser, tudo isso está valendo muito a pena.
