Se eu tivesse que explicar você Se... Humberto Fornazier
Se eu tivesse que explicar você
Se alguém me perguntasse
o que exatamente aconteceu comigo
depois que conheci você,
eu provavelmente não saberia responder.
Porque não foi uma coisa.
Não foi uma palavra, um gesto,
um momento específico.
Foi um conjunto de detalhes
que, separados, talvez não significassem nada...
mas que, juntos,
fizeram você se tornar você para mim.
E talvez seja isso que torna tudo tão difícil de explicar.
Como explicar que uma pessoa
pode se tornar importante sem pedir para ser?
Como explicar que, em algum momento,
a gente percebe que já não está apenas conhecendo alguém...
está conhecendo um mundo.
Um mundo com histórias que eu ainda não conheço,
com cicatrizes que não vi,
com sonhos que talvez ainda nem tenham nome,
com medos que você talvez esconda,
com desejos que ainda vou descobrir.
E eu não quero conhecer esse mundo de uma vez.
Quero descobrir aos poucos.
Quero conhecer a mulher que você é
quando está feliz,
a que aparece quando está cansada,
a que ri das próprias bobagens,
a que fica teimosa,
a que muda de ideia,
a que se irrita,
a que sonha,
a que às vezes duvida de si mesma...
Quero conhecer até as versões suas
que você talvez ache difíceis de amar.
Porque gostar de alguém
pelas partes bonitas é fácil.
O que me interessa é conhecer o conjunto.
A pessoa inteira. Sem recortes.
Sem precisar transformar você
em uma versão perfeita
para caber no que eu sinto.
E talvez seja essa a minha maior declaração:
eu não quero uma personagem sua. Quero você!
Com suas certezas e contradições.
Com aquilo que mostra
e aquilo que ainda não conseguiu mostrar.
Com os dias em que tudo parece simples
e aqueles em que nem você consegue
entender o que está acontecendo aí dentro.
Quero continuar descobrindo.
Porque quanto mais eu conheço você,
menos vontade tenho de encontrar uma definição.
E talvez eu finalmente tenha entendido:
algumas pessoas não foram feitas
para serem explicadas.
Foram feitas para serem conhecidas.
E você...
eu quero passar muito tempo,
mais 1000 anos fazendo exatamente isso.
