É que o tempo, esse menino desvairado... Nildinha Freitas
É que o tempo, esse menino desvairado
que corre no quintal da minha casa,
foi chegando, foi chegando, chegando,
e com ele vieram tantas coisas:
cabelos que foram ficando brancos,
por que não dizer platinados,
rugas que apareceram no canto dos olhos
de tanto que eu sorri na vida,
mãos enrugadas
de todas as vezes que as usei
para escrever minha lida.
Hoje eu me olho no espelho,
talvez os meus olhos ainda não consigam ver
como deveriam,
porque quando eu me olho
eu ainda me vejo tão menina
quanto esse tempo que corre pela vida,
uma menina querendo encontrar paz
e ser feliz.
Mas eu já sou,
nada me falta,
nem amor.
Nildinha Freitas
