A Luz que Pregam Pregam a luz, mas vivem... Maria Luiza Barros Grochvicz

A Luz que Pregam


Pregam a luz,
mas vivem na escuridão.
Falam de amor,
mas carregam julgamento no coração.


Pronunciam o nome de Deus
como quem conhece a verdade,
mas esquecem que nenhuma fé
deveria caminhar ao lado da crueldade.


Estendem a mão em público,
sorriem como se fossem abrigo,
mas, quando encontram alguém diferente,
transformam o abraço em perigo.


Pregam aceitação,
mas escolhem quem merece pertencer.
Falam sobre perdão,
mas não sabem perdoar o que não conseguem entender.


E talvez a maior ironia
seja chamarem de escuridão
aquilo que simplesmente não se parece
com a luz que aprenderam a imitar.


Porque há quem acenda velas,
faça orações e fale de salvação,
mas seja incapaz de oferecer
um pouco de compaixão.


Eu não preciso apontar dedos.
A consciência sabe quem é quem.
Afinal, quem realmente vive na luz
não precisa provar que é luz para ninguém.


Há quem pregue a luz em nome de Deus,
enquanto escolhe viver na escuridão
quando ninguém está olhando.