Setembro-me Setembro‑me dentro do teu... Joni Baltar

Setembro-me


Setembro‑me
dentro do teu peito,
e o ar muda de temperatura
como se reconhecesse a tua sede.


Há um lume que se ergue devagar,na pele eno espaço entre nós, onde cada gesto teu
se torna uma força que me puxa
sem nunca me tocar.


Aproximo‑me desse centro quente,
dessa sombra que respira,
e sinto o teu silêncio a abrir‑se
como uma porta que só cede
quando alguém a deseja com verdade.


E é aí, nesse quase‑instante,
que tudo se intensifica:
a luz fica mais densa,
o ar mais vivo,
o mundo mais pequeno.


Fico suspenso no teu peito
não como quem entra,
mas como quem
se dissolve na luz que te percorre
e aprende a respirar
dentro da tua boca.