ENTENDENDO O DOGMA " NO ESPIRITISMO... Marcelo Caetano Monteiro
ENTENDENDO O DOGMA " NO ESPIRITISMO "
PARTE I
Marcelo Caetano Monteiro.
Qual a melhor definição que cabe para o espiritismo sobre a palavra dogma: e qual a definição que serve melhor ao espiritismo: a grega, a latina ou a cristã. Para o Espiritismo, a melhor definição da palavra dogma é a de um "dogma de razão" ou princípio fundamental aberto ao livre exame, rejeitando completamente o conceito de verdade indiscutível. Entre as três opções originárias, a definição grega é a que serve melhor à Doutrina Espírita.Por que a definição Grega serve melhor ao Espiritismo?Para compreender qual definição se ajusta ao Espiritismo, é necessário analisar a evolução histórica do termo e o modelo estrutural da doutrina:A Definição Grega (Dógma): Significa originalmente "opinião", "o que se pensa ser verdade" ou "fundamentado em princípios". Na Grécia Antiga, os filósofos usavam o termo para designar uma premissa elementar a partir da qual se desenvolvia um sistema de ideias, mas que passava constantemente pelo crivo do debate e da lógica. É a que melhor serve ao Espiritismo porque a doutrina trabalha com princípios e leis que derivam da observação e do bom senso, e não de imposições cegas.A Definição Latina (Dogma): Evoluiu para o sentido de "decreto", "regra" ou "ordem administrativa" imposta por uma autoridade política ou jurídica. O Espiritismo não possui uma estrutura hierárquica centralizada (como um Papa ou clero) que emita decretos ou obrigue a aceitação de normas comportamentais sob pena de excomunhão.A Definição Cristã (Teológica Tradicional): Define o dogma como uma "verdade absoluta de fé", revelada divinamente, que é definitiva, irrevogável e inquestionável. O catolicismo e outras vertentes cristãs tradicionais exigem que o fiel aceite o dogma sem discussão. Essa visão é incompatível com o Espiritismo.A Visão Espírita: "Dogmas de Razão"O codificador Allan Kardec e pensadores clássicos como J. Herculano Pires esclarecem que o Espiritismo se divide em relação ao termo:Rejeição ao Dogma de Fé: O Espiritismo é antidogmático no sentido clerical/cristão tradicional. Ele propõe a fé raciocinada e estabelece que "fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade". Nenhum ponto da doutrina é indiscutível ou imutável.Aceitação como Dogma de Razão: Se usarmos a palavra "dogma" apenas como sinônimo de eixo estrutural (o sentido grego), o Espiritismo possui seus pilares. Princípios como a reencarnação, a existência de Deus, a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos espíritos são chamados de "dogmas de razão". Eles são as bases lógicas do sistema espírita, mas são oferecidos ao exame da inteligência e da ciência, e não impostos pela força.Se a ciência comprovar amanhã que algum princípio espírita está objetivamente errado, o Espiritismo se modificará nesse ponto, o que demonstra a total flexibilidade de seus "dogmas".Para aprofundar esse estudo, você gostaria de:Compreender como Allan Kardec detalha a fé raciocinada frente à ciência?Analisar as críticas que o Espiritismo faz aos dogmas específicos da Igreja (como as penas eternas ou a Santíssima Trindade)?Entender a diferença prática entre um princípio científico e um dogma religioso?
